Rang e Dale: Farmacologia
Indução da doença
cerca de 10 vezes maior do que na Europa. Para uma revisão da
patogênese (e de vários outros aspectos) da AIDS, ver Moss (2013).
Graças ao aumento da disponibilidade de terapia farmacológica eficaz, a
situação global está melhorando e o número de mortes relacionadas com
a AIDS está diminuindo. Mesmo assim, estatísticas recentes (UNAIDS,
2016) sugerem que mais de 36 milhões de pessoas estão atualmente
vivendo com HIV, incluindo mais de 2 milhões de crianças (um
pensamento particularmente horrível) e que novas infecções estão
surgindo em uma taxa de cerca de 2 milhões por ano.
De forma mais otimista, a taxa geral de infecção entre adultos diminuiu
em mais de 10% desde 2010 e em cerca de 50% no caso das crianças.
As mortes globais pelo HIV também diminuíram em aproximadamente
metade desde 2005, e o acesso à terapia antirretroviral aumentou ano
após ano. Atualmente, cerca de 19 milhões de pessoas estão recebendo
os fármacos – aproximadamente metade de todos os que sofrem de HIV.
INDUÇÃO DA DOENÇA
A interação do HIV com o sistema imunológico do hospedeiro é complexa
e, embora envolva principalmente os linfócitos T citotóxicos (LTC, células
T CD8+) e os linfócitos T helper CD4+ (células CD4+), outras células
imunológicas, como os macrófagos, as células dendríticas e as células NK,
também desempenham seu papel. O hospedeiro produz anticorpos contra
vários componentes do HIV, porém é a ação dos LTC e das células CD4+
que inicialmente impede sua difusão no hospedeiro.
• Os linfócitos T citotóxicos (LTC) destroem diretamente as células
infectadas pelos vírus e produzem e liberam citocinas antivirais (ver
Figura 53.2). O evento letal é a destruição da célula-alvo, porém a
indução da apoptose, pela interação do ligante Fas (ver Capítulo 6) nos
LTC, com os receptores Fas na célula infectada pelo vírus, também tem
seu papel
• As células CD4+ cumprem um importante papel como células helper, e
podem desempenhar um papel direto no controle da replicação do HIV
(p. ex., destruição das células-alvo; Norris et al., 2004). A perda
progressiva dessas células é a característica que define a infecção pelo
HIV (ver Figura 53.4).
O estímulo para que as células T simples se tornem LTC na fase de indução
envolve a interação do complexo receptor das células T com o peptídio
antigênico do HIV em associação com as moléculas de classe I do MHC na
superfície das células apresentadoras do antígeno (APC; ver Capítulo 7). O
estímulo também requer a presença e a participação das células CD4+.
Considera-se que ambos os tipos de células precisam reconhecer o antígeno
na superfície da mesma APC.
Os LTC assim gerados mostram-se efetivos nos estágios iniciais da
infecção, porém não são capazes de impedir a progressão da doença.
Acredita-se que isso ocorra porque se tornam “exaustos” e incapazes de
manter sua função protetora. Diferentes mecanismos podem estar
envolvidos nesse processo (Jansen et al., 2004, e Barber et al., 2006).
▼ O vírion do HIV, engenhosamente, liga-se a proteínas na superfície
da célula do hospedeiro para entrar nas células. Os alvos principais são
as CD4 (um marcador glicoproteico de um grupo particular de linfócitos
T helper) e o CCR5 (um correceptor para algumas quimiocinas,
incluindo a proteína quimioatrativa monocítica-1 e RANTES; ver
Capítulo 7). As células CD4+ normalmente orquestram a resposta
imunológica aos vírus, porém, ao entrar nessas células e usá-las como