Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 674 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Indução da doença

cerca de 10 vezes maior do que na Europa. Para uma revisão da

patogênese (e de vários outros aspectos) da AIDS, ver Moss (2013).

Graças ao aumento da disponibilidade de terapia farmacológica eficaz, a

situação global está melhorando e o número de mortes relacionadas com

a AIDS está diminuindo. Mesmo assim, estatísticas recentes (UNAIDS,

2016) sugerem que mais de 36 milhões de pessoas estão atualmente

vivendo com HIV, incluindo mais de 2 milhões de crianças (um

pensamento particularmente horrível) e que novas infecções estão

surgindo em uma taxa de cerca de 2 milhões por ano.

De forma mais otimista, a taxa geral de infecção entre adultos diminuiu

em mais de 10% desde 2010 e em cerca de 50% no caso das crianças.

As mortes globais pelo HIV também diminuíram em aproximadamente

metade desde 2005, e o acesso à terapia antirretroviral aumentou ano

após ano. Atualmente, cerca de 19 milhões de pessoas estão recebendo

os fármacos – aproximadamente metade de todos os que sofrem de HIV.

 

INDUÇÃO DA DOENÇA

A interação do HIV com o sistema imunológico do hospedeiro é complexa

e, embora envolva principalmente os linfócitos T citotóxicos (LTC, células

T CD8+) e os linfócitos T helper CD4+ (células CD4+), outras células

imunológicas, como os macrófagos, as células dendríticas e as células NK,

também desempenham seu papel. O hospedeiro produz anticorpos contra

vários componentes do HIV, porém é a ação dos LTC e das células CD4+

que inicialmente impede sua difusão no hospedeiro.

 

• Os linfócitos T citotóxicos (LTC) destroem diretamente as células

infectadas pelos vírus e produzem e liberam citocinas antivirais (ver

Figura 53.2). O evento letal é a destruição da célula-alvo, porém a

indução da apoptose, pela interação do ligante Fas (ver Capítulo 6) nos

LTC, com os receptores Fas na célula infectada pelo vírus, também tem

seu papel

• As células CD4+ cumprem um importante papel como células helper, e

podem desempenhar um papel direto no controle da replicação do HIV

(p. ex., destruição das células-alvo; Norris et al., 2004). A perda

progressiva dessas células é a característica que define a infecção pelo

HIV (ver Figura 53.4).

 

O estímulo para que as células T simples se tornem LTC na fase de indução

envolve a interação do complexo receptor das células T com o peptídio

antigênico do HIV em associação com as moléculas de classe I do MHC na

superfície das células apresentadoras do antígeno (APC; ver Capítulo 7). O

estímulo também requer a presença e a participação das células CD4+.

Considera-se que ambos os tipos de células precisam reconhecer o antígeno

na superfície da mesma APC.

Os LTC assim gerados mostram-se efetivos nos estágios iniciais da

infecção, porém não são capazes de impedir a progressão da doença.

Acredita-se que isso ocorra porque se tornam “exaustos” e incapazes de

manter sua função protetora. Diferentes mecanismos podem estar

envolvidos nesse processo (Jansen et al., 2004, e Barber et al., 2006).

▼ O vírion do HIV, engenhosamente, liga-se a proteínas na superfície

da célula do hospedeiro para entrar nas células. Os alvos principais são

as CD4 (um marcador glicoproteico de um grupo particular de linfócitos

T helper) e o CCR5 (um correceptor para algumas quimiocinas,

incluindo a proteína quimioatrativa monocítica-1 e RANTES; ver

Capítulo 7). As células CD4+ normalmente orquestram a resposta

imunológica aos vírus, porém, ao entrar nessas células e usá-las como