Rang e Dale: Farmacologia
Tosse
Os surfactantes pulmonares atuam não por meio da ligação a alvos
específicos, mas, sim, pela diminuição da tensão de superfície do líquido
que reveste os alvéolos, permitindo a entrada de ar. São eficazes na
profilaxia e no tratamento da síndrome da angústia respiratória em recém-
nascidos, em especial prematuros nos quais a produção de surfactante
endógeno é deficiente. Exemplos incluem beractanto e alfaporactanto,
que são derivados do surfactante pulmonar fisiológico. São administrados
diretamente na árvore traqueobrônquica através de cânula endotraqueal. (As
mães de prematuros são ocasionalmente tratadas com glicocorticoides antes
do parto na tentativa de acelerar a maturação do pulmão fetal e minimizar a
incidência desse distúrbio.)
TOSSE
A tosse é um reflexo protetor que retira material estranho e secreções dos
brônquios e bronquíolos. É um efeito adverso muito comum dos inibidores
da enzima conversora de angiotensina, caso em que o tratamento
geralmente é substituí-los por um fármaco alternativo, com frequência um
antagonista dos receptores da angiotensina, que tem menos probabilidade
de causar efeitos adversos (ver Capítulo 23). Pode ser desencadeada por
inflamação do trato respiratório, por exemplo, por asma não diagnosticada
ou refluxo crônico com aspiração, ou por neoplasia. Nesses casos, algumas
vezes, são úteis os supressores da tosse (antitussígenos), por exemplo, para
a tosse seca e dolorosa associada ao carcinoma brônquico. Devem, no
entanto, ser evitados em casos de infecção pulmonar crônica, pois podem
causar espessamento indesejável e retenção de escarro, e na asma, em razão
do risco de depressão respiratória.
Fármacos usados para tosse Os analgésicos opioides são os fármacos antitússicos mais eficazes
utilizados na prática clínica (ver Capítulo 43). Atuam inibindo um “centro
da tosse” mal definido no tronco encefálico e suprimem a tosse em doses
abaixo das necessárias para alívio da dor. Os usados como supressores da
tosse apresentam ações analgésicas e provocadoras de dependência
mínimas. Estão sendo avaliados novos análogos de opioides que suprimem
a tosse por inibição da liberação de neuropeptídios excitatórios por meio de
uma ação sobre os receptores μ (ver Tabela 43.2) nos nervos sensitivos dos
brônquios.
A codeína (metilmorfina) é um opioide fraco (ver Capítulo 43) com
consideravelmente menor tendência para causar dependência do que um
opioide forte, e é um supressor moderado da tosse. Ela diminui as secreções
nos bronquíolos, o que espessa o escarro, e inibe a atividade ciliar. A
constipação intestinal é comum. O dextrometorfano (um fármaco com
muitas ações, incluindo a de agonista do receptor μ e do receptor sigma-1,
inibidor não seletivo da captação de serotonina) e a folcodina (agonista do
receptor μ com efeitos analgésicos fracos) têm menos efeitos adversos do
que a codeína. A depressão respiratória é um risco com todos os fármacos
supressores de tosse com ação central. A morfina é usada para o cuidado
paliativo em casos de câncer pulmonar associado à tosse angustiante.
REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR
Geral
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sobre o papel dos TLR na asma e na DPOC em que se discutem estes como alvos nas doenças
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argumentadas com relação à eficácia. Por causa do possível papel duplo dos TLR em doenças
das vias respiratórias com sintomas e fatores de risco comuns, mas com mecanismos
imunológicos diferentes, deve-se tomar cuidado durante a criação de terapias pulmonares
baseadas nos TLR)
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1 Conhecida como maldição de Ondina. Ondina era uma ninfa aquática que
se apaixonou por um mortal. Quando ele se mostrou infiel, o rei das ninfas
da água lançou-lhe uma maldição – ele precisava ficar acordado para
respirar. Quando finalmente foi vencido pelo cansaço, caiu no sono e
morreu. Esses pacientes são tratados com ventilação mecânica. Nas formas
menos extremas, os pacientes cujo centro respiratório é relativamente
insensível hipoventilam e tornam-se hipóxicos quando adormecem, levando
a múltiplos despertares durante a noite.
2 William Osler, decano dos clínicos americanos e britânicos do século XIX,
escreveu que “o asmático arqueja até a idade avançada” – isso em uma
época em que o fármaco mais eficaz que ele poderia oferecer era fumar
cigarros de estramônio, uma erva medicinal cujos efeitos antimuscarínicos
eram compensados pela irritação direta causada pela fumaça. Seu uso
persistiu em escolas particulares inglesas até os anos 1950, como pôde
atestar um dos autores – para inveja de seus colegas contemporâneos!
3 Há mais de 200 anos, William Withering recomendava “café bem forte”
como remédio para a asma. O café contém cafeína, uma metilxantina
correlata.
4 Em 1900, Solis-Cohen relatou que suprarrenais secas de boi tinham
atividade antiasmática. Ele observou que o extrato não servia agudamente
para “abreviar o paroxismo”, mas era “útil em evitar a recorrência de
paroxismos”. Erroneamente tomado como o primeiro relato sobre o efeito
da epinefrina, sua arguta observação foi provavelmente a primeira sobre a
eficácia dos esteroides na asma.
5 Algumas vezes associado à DPOC, o enfisema é uma condição patológica
na qual o parênquima pulmonar é destruído e substituído por espaços aéreos que coalescem para formar bolhas – espaços preenchidos com ar em forma
de bolha nos tecidos pulmonares.
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