Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 352 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Tosse

Os surfactantes pulmonares atuam não por meio da ligação a alvos

específicos, mas, sim, pela diminuição da tensão de superfície do líquido

que reveste os alvéolos, permitindo a entrada de ar. São eficazes na

profilaxia e no tratamento da síndrome da angústia respiratória em recém-

nascidos, em especial prematuros nos quais a produção de surfactante

endógeno é deficiente. Exemplos incluem beractanto e alfaporactanto,

que são derivados do surfactante pulmonar fisiológico. São administrados

diretamente na árvore traqueobrônquica através de cânula endotraqueal. (As

mães de prematuros são ocasionalmente tratadas com glicocorticoides antes

do parto na tentativa de acelerar a maturação do pulmão fetal e minimizar a

incidência desse distúrbio.)

 

TOSSE

A tosse é um reflexo protetor que retira material estranho e secreções dos

brônquios e bronquíolos. É um efeito adverso muito comum dos inibidores

da enzima conversora de angiotensina, caso em que o tratamento

geralmente é substituí-los por um fármaco alternativo, com frequência um

antagonista dos receptores da angiotensina, que tem menos probabilidade

de causar efeitos adversos (ver Capítulo 23). Pode ser desencadeada por

inflamação do trato respiratório, por exemplo, por asma não diagnosticada

ou refluxo crônico com aspiração, ou por neoplasia. Nesses casos, algumas

vezes, são úteis os supressores da tosse (antitussígenos), por exemplo, para

a tosse seca e dolorosa associada ao carcinoma brônquico. Devem, no

entanto, ser evitados em casos de infecção pulmonar crônica, pois podem

causar espessamento indesejável e retenção de escarro, e na asma, em razão

do risco de depressão respiratória.

 

Fármacos usados para tosse Os analgésicos opioides são os fármacos antitússicos mais eficazes

utilizados na prática clínica (ver Capítulo 43). Atuam inibindo um “centro

da tosse” mal definido no tronco encefálico e suprimem a tosse em doses

abaixo das necessárias para alívio da dor. Os usados como supressores da

tosse apresentam ações analgésicas e provocadoras de dependência

mínimas. Estão sendo avaliados novos análogos de opioides que suprimem

a tosse por inibição da liberação de neuropeptídios excitatórios por meio de

uma ação sobre os receptores μ (ver Tabela 43.2) nos nervos sensitivos dos

brônquios.

A codeína (metilmorfina) é um opioide fraco (ver Capítulo 43) com

consideravelmente menor tendência para causar dependência do que um

opioide forte, e é um supressor moderado da tosse. Ela diminui as secreções

nos bronquíolos, o que espessa o escarro, e inibe a atividade ciliar. A

constipação intestinal é comum. O dextrometorfano (um fármaco com

muitas ações, incluindo a de agonista do receptor μ e do receptor sigma-1,

inibidor não seletivo da captação de serotonina) e a folcodina (agonista do

receptor μ com efeitos analgésicos fracos) têm menos efeitos adversos do

que a codeína. A depressão respiratória é um risco com todos os fármacos

supressores de tosse com ação central. A morfina é usada para o cuidado

paliativo em casos de câncer pulmonar associado à tosse angustiante.

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

Geral

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sobre o papel dos TLR na asma e na DPOC em que se discutem estes como alvos nas doenças

das vias respiratórias. Terapias com agonista, antagonista ou adjuvantes de TLR poderiam ser

argumentadas com relação à eficácia. Por causa do possível papel duplo dos TLR em doenças

das vias respiratórias com sintomas e fatores de risco comuns, mas com mecanismos

imunológicos diferentes, deve-se tomar cuidado durante a criação de terapias pulmonares

baseadas nos TLR)

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do ATP, o bloqueio do fator de crescimento transformador e das integrinas, os antagonistas dos

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1 Conhecida como maldição de Ondina. Ondina era uma ninfa aquática que

se apaixonou por um mortal. Quando ele se mostrou infiel, o rei das ninfas

da água lançou-lhe uma maldição – ele precisava ficar acordado para

respirar. Quando finalmente foi vencido pelo cansaço, caiu no sono e

morreu. Esses pacientes são tratados com ventilação mecânica. Nas formas

menos extremas, os pacientes cujo centro respiratório é relativamente

insensível hipoventilam e tornam-se hipóxicos quando adormecem, levando

a múltiplos despertares durante a noite.

2 William Osler, decano dos clínicos americanos e britânicos do século XIX,

escreveu que “o asmático arqueja até a idade avançada” – isso em uma

época em que o fármaco mais eficaz que ele poderia oferecer era fumar

cigarros de estramônio, uma erva medicinal cujos efeitos antimuscarínicos

eram compensados pela irritação direta causada pela fumaça. Seu uso

persistiu em escolas particulares inglesas até os anos 1950, como pôde

atestar um dos autores – para inveja de seus colegas contemporâneos!

3 Há mais de 200 anos, William Withering recomendava “café bem forte”

como remédio para a asma. O café contém cafeína, uma metilxantina

correlata.

4 Em 1900, Solis-Cohen relatou que suprarrenais secas de boi tinham

atividade antiasmática. Ele observou que o extrato não servia agudamente

para “abreviar o paroxismo”, mas era “útil em evitar a recorrência de

paroxismos”. Erroneamente tomado como o primeiro relato sobre o efeito

da epinefrina, sua arguta observação foi provavelmente a primeira sobre a

eficácia dos esteroides na asma.

5 Algumas vezes associado à DPOC, o enfisema é uma condição patológica

na qual o parênquima pulmonar é destruído e substituído por espaços aéreos que coalescem para formar bolhas – espaços preenchidos com ar em forma

de bolha nos tecidos pulmonares.

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