Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 194 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

17 Purinas

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Além do seu papel na economia energética da célula, os nucleosídios e

nucleotídios de purinas funcionam como mediadores químicos

extracelulares que desempenham uma ampla gama de funções. Neste

capítulo, descrevem-se os mecanismos responsáveis por sua síntese e

liberação, os fármacos que afetam a sinalização purinérgica e os receptores

que transduzem esses efeitos.

 

INTRODUÇÃO

Os nucleosídios (especialmente a adenosina) e os nucleotídios

(especialmente ADP e ATP) já devem ser familiares devido ao seu papel

crucial na síntese de DNA/RNA e metabolismo energético, mas pode ser

surpreendente saber que eles também funcionam extracelularmente como

moléculas de sinalização que produzem ampla gama de efeitos

farmacológicos não relacionados.

A observação, em 1929, de que a adenosina injetada em animais

anestesiados causava bradicardia, hipotensão, vasodilatação e inibição dos

movimentos intestinais, despertou o interesse atual nas purinas. No entanto,

as verdadeiras origens do campo podem ser rastreadas às observações

cruciais de Burnstock et al., em 1970, que forneceram forte evidência de

que o ATP é um neurotransmissor (ver Capítulo 2). Após um período,

durante o qual esta ideia radical foi tratada com ceticismo, tornou-se claro

que o sistema de sinalização “purinérgico” não é apenas de origem

evolutiva remota, mas também participa em diversos mecanismos

fisiológicos de controle, incluindo a regulação do fluxo coronariano e da

função miocárdica (ver Capítulos 22 e 23), agregação plaquetária e

respostas imunológicas (ver Capítulos 18 e 25), assim como na

neurotransmissão, tanto no sistema nervoso central quanto no periférico

(ver Capítulos 13 e 40).

A total complexidade dos sistemas purinérgicos de controle, sua

importância em diversos mecanismos fisiopatológicos e a relevância

terapêutica dos diversos subtipos de receptores começam a se revelar agora.

Consequentemente, existe um interesse crescente na farmacologia das

purinas e na perspectiva do desenvolvimento de fármacos “purinérgicos”

para tratamento da dor e de diversos distúrbios, particularmente os de

origem trombótica e inflamatória. Apesar de não haver dúvida de que esses

fármacos ganharão uma importância cada vez maior, pelo fato de o

panorama geral ainda estar em desenvolvimento, nossa discussão terá como

foco apenas algumas áreas proeminentes.

A Figura 17.1 resume os mecanismos pelos quais as purinas são

armazenadas, liberadas e interconvertidas, e os principais tipos de

receptores em que elas atuam.