Rang e Dale: Farmacologia
Citocinas
”Citocina” é um termo funcionalmente genérico aplicado a mediadores
proteicos ou polipeptídicos sintetizados e liberados por células do sistema
imunológico durante a inflamação. Eles são extremamente importantes para
a coordenação geral da resposta inflamatória. As citocinas atuam
localmente por mecanismos autócrinos ou parácrinos. Ao contrário dos
hormônios convencionais como a insulina, as suas concentrações no sangue
e nos tecidos são praticamente indetectáveis em circunstâncias normais,
mas a sua síntese é acentuadamente suprarregulada (100 a 1.000 vezes)
durante episódios de inflamação. Todos esses mediadores geralmente
exercem as suas ações em concentrações muito baixas (subnanomolar).
Na célula-alvo, as citocinas ligam-se e ativam receptores específicos de
alta afinidade que, na maioria dos casos, também são suprarregulados
durante a inflamação. À exceção das quimiocinas, que atuam em receptores
acoplados à proteína G, a maioria das citocinas atua sobre receptores
ligados a quinases, regulando cascatas de fosforilação que afetam a
expressão gênica, como, por exemplo, a via Jak/Stat (ver Capítulos 3 e 7).
Além das suas próprias ações diretas sobre as células, algumas citocinas
amplificam a inflamação por indução da formação de outros mediadores
inflamatórios. Algumas podem induzir receptores para outras citocinas nas
suas células-alvo ou realizar interações sinérgicas ou antagônicas com
outras citocinas. As citocinas constituem uma complexa linguagem de
sinalização, em que a resposta final envolvendo uma célula em particular é
determinada pela intensidade e pelo número das diferentes mensagens
recebidas ao mesmo tempo na superfície celular.
Sistemas para classificar citocinas são abundantes na literatura, bem
como diagramas representando redes complexas de citocinas que interagem
umas com as outras e com uma gama de células-alvo. Nenhum sistema de classificação faz justiça à complexidade da biologia das citocinas. A