Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 208 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Ações

Figura 18.1 Síntese da histamina. A histamina é sintetizada pela histidina descarboxilase, que remove o grupo carboxila (no quadro sombreado) da histidina. A histamina pode ser metabolizada em produtos inativos por várias enzimas, incluindo a histaminase (diamina oxidase) e/ou pela enzima metilante imidazol N-metiltransferase.

 

Os antagonistas dos receptores H1, H2 e H3 incluem mepiramina, cimetidina e tioperamida, respectivamente. Os agonistas de receptores

histamínicos H2 e H3 são, respectivamente, a dimaprita e a metil-histamina.

Os antagonistas de receptores H1 são os anti-histamínicos principais utilizados no tratamento ou prevenção da inflamação (principalmente na

inflamação alérgica como a febre do feno). Outros usos clínicos de subtipos

de antagonistas podem ser encontrados nos Capítulos 27, e 28. A

farmacologia dos receptores H 4 é menos desenvolvida, mas sugere fortemente que o receptor tenha papel significativo na resposta inflamatória.

Os eosinófilos parecem ser um alvo proeminente. Panula et al. (2015)

elaboraram uma revisão abrangente dos receptores de histamina e da sua

farmacologia.

 

AÇÕES

Efeitos no músculo liso. A ação da histamina nos receptores H1 contrai o músculo liso do íleo, dos brônquios, dos bronquíolos e do útero. O efeito no íleo dos humanos é menos acentuado do que nos porquinhos-da-índia (esse

tecido é de fato usado como a preparação padrão nos bioensaios da

histamina). A histamina reduz a falta de ar em uma primeira fase da

bronquite asmática (ver Capítulo 29), mas os antagonistas H 1 não são muito

benéficos na doença humana. É possível que os receptores H4 sejam mais importantes (Thurmond, 2015) na mediação desses efeitos resistentes à

histamina.

Efeitos cardiovasculares. A histamina exerce um efeito vasodilatador e

aumenta a permeabilidade das vênulas pós-capilares, por intermédio da

ação nos receptores H 1, sendo o efeito parcialmente dependente do endotélio em alguns leitos vasculares. Parece que esse mediador está

envolvido principalmente na regulação do sistema cardiovascular em

estados patológicos, e não fisiológicos. Hattori et al. (2017) revisaram a

área em detalhe.

Secreção gástrica. A histamina estimula a secreção do ácido gástrico

pela ação nos receptores H 2. Em termos clínicos, esta é a ação mais importante da histamina, pois está relacionada com a patogenia da doença

ulcerosa péptica. Esse assunto é abordado com detalhes no Capítulo 31.

Efeitos na pele. Quando aplicada intradermicamente, a histamina

provoca vermelhidão da pele acompanhada por um edema com um halo

vermelho vivo. Isso replica a resposta tripla de Sir Thomas Lewis há mais

de 80 anos. Vermelhidão/rubor reflete a vasodilatação das arteríolas e

esfíncteres pré-capilares, e o edema reflete o aumento da permeabilidade

das vênulas pós-capilares. Esses efeitos são majoritariamente mediados pela

ativação dos receptores H 1. O halo é um reflexo axonal: a estimulação das terminações nervosas sensitivas causa impulsos nervosos através dos ramos

comunicantes do mesmo nervo, liberando vasodilatadores como o peptídio

relacionado com o gene da calcitonina (CGRP; ver Capítulos 19 e 27). A histamina causa um prurido intenso se for injetada na pele ou aplicada

topicamente, uma vez que estimula as terminações nervosas sensitivas por

um mecanismo dependente do receptor H 1. Os antagonistas aplicados topicamente, uma vez que estimulam as terminações nervosas sensitivas por

um mecanismo dependente do receptor H1, são usados para controlar o prurido causado por reações alérgicas, picadas de insetos etc.

Embora a liberação de histamina seja manifestamente capaz de

reproduzir muitos dos sinais e sintomas inflamatórios, os antagonistas H 1 não têm muita utilidade clínica na resposta per se à inflamação aguda,

porque outros mediadores são mais importantes. A histamina é, no entanto,

importante nas reações de hipersensibilidade tipo I, como a rinite alérgica e

a urticária. Outras ações significativas da histamina na inflamação incluem

efeitos nas células B e T, que modulam a resposta imunológica adquirida

(Jutel et al., 2009). O uso de antagonistas H 1 nessas condições é discutido

no Capítulo 27. É possível que o campo em desenvolvimento da

farmacologia do receptor H4 preencha algumas lacunas significativas na nossa compreensão do papel da histamina na inflamação em um futuro

próximo (Thurmond, 2015).