Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 658 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Macrolídios

no plasma devem ser regularmente monitoradas e a dose ajustada em

conformidade.

Uma reação rara, porém grave e tóxica, é a paralisia causada por

bloqueio neuromuscular. Em geral, essa reação só ocorre se os agentes

forem administrados simultaneamente com agentes bloqueadores

neuromusculares. Resulta da inibição da recaptação do Ca2+ necessário

para a liberação de acetilcolina (ver Capítulo 14).

 

MACROLÍDIOS

O termo macrolídio está relacionado com a estrutura – um anel de lactona

ao qual se ligam um ou mais açúcares aminados. Os macrolídios principais

e os antibióticos relacionados são eritromicina, claritromicina e

azitromicina. A telitromicina tem pouca utilidade.

 

■ Mecanismo de ação

Os macrolídios inibem a síntese das proteínas bacterianas por meio do

efeito na translocação ribossômica (ver Capítulo 51; Figura 51.4). Os

fármacos ligam-se à subunidade 50S do ribossomo bacteriano tais como o

cloranfenicol e a clindamicina; qualquer um desses fármacos pode

competir se administrados ao mesmo tempo.

 

■ Espectro antimicrobiano

O espectro antimicrobiano da eritromicina é muito semelhante ao da

penicilina e é uma alternativa segura e eficiente para pacientes sensíveis à

penicilina. A eritromicina é efetiva contra bactérias e espiroquetas gram-

positivos, mas não contra microrganismos gram-negativos, exceto no caso

de N. gonorrhoeae e, em menor escala, H. influenzae. São também

suscetíveis Mycoplasma pneumoniae, Legionella spp. e alguns

microrganismos clamidiais (ver Tabela 52.1). Pode ocorrer resistência,

resultante da alteração controlada por plasmídios do local de ligação da

eritromicina no ribossomo bacteriano (ver Capítulo 51; Figura 51.4).

A azitromicina é menos ativa que a eritromicina contra bactérias gram-

positivas, porém é consideravelmente mais eficaz contra H. influenzae, e

pode ser mais ativa contra Legionella. Pode ser utilizada para tratar

Toxoplasma gondii, uma vez que elimina os cistos. A claritromicina é tão

ativa quanto a eritromicina contra H. influenzae, e seu metabólito é duas

vezes mais ativo. Também é eficaz contra Mycobacterium avium-

intracellulare (que pode infectar pacientes imunologicamente

comprometidos e pacientes idosos com doenças crônicas dos pulmões) e

útil no tratamento de hanseníase e contra Helicobacter pylori (ver Capítulo

31). Esses macrolídios são ambos eficazes na doença de Lyme.

▼ Aspectos farmacocinéticos.Os macrolídios são administrados por via

oral ou parenteral, embora as injeções intravenosas possam provocar

tromboflebites locais. Difundem-se rapidamente na maioria dos tecidos,

mas não atravessam a barreira hematencefálica, havendo fraca

penetração no líquido sinovial. A meia-vida plasmática da eritromicina

é de cerca de 90 minutos; a da claritromicina é três vezes mais longa; e

a da azitromicina é 8 a 16 vezes maior. Os macrolídios entram e, de

fato, estão concentrados nos fagócitos – as concentrações de

azitromicina nos lisossomos dos fagócitos podem ser superiores em 40

vezes às apresentadas no sangue – e podem aumentar a eliminação

intracelular das bactérias pelos fagócitos.

A eritromicina é parcialmente inativada no fígado; a azitromicina é mais

resistente à inativação, enquanto a claritromicina é convertida em um

metabólito ativo. A inibição do sistema do citocromo P450 por esses

agentes pode afetar a biodisponibilidade de outros fármacos,