Rang e Dale: Farmacologia
Considerações finais
Outro agente usado para as verrugas anogenitais é o imiquimode. Este
fármaco é um modificador imunológico também usado para o tratamento
tópico de alguns tipos de câncer de pele (p. ex., carcinoma basocelular). O
seu mecanismo de ação não é conhecido, mas pode dar-se pelo aumento dos
mecanismos de vigilância imune. Efeitos adversos incluem reações
cutâneas locais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar da variedade de preparações disponíveis para tratar doenças da pele,
existem ainda claramente lacunas terapêuticas em várias áreas (p. ex.,
rosácea). Além disso, como sempre, reduzir os efeitos adversos dos
fármacos existentes é um objetivo que poderia melhorar bastante a sua
utilidade clínica. Algumas das ideias mais interessantes surgiram da
reconsideração do desenho dos glicocorticoides, análogos da vitamina D e
especialmente dos retinoides. Todos esses fármacos atuam
predominantemente por intermédio de receptores nucleares, e o pensamento
recente sugere que a diferenciação dos mecanismos de transrepressão e
transativação de genes por estes fármacos pode ser uma meta alcançável.
De modo evidente, a perspectiva de separar os efeitos calcêmicos dos
efeitos anti-inflamatórios dos análogos da vitamina D (Tremezaygues e
Reichrath, 2011) e melhorar a seletividade dos retinoides (Orfanos et al.,
1997) são objetivos terapêuticos muito atraentes. O progresso no sentido de
separar os efeitos benéficos dos efeitos indesejáveis dos glicocorticoides já
está, aparentemente, produzindo frutos (ver Capítulo 34 para uma discussão
sobre esse assunto).
Talvez seja surpreendente que o “prurido” ainda seja um problema.
Vários novos alvos de fármacos (p. ex., antagonistas do receptor NK 1, ver
Capítulo 19) foram identificados para tratar o prurido crônico (revisado em
Benecke et al., 2013), mas ainda não chegaram ao mercado.
A procura por novos fármacos para o tratamento da psoríase e da
dermatite atópica concentra-se principalmente nas ações dos biofármacos e
no uso de outros fármacos imunomoduladores (Gniadecki e Calverley,
2002; Pastore et al., 2008; Noda et al., 2015).
REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR
Antal, A.S., Dombrowski, Y., Koglin, S., Ruzicka, T., Schauber, J., 2011. Impact of vitamin D3 on
cutaneous immunity and antimicrobial peptide expression. Dermatoendocrinol. 3, 18–22. (Este
artigo explora a ideia de que, para além do seu papel protetor, os peptídios antimicrobianos
(catelicidinas) da pele podem de fato causar algumas doenças cutâneas como a rosácea. O
artigo também sugere que a ação inibitória dos análogos da vitamina D, na produção de
catelicidinas, é um potencial mecanismo de ação desses fármacos)
Arechalde, A., Saurat, J.H., 2000. Management of psoriasis: the position of retinoid drugs. Biodrugs
13, 327–333. (Discute a ação terapêutica dos retinoides, especialmente o tazaroteno, e conclui
que o mecanismo de ação não é exclusivamente por meio da sua ligação aos receptores RXR e
RAR)
Basavaraj, K.H., Ashok, N.M., Rashmi, R., Praveen, T.K., 2010. The role of drugs in the induction
and/or exacerbation of psoriasis. Int. J. Dermatol. 49, 1351–1361. (Este título explica-se por si
mesmo. Também explora os mecanismos por meio dos quais os fármacos provocam a doença)
Benecke, H., Lotts, T., Stander, S., 2013. Investigational drugs for pruritus. Expert Opin. Investig.
Drugs 22, 1167–1179. (Poderá ser lido em conjunto com o artigo de Ikoma et al. – a seguir)
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Dermatol. 96, 503–509.
Castela, E., Archier, E., Devaux, S., et al., 2012. Topical corticosteroids in plaque psoriasis: a
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Venereol. 26 (Suppl. 3), 47–51. (Revisão sistemática da literatura na área de análise de dados de
vários estudos)
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in psoriasis. Arch. Dermatol. 121, 63–67.
Di Filippo, P., Scaparrotta, A., Rapino, D., et al., 2015. Vitamin D supplementation modulates the
immune system and improves atopic dermatitis in children. Int. Arch. Allergy Immunol. 166, 91–
96. (O título é autoexplicativo, mas esse artigo também explica como a vitamina D altera o
sistema imunológico. Fácil de ler)
Fisher, G.J., Voorhees, J.J., 1996. Molecular mechanisms of retinoid actions in skin. FASEB J. 10,
1002–1013. (Revisão de fácil leitura da ação retinoide na pele, bem como discussão de modelos
in vitro e in vivo da ação retinoide)
Gniadecki, R., Calverley, M.J., 2002. Emerging drugs in psoriasis. Expert Opin. Emerg. Drugs 7, 69–
90. (Lida principalmente com os fármacos biológicos e anticitotinas como potenciais novas
terapias)
Greaves, M.W., Khalifa, N., 2004. Itch: more than skin deep. Int. Arch. Allergy Immunol. 135, 166–
172.
Ikoma, A., Steinhoff, M., Stander, S., Yosipovitch, G., Schmelz, M., 2006. The neurobiology of itch.
Nat. Rev. Neurosci. 7, 535–547. (Revisão das vias neurais e mediadores locais do prurido e
coceira. Diagramas excelentes. Altamente recomendado)
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Drugs 14, 649–659.
Klinge, S.A., Sawyer, G.A., 2013. Effectiveness and safety of topical versus oral nonsteroidal anti-
inflammatory drugs: a comprehensive review. Phys. Sportsmed. 41, 64–74.
Naldi, L., Raho, G., 2009. Emerging drugs for psoriasis. Expert Opin. Emerg. Drugs 14, 145–163. Napoli, J.L., 2017. Cellular retinoid binding-proteins, CRBP, CRABP, FABP5: Effects on retinoid
metabolism, function and related diseases. Pharmacol. Ther. 173, 19–33. (Revisão interessante
sobre o papel das proteínas de ligação intracelular na ação dos retinoides. Vale a pena ler se
quiser se aprofundar no tema)
Noda, S., Krueger, J.G., Guttman-Yassky, E., 2015. The translational revolution and use of biologics
in patients with inflammatory skin diseases. J. Allergy Clin. Immunol. 135, 324–336. (Revisão
útil da utilização de produtos biológicos em doenças da pele com foco na psoríase e na dermatite
atópica. Apresenta alguns diagramas úteis. A imunologia é, de alguma forma, muito enaltecida)
Nolan, K.A., Marmur, E.S., 2012. Over-the-counter topical skincare products: a review of the
literature. J. Drugs Dermatol. 11, 220–224.
Orfanos, C.E., Zouboulis, C.C., Almond-Roesler, B., Geilen, C.C., 1997. Current use and future
potential role of retinoids in dermatology. Drugs 53, 358–388.
Pastore, S., Gubinelli, E., Leoni, L., Raskovic, D., Korkina, L., 2008. Biological drugs targeting the
immune response in the therapy of psoriasis. Biologics 2, 687–697.
Reis, C.P., Rijo, P., Pereira, P., Antunes, A.F., 2017. Nanosystems for skin delivery: from drugs to
cosmetics. Curr. Drug Metab. 18, 412–425.
Ritter, J.M., 2012. Drugs and the skin: psoriasis. Br. J. Clin. Pharmacol. 74, 393–395. (Introdução
sucinta e facilmente legível ao tratamento da psoríase, com enfoque no papel das citocinas no
mecanismo da doença e a utilidade dos novos biológicos. Bom diagrama. Altamente
recomendado)
Roelofzen, J.H., Aben, K.K., Oldenhof, U.T., et al., 2010. No increased risk of cancer after coal tar
treatment in patients with psoriasis or eczema. J. Invest. Dermatol. 130, 953–961.
Schoepe, S., Schacke, H., May, E., Asadullah, K., 2006. Glucocorticoid therapy-induced skin
atrophy. Exp. Dermatol. 15, 406–420. (Boa revisão sobre um dos principais efeitos adversos da
terapia com glicocorticoides para doenças da pele, juntamente com uma discussão acerca de
como este pode ser minimizado)
Tan, X., Feldman, S.R., Chang, J., Balkrishnan, R., 2012. Topical drug delivery systems in
dermatology: a review of patient adherence issues. Expert Opin. Drug Deliv. 9, 1263–1271.
Tiberio, R., Bozzo, C., Pertusi, G., et al., 2009. Calcipotriol induces apoptosis in psoriatic
keratinocytes. Clin. Exp. Dermatol. 34, 972–974.
Tremezaygues, L., Reichrath, J., 2011. Vitamin D analogs in the treatment of psoriasis: Where are we
standing and where will we be going? Dermatoendocrinol. 3, 180–186. (Um apontamento muito
útil sobre a biossíntese e o papel da vitamina D e a ação dos seus análogos na regulação da
inflamação da pele. Recomendado)
Trochoutsou, A.I., Kloukina, V., Samitas, K., Xanthou, G., 2015. Vitamin-D in the immune system:
genomic and non-genomic actions. Mini Rev. Med. Chem. 15, 953–963.
Williams, S.C., 2012. New biologic drugs get under the skin of psoriasis. Nat. Med. 18, 638. (Uma
página. Pequeno apontamento sobre os mais recentes candidatos a biológicos a serem usados no
tratamento da psoríase)
Yamasaki, K., Gallo, R.L., 2011. Rosacea as a disease of cathelicidins and skin innate immunity. J.
Investig. Dermatol. Symp. Proc. 15, 12–15. (Poderá ser lido em conjunto com o artigo de Antal
et al. – acima)
Yin, S., Luo, J., Qian, A., et al., 2013. Retinoids activate the irritant receptor TRPV1 and produce
sensory hypersensitivity. J. Clin. Invest. 123, 3941–3951.
____________
1 Conforme o humorista e compositor americano Allan Sherman tão
sucintamente diss: “A pele é aquilo que se tiver por fora/Mantém o interior
por dentro”.
2 As células dendríticas foram nomeadas por Paul Langerhans, que as
descobriu enquanto era estudante de medicina em 1868. Por causa de sua
forma, ele as confundiu com células nervosas, mas, na verdade, são células
imunes fagocíticas da linhagem de monócitos/macrófagos que apresentam
antígenos.
3 No entanto, o número de homens que sofrem desta patologia aumentou
devido à popularidade dos piercings. Se a pessoa for vaidosa, é melhor usar
bijuteria de alta qualidade sem níquel.
4 Não confundir com miliária (brotoeja), que é causada pela obstrução das
glândulas sudoríparas.
5 Essa interessante observação foi usada por Cornell e Stoughton, em 1985,
como a base para o primeiro ensaio quantitativo da potência dos
glicocorticoides no homem.
Capítulo 28
28.1 TEMA
A pele é um órgão abundante e complexo. O conhecimento de sua estrutura e
função é fundamental para compreender diversos estados patológicos e seu
potencial terapêutico como local de ação e absorção de fármacos.
Qual das seguintes a rmativas sobre a função siológica da pele é correta?
A. As células écrinas secretam suor sob controle colinérgico
B. Os linfócitos epiteliais constituem as células imunes fundamentais na proteção contra
microrganismos invasores
C. O colecalciferol é sintetizado no estrato córneo pela ação da irradiação ultravioleta B
(UVB)
D. Os corpúsculos de Meissner detectam a pressão exercida sobre a pele
E. A inervação parassimpática regula a vasodilatação arteriolar e a perda de calor
Resposta A As células écrinas secretam suor sob controle colinérgico.
As glândulas sudoríferas (écrinas) são controladas por inervação colinérgica.
Alternativa B incorreta: Tipos de células dendríticas, denominadas células de
Langerhans, constituem os principais mediadores celulares da vigilância imunológica.
Alternativa C incorreta: O colecalciferol é sintetizado no estrato basal e estrato
espinhoso pela ação da UVB.
Alternativa D incorreta: A pressão é detectada pelos corpúsculos de Paccini.
Alternativa E incorreta: O sistema nervoso simpático controla a termorregulação da
pele.
Concluir questão
28.2 TEMA
Devido à função da pele como barreira protetora física, a perda na integridade
da estrutura da pele pode resultar em diversas condições patológicas, em
virtude de perda da umidade e de entrada de microrganismos.
A psoríase pode ser diferenciada de outras doenças da pele por meio de qual
das seguintes características?
A. Pápulas e elevações
B. Hiperemia crônica
C. Aparecimento em superfícies exoras
D. Prurido
E. Hiperproliferação dos queratinócitos
Resposta A São mais características da urticária. A psoríase apresenta placas
descamativas.
Alternativa B incorreta: Característica da rosácea.
Alternativa C incorreta: Característica do eczema atrás dos joelhos e cotovelos. A
psoríase ocorre mais comumente nas superfícies extensoras.
Alternativa D incorreta: Frequentemente presente, porém não tão predominante
quanto no eczema.
Alternativa E incorreta: Hiperproliferação de queratinócitos.
A hiperproliferação dos queratinócitos é acompanhada de in amação e acúmulo de pele
morta descamativa.
Concluir questão
28.3 TEMA
Foi também demonstrada a importância das vitaminas A e D na manutenção
da siologia e função da pele. Por conseguinte, alterações nos níveis dessas
vitaminas podem resultar em distúrbios patológicos.
Qual das seguintes a rmativas sobre as vitaminas A e D relacionadas com a
função da pele é incorreta?
A. A vitamina D 3 é sintetizada na pele a partir da luz solar
B. A vitamina A proveniente da alimentação é convertida em ácido retinoico
C. A vitamina A e seus análogos promovem proliferação dos queratinócitos e ativação dos
leucócitos
D. Os retinoides ligam-se a receptores nucleares para regular a transcrição gênica,
diminuindo a secreção das glândulas sebáceas e a produção de sebo
E. A vitamina D atua para diminuir a proliferação dos queratinócitos e inibir a ativação das
células T
Resposta A O colecalciferol (vitamina D 3) é sintetizado na pele, na presença de luz solar.
Alternativa B incorreta: A vitamina A da alimentação é convertida em retinol no
intestino e, em seguida, pode sofrer oxidação irreversível a ácido retinoico.
Alternativa C incorreta: A vitamina A e seus análogos promovem proliferação dos
queratinócitos e ativação dos leucócitos.
A isotretinoína, um análogo retinoide da vitamina A, promove a diferenciação dos
queratinócitos, diminuindo, assim, o crescimento e a divisão celulares e a ativação dos
leucócitos, reduzindo a in amação.
Alternativa D incorreta: A vitamina A, por meio de sua ligação aos receptores
intracelulares, atua como fator de transcrição para regular a transcrição gênica. As
proteínas expressas atuam para reduzir a secreção glandular.
Alternativa E incorreta: À semelhança da vitamina A, a vitamina D também exerce
efeitos antiproliferativos e anti-in amatórios sobre a pele.
Concluir questão
28.4 TEMA
As preparações de glicocorticoides de uso tópico são frequentemente utilizadas
no tratamento de condições in amatórias da pele.
Qual das seguintes a rmativas sobre o seu uso clínico é correta?
A. A aplicação tópica pode causar vasodilatação e rubor
B. A interrupção rápida da terapia com esteroides pode causar hipersensibilidade aos
glicocorticoides endógenos
C. O butirato de hidrocortisona é preferido à hidrocortisona padrão para o tratamento da
psoríase
D. As preparações são frequentemente formuladas em soluções aquosas para aumentar a
hidratação da pele
E. Os efeitos imunossupressores dos glicocorticoides são úteis no tratamento da acne
Resposta A A aplicação tópica pode causar vasoconstrição e branqueamento, embora o
mecanismo envolvido não seja conhecido.
Alternativa B incorreta: A terapia com esteroides tópicos pode causar supressão da
liberação de glicocorticoides endógenos. Por conseguinte, a rápida interrupção desses
fármacos pode causar rebote agressivo da doença.
Alternativa C incorreta: O butirato de hidrocortisona é preferido à hidrocortisona
padrão para o tratamento da psoríase.
A esteri cação com butirato aumenta a hidrofobicidade e, portanto, a potência da
formulação.
Alternativa D incorreta: A absorção do fármaco através da pele é mais efetiva se for
de natureza hidrofóbica, de modo que os glicocorticoides são frequentemente derivados
a ésteres de ácidos graxos para ajudar a absorção.
Alternativa E incorreta: Por serem de natureza imunossupressora, os glicocorticoides
estão contraindicados para a acne na presença de infecção concomitante.
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