Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 342 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Considerações finais

Outro agente usado para as verrugas anogenitais é o imiquimode. Este

fármaco é um modificador imunológico também usado para o tratamento

tópico de alguns tipos de câncer de pele (p. ex., carcinoma basocelular). O

seu mecanismo de ação não é conhecido, mas pode dar-se pelo aumento dos

mecanismos de vigilância imune. Efeitos adversos incluem reações

cutâneas locais.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar da variedade de preparações disponíveis para tratar doenças da pele,

existem ainda claramente lacunas terapêuticas em várias áreas (p. ex.,

rosácea). Além disso, como sempre, reduzir os efeitos adversos dos

fármacos existentes é um objetivo que poderia melhorar bastante a sua

utilidade clínica. Algumas das ideias mais interessantes surgiram da

reconsideração do desenho dos glicocorticoides, análogos da vitamina D e

especialmente dos retinoides. Todos esses fármacos atuam

predominantemente por intermédio de receptores nucleares, e o pensamento

recente sugere que a diferenciação dos mecanismos de transrepressão e

transativação de genes por estes fármacos pode ser uma meta alcançável.

De modo evidente, a perspectiva de separar os efeitos calcêmicos dos

efeitos anti-inflamatórios dos análogos da vitamina D (Tremezaygues e

Reichrath, 2011) e melhorar a seletividade dos retinoides (Orfanos et al.,

1997) são objetivos terapêuticos muito atraentes. O progresso no sentido de

separar os efeitos benéficos dos efeitos indesejáveis dos glicocorticoides já

está, aparentemente, produzindo frutos (ver Capítulo 34 para uma discussão

sobre esse assunto).

Talvez seja surpreendente que o “prurido” ainda seja um problema.

Vários novos alvos de fármacos (p. ex., antagonistas do receptor NK 1, ver

Capítulo 19) foram identificados para tratar o prurido crônico (revisado em

Benecke et al., 2013), mas ainda não chegaram ao mercado.

A procura por novos fármacos para o tratamento da psoríase e da

dermatite atópica concentra-se principalmente nas ações dos biofármacos e

no uso de outros fármacos imunomoduladores (Gniadecki e Calverley,

2002; Pastore et al., 2008; Noda et al., 2015).

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

Antal, A.S., Dombrowski, Y., Koglin, S., Ruzicka, T., Schauber, J., 2011. Impact of vitamin D3 on

cutaneous immunity and antimicrobial peptide expression. Dermatoendocrinol. 3, 18–22. (Este

artigo explora a ideia de que, para além do seu papel protetor, os peptídios antimicrobianos

(catelicidinas) da pele podem de fato causar algumas doenças cutâneas como a rosácea. O

artigo também sugere que a ação inibitória dos análogos da vitamina D, na produção de

catelicidinas, é um potencial mecanismo de ação desses fármacos)

Arechalde, A., Saurat, J.H., 2000. Management of psoriasis: the position of retinoid drugs. Biodrugs

13, 327–333. (Discute a ação terapêutica dos retinoides, especialmente o tazaroteno, e conclui

que o mecanismo de ação não é exclusivamente por meio da sua ligação aos receptores RXR e

RAR)

Basavaraj, K.H., Ashok, N.M., Rashmi, R., Praveen, T.K., 2010. The role of drugs in the induction

and/or exacerbation of psoriasis. Int. J. Dermatol. 49, 1351–1361. (Este título explica-se por si

mesmo. Também explora os mecanismos por meio dos quais os fármacos provocam a doença)

Benecke, H., Lotts, T., Stander, S., 2013. Investigational drugs for pruritus. Expert Opin. Investig.

Drugs 22, 1167–1179. (Poderá ser lido em conjunto com o artigo de Ikoma et al. – a seguir)

Bergstresser, P.R., Taylor, J.R., 1977. Epidermal ‘turnover time’ – a new examination. Br. J.

Dermatol. 96, 503–509.

Castela, E., Archier, E., Devaux, S., et al., 2012. Topical corticosteroids in plaque psoriasis: a

systematic review of risk of adrenal axis suppression and skin atrophy. J. Eur. Acad. Dermatol.

Venereol. 26 (Suppl. 3), 47–51. (Revisão sistemática da literatura na área de análise de dados de

vários estudos)

Cornell, R.C., Stoughton, R.B., 1985. Correlation of the vasoconstriction assay and clinical activity

in psoriasis. Arch. Dermatol. 121, 63–67.

Di Filippo, P., Scaparrotta, A., Rapino, D., et al., 2015. Vitamin D supplementation modulates the

immune system and improves atopic dermatitis in children. Int. Arch. Allergy Immunol. 166, 91–

96. (O título é autoexplicativo, mas esse artigo também explica como a vitamina D altera o

sistema imunológico. Fácil de ler)

Fisher, G.J., Voorhees, J.J., 1996. Molecular mechanisms of retinoid actions in skin. FASEB J. 10,

1002–1013. (Revisão de fácil leitura da ação retinoide na pele, bem como discussão de modelos

in vitro e in vivo da ação retinoide)

Gniadecki, R., Calverley, M.J., 2002. Emerging drugs in psoriasis. Expert Opin. Emerg. Drugs 7, 69–

90. (Lida principalmente com os fármacos biológicos e anticitotinas como potenciais novas

terapias)

Greaves, M.W., Khalifa, N., 2004. Itch: more than skin deep. Int. Arch. Allergy Immunol. 135, 166–

172.

Ikoma, A., Steinhoff, M., Stander, S., Yosipovitch, G., Schmelz, M., 2006. The neurobiology of itch.

Nat. Rev. Neurosci. 7, 535–547. (Revisão das vias neurais e mediadores locais do prurido e

coceira. Diagramas excelentes. Altamente recomendado)

James, K.A., Burkhart, C.N., Morrell, D.S., 2009. Emerging drugs for acne. Expert Opin. Emerg.

Drugs 14, 649–659.

Klinge, S.A., Sawyer, G.A., 2013. Effectiveness and safety of topical versus oral nonsteroidal anti-

inflammatory drugs: a comprehensive review. Phys. Sportsmed. 41, 64–74.

Naldi, L., Raho, G., 2009. Emerging drugs for psoriasis. Expert Opin. Emerg. Drugs 14, 145–163. Napoli, J.L., 2017. Cellular retinoid binding-proteins, CRBP, CRABP, FABP5: Effects on retinoid

metabolism, function and related diseases. Pharmacol. Ther. 173, 19–33. (Revisão interessante

sobre o papel das proteínas de ligação intracelular na ação dos retinoides. Vale a pena ler se

quiser se aprofundar no tema)

Noda, S., Krueger, J.G., Guttman-Yassky, E., 2015. The translational revolution and use of biologics

in patients with inflammatory skin diseases. J. Allergy Clin. Immunol. 135, 324–336. (Revisão

útil da utilização de produtos biológicos em doenças da pele com foco na psoríase e na dermatite

atópica. Apresenta alguns diagramas úteis. A imunologia é, de alguma forma, muito enaltecida)

Nolan, K.A., Marmur, E.S., 2012. Over-the-counter topical skincare products: a review of the

literature. J. Drugs Dermatol. 11, 220–224.

Orfanos, C.E., Zouboulis, C.C., Almond-Roesler, B., Geilen, C.C., 1997. Current use and future

potential role of retinoids in dermatology. Drugs 53, 358–388.

Pastore, S., Gubinelli, E., Leoni, L., Raskovic, D., Korkina, L., 2008. Biological drugs targeting the

immune response in the therapy of psoriasis. Biologics 2, 687–697.

Reis, C.P., Rijo, P., Pereira, P., Antunes, A.F., 2017. Nanosystems for skin delivery: from drugs to

cosmetics. Curr. Drug Metab. 18, 412–425.

Ritter, J.M., 2012. Drugs and the skin: psoriasis. Br. J. Clin. Pharmacol. 74, 393–395. (Introdução

sucinta e facilmente legível ao tratamento da psoríase, com enfoque no papel das citocinas no

mecanismo da doença e a utilidade dos novos biológicos. Bom diagrama. Altamente

recomendado)

Roelofzen, J.H., Aben, K.K., Oldenhof, U.T., et al., 2010. No increased risk of cancer after coal tar

treatment in patients with psoriasis or eczema. J. Invest. Dermatol. 130, 953–961.

Schoepe, S., Schacke, H., May, E., Asadullah, K., 2006. Glucocorticoid therapy-induced skin

atrophy. Exp. Dermatol. 15, 406–420. (Boa revisão sobre um dos principais efeitos adversos da

terapia com glicocorticoides para doenças da pele, juntamente com uma discussão acerca de

como este pode ser minimizado)

Tan, X., Feldman, S.R., Chang, J., Balkrishnan, R., 2012. Topical drug delivery systems in

dermatology: a review of patient adherence issues. Expert Opin. Drug Deliv. 9, 1263–1271.

Tiberio, R., Bozzo, C., Pertusi, G., et al., 2009. Calcipotriol induces apoptosis in psoriatic

keratinocytes. Clin. Exp. Dermatol. 34, 972–974.

Tremezaygues, L., Reichrath, J., 2011. Vitamin D analogs in the treatment of psoriasis: Where are we

standing and where will we be going? Dermatoendocrinol. 3, 180–186. (Um apontamento muito

útil sobre a biossíntese e o papel da vitamina D e a ação dos seus análogos na regulação da

inflamação da pele. Recomendado)

Trochoutsou, A.I., Kloukina, V., Samitas, K., Xanthou, G., 2015. Vitamin-D in the immune system:

genomic and non-genomic actions. Mini Rev. Med. Chem. 15, 953–963.

Williams, S.C., 2012. New biologic drugs get under the skin of psoriasis. Nat. Med. 18, 638. (Uma

página. Pequeno apontamento sobre os mais recentes candidatos a biológicos a serem usados no

tratamento da psoríase)

Yamasaki, K., Gallo, R.L., 2011. Rosacea as a disease of cathelicidins and skin innate immunity. J.

Investig. Dermatol. Symp. Proc. 15, 12–15. (Poderá ser lido em conjunto com o artigo de Antal

et al. – acima)

Yin, S., Luo, J., Qian, A., et al., 2013. Retinoids activate the irritant receptor TRPV1 and produce

sensory hypersensitivity. J. Clin. Invest. 123, 3941–3951.

____________

1 Conforme o humorista e compositor americano Allan Sherman tão

sucintamente diss: “A pele é aquilo que se tiver por fora/Mantém o interior

por dentro”.

2 As células dendríticas foram nomeadas por Paul Langerhans, que as

descobriu enquanto era estudante de medicina em 1868. Por causa de sua

forma, ele as confundiu com células nervosas, mas, na verdade, são células

imunes fagocíticas da linhagem de monócitos/macrófagos que apresentam

antígenos.

3 No entanto, o número de homens que sofrem desta patologia aumentou

devido à popularidade dos piercings. Se a pessoa for vaidosa, é melhor usar

bijuteria de alta qualidade sem níquel.

4 Não confundir com miliária (brotoeja), que é causada pela obstrução das

glândulas sudoríparas.

5 Essa interessante observação foi usada por Cornell e Stoughton, em 1985,

como a base para o primeiro ensaio quantitativo da potência dos

glicocorticoides no homem.

Capítulo 28

 

28.1 TEMA

A pele é um órgão abundante e complexo. O conhecimento de sua estrutura e

função é fundamental para compreender diversos estados patológicos e seu

potencial terapêutico como local de ação e absorção de fármacos.

Qual das seguintes a rmativas sobre a função siológica da pele é correta?

 

A. As células écrinas secretam suor sob controle colinérgico

B. Os linfócitos epiteliais constituem as células imunes fundamentais na proteção contra

microrganismos invasores

C. O colecalciferol é sintetizado no estrato córneo pela ação da irradiação ultravioleta B

(UVB)

 

D. Os corpúsculos de Meissner detectam a pressão exercida sobre a pele

 

E. A inervação parassimpática regula a vasodilatação arteriolar e a perda de calor

 

Resposta A As células écrinas secretam suor sob controle colinérgico.

As glândulas sudoríferas (écrinas) são controladas por inervação colinérgica.

Alternativa B incorreta: Tipos de células dendríticas, denominadas células de

Langerhans, constituem os principais mediadores celulares da vigilância imunológica.

Alternativa C incorreta: O colecalciferol é sintetizado no estrato basal e estrato

espinhoso pela ação da UVB.

Alternativa D incorreta: A pressão é detectada pelos corpúsculos de Paccini.

Alternativa E incorreta: O sistema nervoso simpático controla a termorregulação da

pele.

 

Concluir questão

 

28.2 TEMA

Devido à função da pele como barreira protetora física, a perda na integridade

da estrutura da pele pode resultar em diversas condições patológicas, em

virtude de perda da umidade e de entrada de microrganismos.

A psoríase pode ser diferenciada de outras doenças da pele por meio de qual

das seguintes características?

 

A. Pápulas e elevações

 

B. Hiperemia crônica

 

C. Aparecimento em superfícies exoras

 

D. Prurido

 

E. Hiperproliferação dos queratinócitos

 

Resposta A São mais características da urticária. A psoríase apresenta placas

descamativas.

Alternativa B incorreta: Característica da rosácea.

Alternativa C incorreta: Característica do eczema atrás dos joelhos e cotovelos. A

psoríase ocorre mais comumente nas superfícies extensoras.

Alternativa D incorreta: Frequentemente presente, porém não tão predominante

quanto no eczema.

Alternativa E incorreta: Hiperproliferação de queratinócitos.

A hiperproliferação dos queratinócitos é acompanhada de in amação e acúmulo de pele

morta descamativa.

 

Concluir questão

 

28.3 TEMA

Foi também demonstrada a importância das vitaminas A e D na manutenção

da siologia e função da pele. Por conseguinte, alterações nos níveis dessas

vitaminas podem resultar em distúrbios patológicos.

Qual das seguintes a rmativas sobre as vitaminas A e D relacionadas com a

função da pele é incorreta?

 

A. A vitamina D 3 é sintetizada na pele a partir da luz solar

 

B. A vitamina A proveniente da alimentação é convertida em ácido retinoico

C. A vitamina A e seus análogos promovem proliferação dos queratinócitos e ativação dos

leucócitos

D. Os retinoides ligam-se a receptores nucleares para regular a transcrição gênica,

diminuindo a secreção das glândulas sebáceas e a produção de sebo

 

E. A vitamina D atua para diminuir a proliferação dos queratinócitos e inibir a ativação das

células T

 

Resposta A O colecalciferol (vitamina D 3) é sintetizado na pele, na presença de luz solar.

Alternativa B incorreta: A vitamina A da alimentação é convertida em retinol no

intestino e, em seguida, pode sofrer oxidação irreversível a ácido retinoico.

Alternativa C incorreta: A vitamina A e seus análogos promovem proliferação dos

queratinócitos e ativação dos leucócitos.

A isotretinoína, um análogo retinoide da vitamina A, promove a diferenciação dos

queratinócitos, diminuindo, assim, o crescimento e a divisão celulares e a ativação dos

leucócitos, reduzindo a in amação.

Alternativa D incorreta: A vitamina A, por meio de sua ligação aos receptores

intracelulares, atua como fator de transcrição para regular a transcrição gênica. As

proteínas expressas atuam para reduzir a secreção glandular.

Alternativa E incorreta: À semelhança da vitamina A, a vitamina D também exerce

efeitos antiproliferativos e anti-in amatórios sobre a pele.

 

Concluir questão

 

28.4 TEMA

As preparações de glicocorticoides de uso tópico são frequentemente utilizadas

no tratamento de condições in amatórias da pele.

Qual das seguintes a rmativas sobre o seu uso clínico é correta?

 

A. A aplicação tópica pode causar vasodilatação e rubor

B. A interrupção rápida da terapia com esteroides pode causar hipersensibilidade aos

glicocorticoides endógenos

C. O butirato de hidrocortisona é preferido à hidrocortisona padrão para o tratamento da

psoríase

D. As preparações são frequentemente formuladas em soluções aquosas para aumentar a

hidratação da pele

 

E. Os efeitos imunossupressores dos glicocorticoides são úteis no tratamento da acne

 

Resposta A A aplicação tópica pode causar vasoconstrição e branqueamento, embora o

mecanismo envolvido não seja conhecido.

Alternativa B incorreta: A terapia com esteroides tópicos pode causar supressão da

liberação de glicocorticoides endógenos. Por conseguinte, a rápida interrupção desses

fármacos pode causar rebote agressivo da doença.

Alternativa C incorreta: O butirato de hidrocortisona é preferido à hidrocortisona

padrão para o tratamento da psoríase.

A esteri cação com butirato aumenta a hidrofobicidade e, portanto, a potência da

formulação.

Alternativa D incorreta: A absorção do fármaco através da pele é mais efetiva se for

de natureza hidrofóbica, de modo que os glicocorticoides são frequentemente derivados

a ésteres de ácidos graxos para ajudar a absorção.

Alternativa E incorreta: Por serem de natureza imunossupressora, os glicocorticoides

estão contraindicados para a acne na presença de infecção concomitante.

 

Concluir questão

 

OceanofPDF.com