Rang e Dale: Farmacologia
Sistema parassimpático
Figura 22.7 Regulação autônoma do batimento cardíaco. A e B. Efeitos da estimulação simpática e da norepinefrina (NE). C e D. Efeitos da estimulação parassimpática e da acetilcolina (ACh). A estimulação simpática (A) aumenta a inclinação do potencial de marca-passo e a frequência cardíaca, enquanto a estimulação parassimpática (C) abole o potencial de marca-passo, hiperpolariza a membrana e para, temporariamente, o coração (seio venoso de rã). A NE (B) prolonga o potencial de ação, enquanto a ACh (D) o abrevia (átrio de rã). (A e C, de Hutter, O.F., Trautwein, W., 1956. J. Gen. Physiol. 39, 715; B, de Reuter, H., 1974. J. Physiol. 242, 429; D, de Giles, W.R., Noble, S.J., 1976. J. Physiol. 261, 103.)
SISTEMA PARASSIMPÁTICO
A atividade parassimpática produz efeitos que são, em geral, opostos aos da
ativação simpática. No entanto, contrastando com a atividade simpática, a
divisão parassimpática do sistema nervoso tem pouco efeito sobre a
contratilidade; seus efeitos principais são sobre a frequência e o ritmo, ou
seja:
• Diminuição da frequência cardíaca e redução do automatismo • Inibição da condução AV.
▼ Esses efeitos resultam da ocupação de receptores muscarínicos (M2)
da acetilcolina, que são abundantes em tecido nodal e atrial, mas
esparsos nos ventrículos. Esses receptores são acoplados, negativamente
à adenilato ciclase e, deste modo, reduzem a formação de cAMP,
atuando para inibir a abertura dos canais de Ca2+ tipo L e reduzir a
corrente lenta de Ca2+, em oposição aos receptores β 1-adrenérgicos. Os
receptores M2 também abrem um tipo de canal de K+ conhecido como
GIRK (canal de potássio retificador de entrada associado à proteína G)
por meio da produção de subunidades G β/γ (ver Capítulo 3). O
resultante aumento da permeabilidade ao K+ produz uma corrente
hiperpolarizante que se opõe à corrente de entrada de marca-passo,
tornando o coração mais lento e reduzindo o automatismo (ver Figura
22.7C). A atividade vagal em geral aumenta durante o IAM, estando
vinculada tanto à estimulação vagal aferente como ao efeito colateral
dos opioides usados no controle da dor; além disso, os efeitos
parassimpáticos são importantes na predisposição a arritmias agudas.
A estimulação vagal diminui a força de contração dos átrios, em
associação com o acentuado encurtamento do potencial de ação (ver
Figura 22.7D). O aumento da permeabilidade ao K+ e a redução da
corrente de Ca2+ contribuem, ambos, para o bloqueio de condução no nó
AV, em que a propagação depende da corrente de Ca2+. O potencial de
ação atrial mais curto reduz o período refratário, o que pode levar a
arritmias reentrantes. Os vasos coronarianos não possuem inervação
colinérgica; consequentemente, a divisão parassimpática do sistema
nervoso tem pouco efeito sobre o tônus das artérias coronárias (ver
Capítulo 14).
Figura 22.8 Efeitos da isquemia do miocárdio. Esta leva à morte celular por uma dentre duas vias: necrose ou apoptose. IECA, inibidor da enzima conversora de angiotensina; ARB, antagonista do receptor AT da angiotensina; ECI, enzima conversora 1 da interleucina-1; PARP, poli-[ADP-ribose]-polimerase; TNF-α, fator de necrose tumoral alfa.