Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 472 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Metabolismo e liberação dos aminoácidos excitatórios

farmacológicos. Com relação ao desenvolvimento de novos fármacos,

muitos compostos novos e promissores que interagem com os AAE

começaram a ser desenvolvidos para o tratamento de uma grande

variedade de perturbações psiquiátricas e neurológicas, mas sem

sucesso devido à falta de eficácia ou a efeitos adversos, e apenas alguns

fármacos1 têm uso clínico. Este setor ainda tem de demonstrar maior

impacto na terapia. O principal problema é o fato de a neurotransmissão

mediada por AAE ser onipresente no cérebro e, desse modo, os

fármacos agonistas e antagonistas exercem efeitos em vários locais,

dando origem não só a efeitos terapêuticos benéficos, mas também a

outros efeitos indesejáveis e prejudiciais.

 

METABOLISMO E LIBERAÇÃO DOS AMINOÁCIDOS EXCITATÓRIOS

O glutamato está distribuído amplamente e de forma bastante uniforme no

SNC, em que sua concentração é muito mais elevada que em outros tecidos.

Ele tem importante papel metabólico, com os compartimentos metabólico e

neurotransmissor sendo ligados pelas enzimas transaminases, que catalisam

a interconversão de glutamato e α-cetoglutarato (Figura 39.1). O glutamato

no SNC deriva principalmente ou da glicose, por intermédio do ciclo de

Krebs, ou da glutamina, que é sintetizada pelas células gliais e captada

pelos neurônios; muito pouco vem da periferia. A interconexão das vias

para síntese dos AAE com os aminoácidos inibitórios (GABA e glicina),

mostrada na Figura 39.1, torna difícil o uso de manipulações experimentais

da síntese do transmissor para estudar o papel funcional dos aminoácidos

individualmente, porque qualquer alteração de qualquer um dos passos

afetará tanto os mediadores excitatórios quanto os inibitórios.

Em comum com outros neurotransmissores rápidos, o glutamato é

armazenado em vesículas sinápticas e liberado por exocitose dependente de

Ca2+; proteínas transportadoras específicas respondem por sua captação

pelos neurônios e por outras células, bem como por seu acúmulo nas

vesículas sinápticas (ver Capítulo 13). O glutamato liberado é encaminhado

para os terminais nervosos e para os astrócitos vizinhos (Figura 39.2), por

meio dos transportadores dependentes de Na+/H+/K+ (ver transportadores

das monoaminas – Capítulos 13 e 14), e transportado para as vesículas

sinápticas por um transportador diferente conduzido pelo gradiente de

prótons através da membrana. Vários transportadores de AAE foram

clonados e caracterizados detalhadamente (Jensen et al., 2015). O

transporte de glutamato pode, em algumas circunstâncias (p. ex.,

despolarização pelo aumento da [K+] extracelular), operar em reverso e

constituir fonte de liberação de glutamato, processo que pode ocorrer em

situações patológicas, como a isquemia cerebral (ver Capítulo 41). O

glutamato captado pelos astrócitos é convertido em glutamina e reciclado,

por intermédio de transportadores, de volta aos neurônios, que convertem a

glutamina novamente em glutamato (ver Figura 39.2). A glutamina, que

carece da atividade farmacológica do glutamato, serve, assim, como fonte

de transmissor inativo sob o controle regulador dos astrócitos, que agem

como “glândulas”, retornando a munição em forma inócua para reabastecer

os neurônios.

Figura 39.1 Metabolismo dos aminoácidos transmissores no cérebro. As

 

substâncias transmissoras estão nos retângulos verdes. GABA-T, GABA transaminase; DAG, descarboxilase do ácido glutâmico.