Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 40 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Seletividade iônica

Em geral, os canais são seletivos para cátions ou ânions. Canais cátions-

seletivos podem ser seletivos para Na+, Ca2+ ou K+, ou não seletivos e

permeáveis a todos os três. Os canais de ânions são principalmente

permeáveis a Cl–, embora também existam outros tipos. O efeito da

modulação dos canais iônicos sobre a função celular é discutido no Capítulo

4.

 

MECANISMO DE COMPORTA

 

Canais controlados por voltagem

Estes canais se abrem quando a membrana celular é despolarizada.19 Eles

formam um grupo muito importante, visto que constituem a base do

mecanismo de excitabilidade da membrana (ver Capítulo 4). Os canais mais

importantes nesse grupo são os canais seletivos para sódio, potássio ou

cálcio.

Em geral, a abertura (ativação) do canal induzida pela despolarização da

membrana é de curta duração, mesmo quando a despolarização é mantida.

Isso se deve ao fato de que, em alguns canais, a ativação inicial é seguida de

um processo mais lento de inativação.

O papel dos canais controlados por voltagem na geração de potenciais de

ação e no controle de outras funções celulares é descrito no Capítulo 4.

 

Canais controlados por ligantes

Estes canais (ver Figura 3.5) são ativados pela ligação de um ligante químico

a um ponto na molécula do canal. Os neurotransmissores rápidos, tais como

glutamato, acetilcolina, GABA, 5-HT e ATP (ver Capítulos 14, 16, 17 e 39),

atuam dessa forma, ligando-se a pontos no exterior da membrana. Além

disso, também existem canais iônicos ativados por ligantes que não respondem a neurotransmissores, mas a mudanças em seu ambiente local. Por

exemplo, o canal TRPV1 nos nervos sensoriais, que medeia a geração de dor

pela capsaicina, um componente ativo das pimentas, responde a prótons

extracelulares quando há queda do pH dos tecidos, como ocorre com os

tecidos inflamados e com o estímulo físico do calor (ver Capítulo 43).

Alguns canais ativados por ligantes na membrana plasmática respondem

mais a sinais intracelulares do que extracelulares. Entre eles, os mais

importantes são:

 

• Canais de potássio ativados por cálcio, que ocorrem na maior parte das

células e se abrem, provocando a hiperpolarização da célula quando a

[Ca2+]i aumenta

• Canais de cloreto ativados por cálcio, largamente presentes nas células

excitáveis e não excitáveis, onde estão envolvidos em várias funções,

como secreção epitelial de eletrólitos e de água, transdução sensorial,

regulação da excitabilidade cardíaca e neuronal e regulação do tônus

vascular

• Canais de potássio sensíveis a ATP, que se abrem quando a concentração

intracelular de ATP cai por falta de energia na célula. Esses canais, que

são bastante distintos daqueles que medeiam os efeitos excitatórios do

ATP extracelular, ocorrem em muitas células musculares e nervosas, e

também nas células secretoras de insulina (ver Capítulo 32), em que

integram o mecanismo que vincula a secreção de insulina à concentração

sanguínea de glicose.

 

Outros exemplos de canais de membrana celular que respondem a ligantes

intracelulares incluem os canais de potássio sensíveis ao ácido araquidônico e

os canais de cálcio sensíveis ao DAG, cujas funções ainda não estão bem

esclarecidas.

Canais de liberação de cálcio

Os receptores IP 3 e os receptores de rianodina (ver Capítulo 4) são os principais de uma classe de canais de cálcio ativados por ligantes que estão

presentes no retículo endoplasmático ou sarcoplasmático, e não na membrana

plasmática, e que controlam a liberação de Ca2+ das reservas intracelulares. O

Ca2+ também pode ser liberado das reservas dos lisossomos pela

nicotinamida-adenina-dinucleotídio-fosfato que ativa dois domínios de poros

dos canais de cálcio.

 

Canais de cálcio operados pelas reservas de cálcio

Quando as reservas intracelulares de Ca2+ estão esgotadas, os “canais

operados pela reserva de cálcio” (SOC) da membrana plasmática abrem-se

para permitir sua entrada. O mecanismo por intermédio do qual essa operação

ocorre envolve a interação de uma proteína sensora de Ca2+ na membrana do

retículo endoplasmático com um canal de Ca2+ na membrana plasmática

(Stathopulos e Ikura, 2017). Em resposta aos GPCR que provocam a

liberação de Ca2+, a abertura desses canais faz com que a concentração do

Ca2+ livre citosólico [Ca2+] i permaneça elevada mesmo quando as reservas intracelulares estão em baixa e também providencia uma forma de

reabastecimento dessas reservas (ver Capítulo 4).