Rang e Dale: Farmacologia
Efeitos do óxido nítrico
barreira, é provocada pela enzima citocromo b5 redutase3 (também
conhecida como metemoglobina redutase), e a inibição dessa enzima
aumenta a bioatividade do NO em pequenas artérias (Straub et al.,
2012).
Distinto da reação de inativação entre NO e heme, um resíduo
específico de cisteína (cys 93 da cadeia beta) na globina combina-se
reversivelmente com NO sob condições fisiológicas. A hemoglobina S-
nitrosilada resultante atua como um transportador de NO sensível ao
oxigênio circulante que libera compostos nitrosotiol (SNO)
biologicamente ativos, como o cisteinil-NO ou glutationil-NO, para
mediar a vasodilatação quando da transição da hemoglobina do estado
R (oxigenado) para o T (desoxigenado), contribuindo, assim, para a
vasodilatação hipóxica. A importância biológica deste mecanismo é
atestada por observações em camundongos mutantes que expressam
hemoglobina humanizada e sem S-nitrosilação da β-cys93. Esses
camundongos são mais suscetíveis a danos miocárdicos em modelos
experimentais de isquemia miocárdica e insuficiência cardíaca do que
os controles com hemoglobina humanizada, mas com S-nitrosilação da
β-cys93 intacta (Zhang et al., 2015).
EFEITOS DO ÓXIDO NÍTRICO
O NO reage com diversos metais, tiois e espécies de oxigênio e, desse
modo, modifica proteínas, DNA e lipídios. Um dos efeitos bioquímicos
mais importantes (ver Capítulo 3) é a ativação da GCs, um heterodímero
que ocorre no tecido vascular e nervoso como duas isoenzimas distintas. A
GC sintetiza o segundo mensageiro GMPc. O NO ativa a enzima por
combinação com seu grupo heme, e muitos efeitos fisiológicos de baixas
concentrações de NO são mediados pelo GMPc. Esses efeitos são bloqueados por inibidores da GC (p. ex., 1 H-[1,2,4]-oxadiazol-[4,3-α]-