Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 442 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fármacos utilizados para contracepção

Hormônio liberador de gonadotro na e gonadotro nas

 

• O hormônio liberador de gonadotro na é um decapeptídio; a gonadorrelina é a forma

sintética. A nafarrelina é um análogo potente

• Administrados de modo pulsátil, eles estimulam a liberação de gonadotro na;

administrados continuamente, inibem-na

• As gonadotro nas, o hormônio foliculoestimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH)

são glicoproteínas

• Preparações de gonadotro nas (p. ex., gonadotro na coriônica) são usadas para tratar a

infertilidade causada pela de ciência da ovulação

• O danazol é uma progesterona modi cada que inibe a produção de gonadotro nas por

ações no hipotálamo e na adeno-hipó se.

 

FÁRMACOS UTILIZADOS PARA CONTRACEPÇÃO

 

CONTRACEPTIVOS ORAIS

Existem dois tipos principais de contraceptivos orais:

1. Combinações de um estrógeno com uma progesterona (pílula

combinada).

2. Somente progesterona (pílula apenas com progesterona).

 

Pílula combinada

A pílula contraceptiva oral combinada é extremamente eficaz, pelo menos

na ausência de doença intercorrente e de tratamento com fármacos com os

quais possa interagir potencialmente. O estrógeno que, na maioria das

vezes, é combinado nessas preparações (pílulas de segunda geração)5 é o

etinilestradiol, apesar de algumas poucas preparações conterem o mestranol. A progesterona pode ser noretisterona, levonorgestrel,

etinodiol ou – em pílulas de “terceira geração” – desogestrel ou gestodeno,

que são mais potentes, têm menos ação androgênica e causam poucas

mudanças no metabolismo de lipoproteínas, mas que, provavelmente,

apresentam risco maior de tromboembolia que as preparações de segunda

geração. O conteúdo de estrógeno é, geralmente, 20 a 50 μg de

etinilestradiol ou seu equivalente, e a preparação é escolhida com

baixíssimos conteúdos de estrógenos e progesterona, que são bem tolerados

e oferecem bom controle do ciclo. Essa pílula combinada é tomada por 21

dias consecutivos, seguidos de 7 dias sem pílula, o que causa sangramento.

Os ciclos normais de menstruação começam logo após a descontinuação do

tratamento, e a perda permanente da fertilidade (que pode ser resultado de

menopausa precoce, e não consequência do uso por longo tempo da pílula

contraceptiva) é rara.

O modo de ação ocorre da seguinte maneira:

• O estrógeno inibe a secreção de FSH, via retroalimentação negativa na

adeno-hipófise, e, assim, suprime o desenvolvimento do ciclo ovariano

• A progesterona inibe a secreção de LH e, assim, previne a ovulação; ela

também estimula a produção de muco cervical menos suscetível à

passagem do esperma

• Estrógeno e progesterona agem combinadamente para alterar o

endométrio, de tal modo que evite a implantação.

Eles podem também interferir nas contrações coordenadas de colo, útero e

tubas uterinas, que facilitam a fertilização e a implantação.

Centenas de milhões de mulheres em todo o mundo têm usado esse

método desde a década de 1960; em geral, a pílula combinada constitui

método seguro e eficaz de contracepção. Há benefícios para a saúde

distintos ao se tomar a pílula, e os efeitos adversos graves são raros. Entretanto, certas ações adversas de menor importância constituem

desvantagens para seu uso, e várias questões importantes necessitam ser

consideradas.

 

■ Efeitos adversos comuns

Os efeitos adversos comuns da pílula combinada são:

• Ganho de peso, retenção de fluido ou efeito anabólico, ou ambos

• Náuseas amenas, rubor, tontura, depressão e irritabilidade

• Mudanças na pele (p. ex., acne e/ou aumento na pigmentação)

• Amenorreia de duração variável na cessação da ingestão da pílula.

 

■ Questões que precisam ser consideradas

Existe risco aumentado de doença cardiovascular (doença tromboembólica venosa, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral)?

Com pílulas de segunda geração (conteúdo de estrógeno inferior a 50 μg), o

risco de tromboembolia é pequeno (incidência de cerca de 15 por 100.000

usuários por ano, em comparação com 5 em 100.000 não usuários por ano,

ou 60 episódios de tromboembolismo por 100.000 grávidas). O risco é

muito maior em subgrupos com fatores adicionais, tais como fumantes (que

aumentam o risco substancialmente) e com uso continuado da pílula,

especialmente mulheres acima de 35 anos de idade. Em usuárias de

preparações contendo desogestrel ou gestodeno, a incidência de doença

tromboembólica é cerca de 25 por 100.000 usuários por ano, o que é ainda

um risco pouco elevado, comparado com o de tromboembolismo na

gravidez indesejada. Em geral, mesmo com fatores de risco externos que já

tenham sido identificados, como tabagismo, hipertensão e obesidade, os

contraceptivos orais combinados têm se mostrado seguros para a maioria

das mulheres na maior parte da sua vida reprodutiva.

O risco de câncer é afetado?

O risco de câncer ovariano e endometrial é reduzido.

A pressão sanguínea aumenta?

Aumento acentuado na pressão arterial ocorre em pequena porcentagem de

mulheres, logo após o início do tratamento com pílula contraceptiva oral

combinada. Isso está associado ao aumento no angiotensinogênio circulante

e desaparece quando o tratamento é suspenso. A pressão sanguínea é, por

isso, monitorada quando o tratamento com contraceptivo oral é iniciado, e

um contraceptivo alternativo o substitui se necessário.

 

■ Efeitos benéficos

Além de evitar uma gravidez indesejada, a pílula combinada tem outros

efeitos desejáveis, que incluem a diminuição dos sintomas menstruais, tais

como períodos irregulares e sangramento intermenstrual. A anemia por

deficiência de ferro e a tensão pré-menstrual são reduzidas, como também

as doenças benignas da mama, a fibrose uterina e os cistos funcionais dos

ovários.

 

Pílula somente com progesterona

Os fármacos usados nas pílulas só com progesterona incluem

noretisterona, levonorgestrel e etinodiol. A pílula deve ser tomada sem

interrupção. O mecanismo de ação ocorre primariamente sobre o muco

cervical, que se torna inviável para o esperma. A progesterona,

provavelmente, também impede a implantação por meio de seu efeito sobre

o endométrio (ver Figura 36.2) e sobre a motilidade e as secreções das tubas

uterinas.

 

■ Efeitos potencialmente benéficos e adversos Os contraceptivos só com progesterona oferecem alternativa viável para a