Rang e Dale: Farmacologia
Fármacos utilizados para contracepção
Hormônio liberador de gonadotro na e gonadotro nas
• O hormônio liberador de gonadotro na é um decapeptídio; a gonadorrelina é a forma
sintética. A nafarrelina é um análogo potente
• Administrados de modo pulsátil, eles estimulam a liberação de gonadotro na;
administrados continuamente, inibem-na
• As gonadotro nas, o hormônio foliculoestimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH)
são glicoproteínas
• Preparações de gonadotro nas (p. ex., gonadotro na coriônica) são usadas para tratar a
infertilidade causada pela de ciência da ovulação
• O danazol é uma progesterona modi cada que inibe a produção de gonadotro nas por
ações no hipotálamo e na adeno-hipó se.
FÁRMACOS UTILIZADOS PARA CONTRACEPÇÃO
CONTRACEPTIVOS ORAIS
Existem dois tipos principais de contraceptivos orais:
1. Combinações de um estrógeno com uma progesterona (pílula
combinada).
2. Somente progesterona (pílula apenas com progesterona).
Pílula combinada
A pílula contraceptiva oral combinada é extremamente eficaz, pelo menos
na ausência de doença intercorrente e de tratamento com fármacos com os
quais possa interagir potencialmente. O estrógeno que, na maioria das
vezes, é combinado nessas preparações (pílulas de segunda geração)5 é o
etinilestradiol, apesar de algumas poucas preparações conterem o mestranol. A progesterona pode ser noretisterona, levonorgestrel,
etinodiol ou – em pílulas de “terceira geração” – desogestrel ou gestodeno,
que são mais potentes, têm menos ação androgênica e causam poucas
mudanças no metabolismo de lipoproteínas, mas que, provavelmente,
apresentam risco maior de tromboembolia que as preparações de segunda
geração. O conteúdo de estrógeno é, geralmente, 20 a 50 μg de
etinilestradiol ou seu equivalente, e a preparação é escolhida com
baixíssimos conteúdos de estrógenos e progesterona, que são bem tolerados
e oferecem bom controle do ciclo. Essa pílula combinada é tomada por 21
dias consecutivos, seguidos de 7 dias sem pílula, o que causa sangramento.
Os ciclos normais de menstruação começam logo após a descontinuação do
tratamento, e a perda permanente da fertilidade (que pode ser resultado de
menopausa precoce, e não consequência do uso por longo tempo da pílula
contraceptiva) é rara.
O modo de ação ocorre da seguinte maneira:
• O estrógeno inibe a secreção de FSH, via retroalimentação negativa na
adeno-hipófise, e, assim, suprime o desenvolvimento do ciclo ovariano
• A progesterona inibe a secreção de LH e, assim, previne a ovulação; ela
também estimula a produção de muco cervical menos suscetível à
passagem do esperma
• Estrógeno e progesterona agem combinadamente para alterar o
endométrio, de tal modo que evite a implantação.
Eles podem também interferir nas contrações coordenadas de colo, útero e
tubas uterinas, que facilitam a fertilização e a implantação.
Centenas de milhões de mulheres em todo o mundo têm usado esse
método desde a década de 1960; em geral, a pílula combinada constitui
método seguro e eficaz de contracepção. Há benefícios para a saúde
distintos ao se tomar a pílula, e os efeitos adversos graves são raros. Entretanto, certas ações adversas de menor importância constituem
desvantagens para seu uso, e várias questões importantes necessitam ser
consideradas.
■ Efeitos adversos comuns
Os efeitos adversos comuns da pílula combinada são:
• Ganho de peso, retenção de fluido ou efeito anabólico, ou ambos
• Náuseas amenas, rubor, tontura, depressão e irritabilidade
• Mudanças na pele (p. ex., acne e/ou aumento na pigmentação)
• Amenorreia de duração variável na cessação da ingestão da pílula.
■ Questões que precisam ser consideradas
Existe risco aumentado de doença cardiovascular (doença tromboembólica venosa, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral)?
Com pílulas de segunda geração (conteúdo de estrógeno inferior a 50 μg), o
risco de tromboembolia é pequeno (incidência de cerca de 15 por 100.000
usuários por ano, em comparação com 5 em 100.000 não usuários por ano,
ou 60 episódios de tromboembolismo por 100.000 grávidas). O risco é
muito maior em subgrupos com fatores adicionais, tais como fumantes (que
aumentam o risco substancialmente) e com uso continuado da pílula,
especialmente mulheres acima de 35 anos de idade. Em usuárias de
preparações contendo desogestrel ou gestodeno, a incidência de doença
tromboembólica é cerca de 25 por 100.000 usuários por ano, o que é ainda
um risco pouco elevado, comparado com o de tromboembolismo na
gravidez indesejada. Em geral, mesmo com fatores de risco externos que já
tenham sido identificados, como tabagismo, hipertensão e obesidade, os
contraceptivos orais combinados têm se mostrado seguros para a maioria
das mulheres na maior parte da sua vida reprodutiva.
O risco de câncer é afetado?
O risco de câncer ovariano e endometrial é reduzido.
A pressão sanguínea aumenta?
Aumento acentuado na pressão arterial ocorre em pequena porcentagem de
mulheres, logo após o início do tratamento com pílula contraceptiva oral
combinada. Isso está associado ao aumento no angiotensinogênio circulante
e desaparece quando o tratamento é suspenso. A pressão sanguínea é, por
isso, monitorada quando o tratamento com contraceptivo oral é iniciado, e
um contraceptivo alternativo o substitui se necessário.
■ Efeitos benéficos
Além de evitar uma gravidez indesejada, a pílula combinada tem outros
efeitos desejáveis, que incluem a diminuição dos sintomas menstruais, tais
como períodos irregulares e sangramento intermenstrual. A anemia por
deficiência de ferro e a tensão pré-menstrual são reduzidas, como também
as doenças benignas da mama, a fibrose uterina e os cistos funcionais dos
ovários.
Pílula somente com progesterona
Os fármacos usados nas pílulas só com progesterona incluem
noretisterona, levonorgestrel e etinodiol. A pílula deve ser tomada sem
interrupção. O mecanismo de ação ocorre primariamente sobre o muco
cervical, que se torna inviável para o esperma. A progesterona,
provavelmente, também impede a implantação por meio de seu efeito sobre
o endométrio (ver Figura 36.2) e sobre a motilidade e as secreções das tubas
uterinas.
■ Efeitos potencialmente benéficos e adversos Os contraceptivos só com progesterona oferecem alternativa viável para a