Rang e Dale: Farmacologia
Modulação pós-sináptica
Os mediadores químicos agem com frequência sobre estruturas pós-
sinápticas, que incluem neurônios, células da musculatura lisa, células do
músculo cardíaco e assim por diante, de tal modo que há alteração na
excitabilidade ou no padrão de descarga espontânea dessas estruturas. Em
muitos casos, como na modulação pré-sináptica, isso é causado por
alterações no funcionamento dos canais de cálcio e/ou potássio. Alguns
exemplos são os seguintes:
• O efeito excitatório lento produzido por diversos mediadores, que
incluem acetilcolina e peptídios como a substância P (ver Capítulo 19),
resulta principalmente de uma diminuição da permeabilidade ao K+.
Inversamente, o efeito inibitório de vários peptídios opioides no
intestino decorre principalmente de aumento da permeabilidade ao K+
Neuromodulação e interações pré-sinápticas
• Além de atuarem diretamente como neurotransmissores, os mediadores químicos são
capazes de regular:
– A liberação pré-sináptica de transmissores
– A excitabilidade neuronal
• Ambos são exemplos de neuromodulação e geralmente envolvem a regulação de canais
iônicos da membrana por meio de segundos mensageiros
• Os receptores pré-sinápticos podem inibir ou aumentar a liberação de um
neurotransmissor, sendo a inibição a mais importante
• Os autorreceptores pré-sinápticos inibitórios estão presentes em neurônios noradrenérgicos
e colinérgicos, fazendo com que cada transmissor iniba sua própria liberação
(retroalimentação autoinibitória)
• Muitos mediadores endógenos (p. ex., GABA, prostaglandinas, opioides e outros
peptídios), bem como os próprios transmissores, exercem um controle pré-sináptico
(principalmente inibitório) sobre a liberação do transmissor autonômico.
• O neuropeptídio Y (NPY), que é liberado como cotransmissor
juntamente com a norepinefrina em muitas terminações nervosas
simpáticas, aumenta o efeito vasoconstritor da norepinefrina e, assim,
facilita enormemente a transmissão.
Os efeitos pré e pós-sinápticos abordados anteriormente são frequentemente
descritos como neuromodulação, porque o mediador age aumentando ou
diminuindo a eficácia da transmissão sináptica sem, contudo, participar
diretamente como transmissor. Muitos neuropeptídios, por exemplo, afetam
os canais iônicos de membrana, de modo a aumentar ou diminuir a excitabilidade e, assim, controlam o padrão de descarga da célula. Embora