Rang e Dale: Farmacologia
Efeitos de fármacos sobre a transmissão colinérgica
Como mostra a Figura 14.2, alguns fármacos são capazes de influenciar a
transmissão colinérgica tanto agindo como agonistas ou antagonistas sobre
os receptores pós-sinápticos da ACh (Tabelas 14.1 e 14.2) quanto afetando
a liberação ou a destruição da ACh endógena.
No restante deste capítulo, descreveremos os seguintes grupos de
fármacos, subdivididos de acordo com seu local fisiológico de ação:
• Agonistas muscarínicos
• Antagonistas muscarínicos
• Fármacos estimulantes ganglionares
• Fármacos bloqueadores ganglionares
• Fármacos bloqueadores neuromusculares
• Anticolinesterásicos e outros fármacos que intensificam a transmissão
colinérgica.
Figura 14.4 Bloqueio por despolarização da transmissão ganglionar pela nicotina.
A. Sistema utilizado para o registro intracelular de células ganglionares simpáticas de rã, mostrando a localização dos eletrodos de estimulação (estim) ortodrômica (O) e antidrômica (A). A estimulação em O excita a célula através da sinapse colinérgica, enquanto a estimulação em A a excita pela propagação elétrica do potencial de ação. B. Efeito da nicotina: (a) Registros de controle. O potencial de membrana é de –55 mV (linha tracejada = 0 mV), e a célula responde tanto a O quanto a A. (b) Logo após a adição de nicotina, a célula fica levemente despolarizada e espontaneamente ativa, mas ainda é capaz de responder a O e a A (c e d). A célula está ainda mais despolarizada, a –25 mV, e produz apenas um vestígio de potencial de ação. O fato de a célula não responder a A mostra que ela está eletricamente inexcitável (e e f). Na presença contínua de nicotina, a célula repolariza-se e recobra a sua capacidade de responder a A, mas ainda não responde a O porque os receptores da ACh estão dessensibilizados pela ação da nicotina. (De Ginsborg, B.L., Guerrero, S., 1964. J. Physiol. 172, 189.)