Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 297 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

25 Hemostasia e Trombose

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Este capítulo resume as principais características da coagulação sanguínea,

da função plaquetária e da fibrinólise. Esses processos fazem parte da

hemostasia e da trombose e constituem as bases para a compreensão das

doenças hemorrágicas (p. ex., hemofilia) e trombóticas, tanto arteriais (p.

ex., acidente vascular encefálico [AVE] trombótico, infarto agudo do

miocárdio [IAM]) como venosas (p. ex., trombose venosa profunda [TVP],

embolismo pulmonar [EP]). Em virtude da prevalência de doença

trombótica, é dada ênfase a anticoagulantes, fármacos antiplaquetários e

fibrinolíticos, que são especialmente importantes.

 

INTRODUÇÃO

A hemostasia é a interrupção do sangramento de vasos sanguíneos

lesionados e é essencial à vida. Um ferimento causa vasoconstrição,

acompanhada de:

 

• Adesão e ativação de plaquetas • Formação de fibrina.

 

A ativação de plaquetas leva à formação de um tampão hemostático, que

interrompe o sangramento e, em seguida, é reforçado pela fibrina. A

importância relativa de cada processo depende do tipo de vaso (arterial,

venoso ou capilar) que foi lesionado.

A trombose é a formação patológica de um tampão “hemostático”

dentro da vasculatura na ausência de sangramento (“hemostasia no local

errado”). Há cerca de um século, Rudolf Virchow definiu três fatores

predisponentes – a “tríade de Virchow”: lesão da parede vascular – por

exemplo, quando uma placa ateromatosa se rompe ou sofre erosão;

alteração do fluxo arterial – por exemplo, na aurícula atrial esquerda

durante a fibrilação atrial, ou nas veias dos membros inferiores ao sentar

erradamente após uma longa caminhada; e coagulabilidade anormal do

sangue – como ocorre, por exemplo, nos últimos estágios de gravidez ou

durante o tratamento com alguns anticoncepcionais orais (ver Capítulo 36).

O aumento da coagulabilidade pode ser hereditário e, nesses casos, é

denominado trombofilia. Um trombo, que se forma in vivo, deve ser

diferenciado de um coágulo, que se forma no sangue in vitro (p. ex., em um

tubo de vidro). Os coágulos são amorfos e consistem em uma trama difusa

de fibrina na qual os eritrócitos e leucócitos são aprisionados

indiscriminadamente. Por outro lado, trombos venosos e arteriais

apresentam características distintas.

Um trombo arterial (Figura 25.1) é composto pelo trombo branco, que

consiste, principalmente, em plaquetas em uma trama de fibrina.

Geralmente ele está associado à aterosclerose e pode interromper o fluxo

sanguíneo, causando isquemia ou morte do tecido (infarto) a distância. O

trombo venoso é composto de um “trombo vermelho” e consiste em uma

cabeça branca pequena e uma cauda longa vermelha, de consistência semelhante à gelatina, com composição parecida à do coágulo sanguíneo,