Rang e Dale: Farmacologia
25 Hemostasia e Trombose
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Este capítulo resume as principais características da coagulação sanguínea,
da função plaquetária e da fibrinólise. Esses processos fazem parte da
hemostasia e da trombose e constituem as bases para a compreensão das
doenças hemorrágicas (p. ex., hemofilia) e trombóticas, tanto arteriais (p.
ex., acidente vascular encefálico [AVE] trombótico, infarto agudo do
miocárdio [IAM]) como venosas (p. ex., trombose venosa profunda [TVP],
embolismo pulmonar [EP]). Em virtude da prevalência de doença
trombótica, é dada ênfase a anticoagulantes, fármacos antiplaquetários e
fibrinolíticos, que são especialmente importantes.
INTRODUÇÃO
A hemostasia é a interrupção do sangramento de vasos sanguíneos
lesionados e é essencial à vida. Um ferimento causa vasoconstrição,
acompanhada de:
• Adesão e ativação de plaquetas • Formação de fibrina.
A ativação de plaquetas leva à formação de um tampão hemostático, que
interrompe o sangramento e, em seguida, é reforçado pela fibrina. A
importância relativa de cada processo depende do tipo de vaso (arterial,
venoso ou capilar) que foi lesionado.
A trombose é a formação patológica de um tampão “hemostático”
dentro da vasculatura na ausência de sangramento (“hemostasia no local
errado”). Há cerca de um século, Rudolf Virchow definiu três fatores
predisponentes – a “tríade de Virchow”: lesão da parede vascular – por
exemplo, quando uma placa ateromatosa se rompe ou sofre erosão;
alteração do fluxo arterial – por exemplo, na aurícula atrial esquerda
durante a fibrilação atrial, ou nas veias dos membros inferiores ao sentar
erradamente após uma longa caminhada; e coagulabilidade anormal do
sangue – como ocorre, por exemplo, nos últimos estágios de gravidez ou
durante o tratamento com alguns anticoncepcionais orais (ver Capítulo 36).
O aumento da coagulabilidade pode ser hereditário e, nesses casos, é
denominado trombofilia. Um trombo, que se forma in vivo, deve ser
diferenciado de um coágulo, que se forma no sangue in vitro (p. ex., em um
tubo de vidro). Os coágulos são amorfos e consistem em uma trama difusa
de fibrina na qual os eritrócitos e leucócitos são aprisionados
indiscriminadamente. Por outro lado, trombos venosos e arteriais
apresentam características distintas.
Um trombo arterial (Figura 25.1) é composto pelo trombo branco, que
consiste, principalmente, em plaquetas em uma trama de fibrina.
Geralmente ele está associado à aterosclerose e pode interromper o fluxo
sanguíneo, causando isquemia ou morte do tecido (infarto) a distância. O
trombo venoso é composto de um “trombo vermelho” e consiste em uma
cabeça branca pequena e uma cauda longa vermelha, de consistência semelhante à gelatina, com composição parecida à do coágulo sanguíneo,