Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 509 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Lesão cerebral isquêmica

óxido nítrico; ERO, espécies reativas de oxigênio; SOD, superóxido dismutase; CCDV, canal de cálcio dependente de voltagem.

 

A mitocôndria desempenha um papel central no metabolismo

energético, e sua falha leva ao estresse oxidativo. Os danos à mitocôndria

levam à liberação de citocromo C no citosol, o que também inicia a

apoptose. Portanto, a integridade da mitocôndria é essencial para a

sobrevivência neuronal, e a disfunção mitocondrial é vista como o principal

fator em muitas alterações neurodegenerativas (Itoh et al., 2013). É possível

que mutações acumuladas ou herdadas nas enzimas, tais como as da cadeia

respiratória mitocondrial, levem a aumento congênito ou relacionado com a

idade na suscetibilidade ao estresse oxidativo, que se manifesta em

diferentes tipos de doença neurodegenerativa herdada (tais como a DH) e na

degeneração relacionada com a idade.

O estresse oxidativo é tanto causa quanto consequência da inflamação

(ver Capítulo 7), a qual é característica comum das doenças

neurodegenerativas, e acredita-se que contribua para o dano neuronal

(Schwab e McGeer, 2008).

Os muitos possíveis alvos para intervenção terapêutica, como os

fármacos neuroprotetores, são mostrados na Figura 41.2.

 

LESÃO CEREBRAL ISQUÊMICA

Depois da doença cardíaca e do câncer, os AVE são a causa mais comum de

morte na Europa e na América do Norte, e os 70% que não são fatais são a

causa mais comum de incapacidade. Aproximadamente 85% dos AVE são

isquêmicos, em geral devido à oclusão arterial cerebral causada pela formação de um trombo local ou por um êmbolo circulante que se aloja em

um estreitamento do vaso. O AVE isquêmico pode ser precedido por

ataques isquêmicos transitórios (AIT) ou “mini-AVE”, resultantes de

episódios breves de fluxo sanguíneo inadequado. Os AIT produzem

sintomas como fraqueza muscular súbita de um membro ou da face,

incapacidade de falar, visão dupla e tonturas. Estes sintomas geralmente se

resolvem em 24 horas, mas servem como um aviso de que pode ocorrer um

AVE completo em um futuro próximo e que devem ser tomadas medidas

para prevenir a aterosclerose adicional (p. 519). O outro tipo de AVE é o

hemorrágico, decorrente da ruptura de uma artéria cerebral.

Excitotoxicidade e estresse oxidativo

 

• Os aminoácidos excitatórios (p. ex., glutamato) podem causar morte neuronal

• A excitotoxicidade está associada principalmente à ativação dos receptores NMDA, porém

outros tipos de receptores dos aminoácidos excitatórios também contribuem

• 2+ A excitotoxicidade resulta de aumento sustentado na concentração intracelular de Ca

(sobrecarga de Ca2+)

• A excitotoxicidade pode ocorrer em condições patológicas (p. ex., isquemia cerebral,

epilepsia) nas quais há liberação excessiva de glutamato. Também pode ocorrer quando

são administradas substâncias químicas como o ácido caínico

• 2+ O Ca intracelular aumentado causa morte celular por vários mecanismos, incluindo

ativação de proteases, formação de radicais livres e peroxidação lipídica. A formação de

óxido nítrico e de ácido araquidônico também está envolvida

• Vários mecanismos agem normalmente para proteger os neurônios contra a

excitotoxicidade; os principais são os sistemas de transporte do Ca 2+, a função

mitocondrial e a produção de removedores de radicais livres

O estresse oxidativo refere-se a situações (p. ex., hipoxia) nas quais os mecanismos

•

protetores estão comprometidos; acumulam-se espécies reativas de oxigênio e os

neurônios tornam-se mais suscetíveis à lesão excitotóxica

• A excitotoxicidade causada por substâncias químicas ambientais pode contribuir para

algumas alterações neurodegenerativas

• As medidas destinadas a reduzir a excitotoxicidade incluem o uso de antagonistas do

glutamato, fármacos bloqueadores dos canais de cálcio e removedores de radicais livres;

nenhum ainda comprovado para uso clínico

• A disfunção mitocondrial, associada ao envelhecimento, a toxinas ambientais e a

anormalidades genéticas, leva ao estresse oxidativo, e é uma característica comum em

doenças neurodegenerativas.