Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 200 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

ATP como mediador

O ATP exerce sua ação principalmente por intermédio de receptores P2X. O

domínio extracelular desses receptores triméricos pode ligar três moléculas

de ATP. Quando ativado pela ligação de duas ou três moléculas de ATP, o

receptor controla a abertura dos canais iônicos cátion-seletivos que

promovem o avanço da sinalização intracelular. Algumas outras ações do

ATP em mamíferos são mediadas pelos receptores P2Y. A suramina (um

fármaco originalmente desenvolvido para tratar infecções por

tripanossomas) antagoniza o ATP e tem atividade inibidora de amplo

espectro nos receptores P2X e P2Y. Antagonistas mais seletivos do ATP

estão em desenvolvimento.

O ATP está presente em todas as células em concentrações milimolares

e é liberado se existir dano celular (p. ex., por isquemia). O mecanismo de

liberação pode ser por meio de exocitose de vesículas contendo ATP, de

transportadores ATP ou de canais de panexina e conexina na membrana

celular. As células moribundas podem liberar ATP, que pode servir como

um “sinal de perigo” que alerta as células imunes para uma potencial lesão

dos tecidos locais (ver Capítulo 7).

O ATP liberado das células é rapidamente desfosforilado por

nucleotidases tecido-específicas, produzindo ADP e adenosina (ver Figura

17.1), e ambos produzem efeitos mediados por receptores adicionais. O

papel do ATP intracelular na regulação dos canais de potássio de membrana

para controle do músculo liso vascular (ver Capítulo 23) e secreção de

insulina (ver Capítulo 32) é bem distinto de sua função como transmissor.