Rang e Dale: Farmacologia
ATP como mediador
O ATP exerce sua ação principalmente por intermédio de receptores P2X. O
domínio extracelular desses receptores triméricos pode ligar três moléculas
de ATP. Quando ativado pela ligação de duas ou três moléculas de ATP, o
receptor controla a abertura dos canais iônicos cátion-seletivos que
promovem o avanço da sinalização intracelular. Algumas outras ações do
ATP em mamíferos são mediadas pelos receptores P2Y. A suramina (um
fármaco originalmente desenvolvido para tratar infecções por
tripanossomas) antagoniza o ATP e tem atividade inibidora de amplo
espectro nos receptores P2X e P2Y. Antagonistas mais seletivos do ATP
estão em desenvolvimento.
O ATP está presente em todas as células em concentrações milimolares
e é liberado se existir dano celular (p. ex., por isquemia). O mecanismo de
liberação pode ser por meio de exocitose de vesículas contendo ATP, de
transportadores ATP ou de canais de panexina e conexina na membrana
celular. As células moribundas podem liberar ATP, que pode servir como
um “sinal de perigo” que alerta as células imunes para uma potencial lesão
dos tecidos locais (ver Capítulo 7).
O ATP liberado das células é rapidamente desfosforilado por
nucleotidases tecido-específicas, produzindo ADP e adenosina (ver Figura
17.1), e ambos produzem efeitos mediados por receptores adicionais. O
papel do ATP intracelular na regulação dos canais de potássio de membrana
para controle do músculo liso vascular (ver Capítulo 23) e secreção de
insulina (ver Capítulo 32) é bem distinto de sua função como transmissor.