Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 437 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Andrógenos

de osteoporose em mulheres com risco elevado de fraturas quando outra

profilaxia estiver contraindicada ou não for tolerada. Ela tem atividade

estrogênica, progestogênica e pouco androgênica, podendo ser usada

continuamente sem a progesterona cíclica, evitando a inconveniência do

sangramento quando de sua retirada.

 

ANDRÓGENOS

A testosterona é o principal andrógeno natural. Ela é sintetizada

principalmente pelas células intersticiais dos testículos e, em quantidades

menores, pelos ovários e pelo córtex da suprarrenal. A produção suprarrenal

de andrógenos é controlada pelo hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) ou

corticotrofina. Como para outros hormônios esteroides, o colesterol é a

substância inicial. A desidroepiandrosterona e a androstenediona são

importantes intermediários. Elas são liberadas pelas gônadas e pelo córtex

da suprarrenal e convertidas em testosterona no fígado (ver Figura 36.3).

 

Ações

Em geral, os efeitos dos andrógenos exógenos são os mesmos daqueles da

testosterona e dependem da idade e do sexo do receptor. Se forem

administrados andrógenos a meninos na pré-puberdade, eles não alcançam a

sua altura prevista devido ao fechamento prematuro das epífises dos ossos

longos. Em garotos no período da puberdade, há o desenvolvimento rápido

das características sexuais secundárias (i. e., crescimento de pelos faciais,

axilares e púbicos, espessamento da voz), maturação dos órgãos

reprodutores e aumento acentuado da força muscular. Há também um

impulso no crescimento, com aceleração no aumento usual na altura que

ocorre ano após ano em crianças mais jovens, seguido da fusão das epífises ósseas e cessação do crescimento linear. Em adultos, os efeitos anabólicos

podem ser acompanhados da retenção de sal e água. Além disso, a pele se

espessa e pode escurecer, e as glândulas sebáceas tornam-se mais ativas,

predispondo à acne. Ocorre ainda o aumento do peso e da massa muscular,

parcialmente devido à retenção hídrica. Os andrógenos causam sentimento

de bem-estar, aumentam o vigor físico e podem aumentar a libido. É

controverso o fato de serem responsáveis pelo comportamento sexual,

assim como sua contribuição para a agressividade. Paradoxalmente, a

administração da testosterona inibe a espermatogênese, reduzindo, portanto,

a fertilidade masculina.

 

Mecanismo de ação

Na maioria das células-alvo, a testosterona trabalha por meio de um

metabólito ativo, a di-hidrotestosterona, que é convertida localmente pela

enzima 5α-redutase. Em contraste, a testosterona sozinha causa virilização

do trato genital no embrião masculino e regula a produção de LH/ICSH

pelas células da adeno-hipófise. A testosterona e a di-hidrotestosterona

modificam a transcrição gênica por interagirem com receptores nucleares.

 

Preparações

A testosterona sozinha pode ser administrada por meio de implantação

subcutânea ou de discos transdérmicos (a dose de reposição masculina é de

2,5 mg/dia). Vários ésteres (p. ex., o enantato e o propionato) são

administrados por injeção intramuscular. O undecanoato de testosterona e a

mesterolona podem ser administrados oralmente.

 

Aspectos farmacocinéticos

Quando administrada por via oral, a testosterona é metabolizada depressa

pelo fígado. Quase toda a testosterona na circulação liga-se a proteínas plasmáticas, principalmente a globulina ligante de esteroides sexuais.