Rang e Dale: Farmacologia
Andrógenos
de osteoporose em mulheres com risco elevado de fraturas quando outra
profilaxia estiver contraindicada ou não for tolerada. Ela tem atividade
estrogênica, progestogênica e pouco androgênica, podendo ser usada
continuamente sem a progesterona cíclica, evitando a inconveniência do
sangramento quando de sua retirada.
ANDRÓGENOS
A testosterona é o principal andrógeno natural. Ela é sintetizada
principalmente pelas células intersticiais dos testículos e, em quantidades
menores, pelos ovários e pelo córtex da suprarrenal. A produção suprarrenal
de andrógenos é controlada pelo hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) ou
corticotrofina. Como para outros hormônios esteroides, o colesterol é a
substância inicial. A desidroepiandrosterona e a androstenediona são
importantes intermediários. Elas são liberadas pelas gônadas e pelo córtex
da suprarrenal e convertidas em testosterona no fígado (ver Figura 36.3).
Ações
Em geral, os efeitos dos andrógenos exógenos são os mesmos daqueles da
testosterona e dependem da idade e do sexo do receptor. Se forem
administrados andrógenos a meninos na pré-puberdade, eles não alcançam a
sua altura prevista devido ao fechamento prematuro das epífises dos ossos
longos. Em garotos no período da puberdade, há o desenvolvimento rápido
das características sexuais secundárias (i. e., crescimento de pelos faciais,
axilares e púbicos, espessamento da voz), maturação dos órgãos
reprodutores e aumento acentuado da força muscular. Há também um
impulso no crescimento, com aceleração no aumento usual na altura que
ocorre ano após ano em crianças mais jovens, seguido da fusão das epífises ósseas e cessação do crescimento linear. Em adultos, os efeitos anabólicos
podem ser acompanhados da retenção de sal e água. Além disso, a pele se
espessa e pode escurecer, e as glândulas sebáceas tornam-se mais ativas,
predispondo à acne. Ocorre ainda o aumento do peso e da massa muscular,
parcialmente devido à retenção hídrica. Os andrógenos causam sentimento
de bem-estar, aumentam o vigor físico e podem aumentar a libido. É
controverso o fato de serem responsáveis pelo comportamento sexual,
assim como sua contribuição para a agressividade. Paradoxalmente, a
administração da testosterona inibe a espermatogênese, reduzindo, portanto,
a fertilidade masculina.
Mecanismo de ação
Na maioria das células-alvo, a testosterona trabalha por meio de um
metabólito ativo, a di-hidrotestosterona, que é convertida localmente pela
enzima 5α-redutase. Em contraste, a testosterona sozinha causa virilização
do trato genital no embrião masculino e regula a produção de LH/ICSH
pelas células da adeno-hipófise. A testosterona e a di-hidrotestosterona
modificam a transcrição gênica por interagirem com receptores nucleares.
Preparações
A testosterona sozinha pode ser administrada por meio de implantação
subcutânea ou de discos transdérmicos (a dose de reposição masculina é de
2,5 mg/dia). Vários ésteres (p. ex., o enantato e o propionato) são
administrados por injeção intramuscular. O undecanoato de testosterona e a
mesterolona podem ser administrados oralmente.
Aspectos farmacocinéticos
Quando administrada por via oral, a testosterona é metabolizada depressa
pelo fígado. Quase toda a testosterona na circulação liga-se a proteínas plasmáticas, principalmente a globulina ligante de esteroides sexuais.