Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 457 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Estrógenos e compostos relacionados

intravenosa para o tratamento de hipercalcemia da malignidade ou para

doença de Paget. O ibandronato é administrado de forma intravenosa a cada

3 a 4 semanas em pacientes com câncer de mama metastático ósseo ou a

cada 3 meses para o tratamento de osteoporose pós-menopausa. O

zoledronato, cuja administração é intravenosa, é utilizado no caso de

malignidades avançadas envolvendo o osso, na doença de Paget e em casos

selecionados de osteoporose (pós-menopausa ou em homens), quando é

administrado uma vez por ano ou ainda com menor frequência (ver boxe

clínico adiante).

 

ESTRÓGENOS E COMPOSTOS RELACIONADOS

O declínio do estrógeno endógeno é fator importante na osteoporose pós-

menopausa, e há evidências de que a administração de estrógenos como

terapia de reposição hormonal (TRH, ver Capítulo 36) pode melhorar essa

condição. Como a TRH tem ações em muitos sistemas, têm sido

desenvolvidos agentes (p. ex., raloxifeno, ver Capítulo 36) que mostram

ações agonistas em alguns tecidos e ações antagonistas em outros. Esses

agentes são denominados moduladores seletivos de receptores de

estrógenos (SERM; do inglês, selective estrogen receptor modulators).

 

Raloxifeno

O raloxifeno é um SERM que estimula os osteoblastos e inibe os

osteoclastos. Apresenta também ações agonistas no sistema cardiovascular

e atividade antagonista em tecido mamário e no útero.

Bifosfonatos

 

• São análogos estáveis do pirofosfato ativos por via oral, os quais são incorporados ao osso

em remodelação e permanecem nesse local por meses ou anos

• São liberados quando ocorre a reabsorção óssea mediada pelos osteoclastos, expondo os

osteoclastos a seus efeitos

• Os compostos de primeira geração (p. ex., etidronato) atuam promovendo a apoptose

dos osteoclastos

• Os compostos de segunda geração (p. ex., risedronato), com cadeias laterais contendo

nitrogênio, são muito mais potentes e previnem a ação dos osteoclastos por meio da

inibição da prenilação necessária para o ancoramento de proteínas funcionais da

membrana

• Utilizados por longos períodos para tratamento da osteoporose e na doença de Paget

sintomática

• Os principais efeitos adversos são os distúrbios gastrintestinais (especialmente

esofágicos); um efeito adverso raro, mas grave, dos fármacos mais potentes

(particularmente o zoledronato) é a osteonecrose da mandíbula.

Usos clínicos dos bifosfonatos

 

• Osteoporose:

– Prevenção “primária” de fraturas em indivíduos de alto risco (p. ex., com osteoporose

estabelecida, muitos fatores de risco para osteoporose, sistemicamente tratados com

glicocorticoides)

– Prevenção “secundária” após fratura osteoporótica

– O alendronato por via oral, administrado diária ou semanalmente, em conjunto

com cálcio e vitamina D3. O risedronato ou o etidronato são alternativas; o zoledronato é administrado anualmente ou com menos frequência por meio de

infusão intravenosa; é o bifosfonato mais potente e com maior potencial para causar

osteonecrose da mandíbula – um exame dentário e tratamentos dentários são pré-

requisitos para o tratamento

• Doença maligna envolvendo o osso (p. ex., câncer de mama metastático, mieloma

múltiplo):

– Para reduzir a lesão e a dor óssea e a hipercalcemia (p. ex., clodronato,

ibandronato, zoledronato)

• Doença de Paget do osso (p. ex., risedronato, pamidronato), administrados de modo

intermitente conforme necessário em pacientes que estejam sintomáticos.

 

É bem absorvido no trato gastrintestinal e está sujeito a um extenso

metabolismo de primeira passagem no fígado, produzindo glicuronídeos

que sofrem reciclagem êntero-hepática. A biodisponibilidade é de apenas

cerca de 2%. Apesar da baixa concentração plasmática, o raloxifeno está

concentrado nos tecidos e é convertido em um metabólito ativo em fígado,

pulmões, tecido ósseo, baço, útero e rins. Em média, a sua meia-vida é de

32 horas. É excretado principalmente nas fezes.