Rang e Dale: Farmacologia
Estrógenos e compostos relacionados
intravenosa para o tratamento de hipercalcemia da malignidade ou para
doença de Paget. O ibandronato é administrado de forma intravenosa a cada
3 a 4 semanas em pacientes com câncer de mama metastático ósseo ou a
cada 3 meses para o tratamento de osteoporose pós-menopausa. O
zoledronato, cuja administração é intravenosa, é utilizado no caso de
malignidades avançadas envolvendo o osso, na doença de Paget e em casos
selecionados de osteoporose (pós-menopausa ou em homens), quando é
administrado uma vez por ano ou ainda com menor frequência (ver boxe
clínico adiante).
ESTRÓGENOS E COMPOSTOS RELACIONADOS
O declínio do estrógeno endógeno é fator importante na osteoporose pós-
menopausa, e há evidências de que a administração de estrógenos como
terapia de reposição hormonal (TRH, ver Capítulo 36) pode melhorar essa
condição. Como a TRH tem ações em muitos sistemas, têm sido
desenvolvidos agentes (p. ex., raloxifeno, ver Capítulo 36) que mostram
ações agonistas em alguns tecidos e ações antagonistas em outros. Esses
agentes são denominados moduladores seletivos de receptores de
estrógenos (SERM; do inglês, selective estrogen receptor modulators).
Raloxifeno
O raloxifeno é um SERM que estimula os osteoblastos e inibe os
osteoclastos. Apresenta também ações agonistas no sistema cardiovascular
e atividade antagonista em tecido mamário e no útero.
Bifosfonatos
• São análogos estáveis do pirofosfato ativos por via oral, os quais são incorporados ao osso
em remodelação e permanecem nesse local por meses ou anos
• São liberados quando ocorre a reabsorção óssea mediada pelos osteoclastos, expondo os
osteoclastos a seus efeitos
• Os compostos de primeira geração (p. ex., etidronato) atuam promovendo a apoptose
dos osteoclastos
• Os compostos de segunda geração (p. ex., risedronato), com cadeias laterais contendo
nitrogênio, são muito mais potentes e previnem a ação dos osteoclastos por meio da
inibição da prenilação necessária para o ancoramento de proteínas funcionais da
membrana
• Utilizados por longos períodos para tratamento da osteoporose e na doença de Paget
sintomática
• Os principais efeitos adversos são os distúrbios gastrintestinais (especialmente
esofágicos); um efeito adverso raro, mas grave, dos fármacos mais potentes
(particularmente o zoledronato) é a osteonecrose da mandíbula.
Usos clínicos dos bifosfonatos
• Osteoporose:
– Prevenção “primária” de fraturas em indivíduos de alto risco (p. ex., com osteoporose
estabelecida, muitos fatores de risco para osteoporose, sistemicamente tratados com
glicocorticoides)
– Prevenção “secundária” após fratura osteoporótica
– O alendronato por via oral, administrado diária ou semanalmente, em conjunto
com cálcio e vitamina D3. O risedronato ou o etidronato são alternativas; o zoledronato é administrado anualmente ou com menos frequência por meio de
infusão intravenosa; é o bifosfonato mais potente e com maior potencial para causar
osteonecrose da mandíbula – um exame dentário e tratamentos dentários são pré-
requisitos para o tratamento
• Doença maligna envolvendo o osso (p. ex., câncer de mama metastático, mieloma
múltiplo):
– Para reduzir a lesão e a dor óssea e a hipercalcemia (p. ex., clodronato,
ibandronato, zoledronato)
• Doença de Paget do osso (p. ex., risedronato, pamidronato), administrados de modo
intermitente conforme necessário em pacientes que estejam sintomáticos.
É bem absorvido no trato gastrintestinal e está sujeito a um extenso
metabolismo de primeira passagem no fígado, produzindo glicuronídeos
que sofrem reciclagem êntero-hepática. A biodisponibilidade é de apenas
cerca de 2%. Apesar da baixa concentração plasmática, o raloxifeno está
concentrado nos tecidos e é convertido em um metabólito ativo em fígado,
pulmões, tecido ósseo, baço, útero e rins. Em média, a sua meia-vida é de
32 horas. É excretado principalmente nas fezes.