Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 113 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Partição na gordura corporal e em outros tecidos

Ligação de fármacos às proteínas plasmáticas

 

• A albumina plasmática liga principalmente fármacos ácidos (aproximadamente duas

moléculas por molécula de albumina)

• A saturação da ligação pode produzir uma reação não linear entre a dose e a concentração

de fármaco livre (ativo), mas o intervalo de concentração e caz da maioria dos fármacos

terapêuticos é inferior àquela necessária para atividade

• A ligação a proteínas plasmáticas é uma fonte de variação entre espécies, sendo

importante na interpretação dos estudos farmacológicos pre‐clinicos e na estimativa da

primeira dose em humanos

• A β-globulina e a glicoproteína ácida também ligam alguns fármacos

• Uma extensa ligação proteica retarda a eliminação do fármaco (metabolismo e/ou

ltração glomerular)

• A competição entre fármacos pela ligação proteica pode, embora raramente, levar a

interações medicamentosas clinicamente importantes, mas isso é pouco frequente.

 

PARTIÇÃO NA GORDURA CORPORAL E EM OUTROS

TECIDOS

A gordura representa um grande compartimento apolar. Na prática, isso é

importante somente para alguns fármacos, especialmente porque o

coeficiente de partição óleo:água efetivo é relativamente baixo para a

maioria dos fármacos. A morfina, por exemplo, apesar de ser lipossolúvel o

bastante para atravessar a barreira hematencefálica, tem um coeficiente de

partição óleo:água de apenas 0,4 e, por isso, seu sequestro pela gordura

corporal é de pequena importância. Por outro lado, o tiopental (coeficiente

de partição óleo:água de aproximadamente 10) acumula-se substancialmente no tecido adiposo. Isso apresenta consequências

importantes que limitam sua utilidade como um anestésico intravenoso para

início imediato (“indução”) da anestesia e foi substituído pelo propofol em

muitos países, mesmo para essas indicações (ver Capítulo 42).

O segundo fator que limita o acúmulo de fármacos na gordura é o seu

baixo suprimento sanguíneo – menos de 2% do débito cardíaco.

Consequentemente, os fármacos são levados lentamente para a gordura

corporal, e o equilíbrio teórico da distribuição entre gordura e água corporal

é retardado. Para fins práticos, portanto, a partição na gordura corporal

quando os fármacos são administrados agudamente é importante somente

para alguns poucos fármacos altamente lipossolúveis (p. ex., anestésicos

gerais; ver Capítulo 42). Contudo, quando fármacos lipossolúveis são

administrados cronicamente, o acúmulo no tecido adiposo é geralmente

significativo (p. ex., benzodiazepínicos; ver Capítulo 45). Além disso,

alguns fármacos e contaminantes ambientais (como os inseticidas), se

ingeridos regularmente, acumulam-se de maneira lenta, mas progressiva, no

tecido adiposo.

A gordura não é o único tecido em que os fármacos podem se acumular.

A cloroquina – um medicamento antimalárico (ver Capítulo 55) – tem alta

afinidade pela melanina, sendo captada por tecidos como a retina, rica em

grânulos de melanina, responsável por sua toxicidade ocular. As

tetraciclinas (ver Capítulo 52) acumulam-se lentamente em ossos e dentes,

pois apresentam alta afinidade pelo cálcio, não devendo, por isso, ser

administradas a crianças. Concentrações muito altas de amiodarona (um

fármaco usado no tratamento de arritmias cardíacas; ver Capítulo 22)

acumulam-se no fígado e pulmões, podendo causar efeitos adversos como

hepatite e fibrose intersticial.