Rang e Dale: Farmacologia
Partição na gordura corporal e em outros tecidos
Ligação de fármacos às proteínas plasmáticas
• A albumina plasmática liga principalmente fármacos ácidos (aproximadamente duas
moléculas por molécula de albumina)
• A saturação da ligação pode produzir uma reação não linear entre a dose e a concentração
de fármaco livre (ativo), mas o intervalo de concentração e caz da maioria dos fármacos
terapêuticos é inferior àquela necessária para atividade
• A ligação a proteínas plasmáticas é uma fonte de variação entre espécies, sendo
importante na interpretação dos estudos farmacológicos pre‐clinicos e na estimativa da
primeira dose em humanos
• A β-globulina e a glicoproteína ácida também ligam alguns fármacos
• Uma extensa ligação proteica retarda a eliminação do fármaco (metabolismo e/ou
ltração glomerular)
• A competição entre fármacos pela ligação proteica pode, embora raramente, levar a
interações medicamentosas clinicamente importantes, mas isso é pouco frequente.
PARTIÇÃO NA GORDURA CORPORAL E EM OUTROS
TECIDOS
A gordura representa um grande compartimento apolar. Na prática, isso é
importante somente para alguns fármacos, especialmente porque o
coeficiente de partição óleo:água efetivo é relativamente baixo para a
maioria dos fármacos. A morfina, por exemplo, apesar de ser lipossolúvel o
bastante para atravessar a barreira hematencefálica, tem um coeficiente de
partição óleo:água de apenas 0,4 e, por isso, seu sequestro pela gordura
corporal é de pequena importância. Por outro lado, o tiopental (coeficiente
de partição óleo:água de aproximadamente 10) acumula-se substancialmente no tecido adiposo. Isso apresenta consequências
importantes que limitam sua utilidade como um anestésico intravenoso para
início imediato (“indução”) da anestesia e foi substituído pelo propofol em
muitos países, mesmo para essas indicações (ver Capítulo 42).
O segundo fator que limita o acúmulo de fármacos na gordura é o seu
baixo suprimento sanguíneo – menos de 2% do débito cardíaco.
Consequentemente, os fármacos são levados lentamente para a gordura
corporal, e o equilíbrio teórico da distribuição entre gordura e água corporal
é retardado. Para fins práticos, portanto, a partição na gordura corporal
quando os fármacos são administrados agudamente é importante somente
para alguns poucos fármacos altamente lipossolúveis (p. ex., anestésicos
gerais; ver Capítulo 42). Contudo, quando fármacos lipossolúveis são
administrados cronicamente, o acúmulo no tecido adiposo é geralmente
significativo (p. ex., benzodiazepínicos; ver Capítulo 45). Além disso,
alguns fármacos e contaminantes ambientais (como os inseticidas), se
ingeridos regularmente, acumulam-se de maneira lenta, mas progressiva, no
tecido adiposo.
A gordura não é o único tecido em que os fármacos podem se acumular.
A cloroquina – um medicamento antimalárico (ver Capítulo 55) – tem alta
afinidade pela melanina, sendo captada por tecidos como a retina, rica em
grânulos de melanina, responsável por sua toxicidade ocular. As
tetraciclinas (ver Capítulo 52) acumulam-se lentamente em ossos e dentes,
pois apresentam alta afinidade pelo cálcio, não devendo, por isso, ser
administradas a crianças. Concentrações muito altas de amiodarona (um
fármaco usado no tratamento de arritmias cardíacas; ver Capítulo 22)
acumulam-se no fígado e pulmões, podendo causar efeitos adversos como
hepatite e fibrose intersticial.