Rang e Dale: Farmacologia
Biossíntese e regulação dos peptídios
(peptidomiméticos). Apesar de tudo, nos últimos anos, o uso de métodos de
triagem aleatória levou (para desgosto dos racionalistas) à descoberta de
muitos antagonistas – mas poucos agonistas – não peptídicos para
receptores peptídicos.
TIPOS DE MEDIADORES PROTEICOS E PEPTÍDICOS
Os mediadores proteicos e peptídicos, que são secretados pelas células e
atuam em receptores localizados na superfície das mesmas, ou de outras
células, podem ser amplamente divididos em quatro grupos:
• Neurotransmissores (p. ex., peptídios opioides endógenos, ver Capítulo
43) e mediadores neuroendócrinos (p. ex., vasopressina, somatostatina,
hormônios de liberação hipotalâmica, hormônio adrenocorticotrófico
[ACTH], hormônio luteinizante [LH], hormônio foliculoestimulante
[FSH] e hormônio estimulante da tireoide [TSH], ver Capítulos 34 a
36), não discutidos mais neste capítulo
• Hormônios de fontes não neurais: compreendem peptídios derivados do
plasma, notavelmente angiotensina (ver Capítulo 23) e bradicinina, bem
como outros hormônios como insulina (ver Capítulo 32), endotelina
(ver Capítulo 23), peptídio natriurético atrial (ver Capítulo 22) e leptina
(ver Capítulo 33)
• Fatores de crescimento: produzidos por muitas células e tecidos
distintos que controlam o crescimento e a diferenciação celular
(especialmente, em adultos, no sistema hematopoético; ver Capítulo 26)
• Mediadores do sistema imunológico (citocinas, ver adiante).
BIOSSÍNTESE E REGULAÇÃO DOS PEPTÍDIOS
A estrutura peptídica está, é claro, diretamente codificada no genoma, o que
não ocorre, por exemplo, com a estrutura da acetilcolina, de modo que a
produção intracelular é uma questão de síntese proteica convencional. A
síntese de peptídios inicia-se com a produção de uma proteína precursora na
qual a sequência peptídica final desejada está inserida. Enzimas
proteolíticas específicas extraem o peptídio ativo maduro de dentro dessa
sequência peptídica, um processo mais de escultura do que de síntese. A
proteína precursora é acondicionada dentro de vesículas no momento da
síntese e o peptídio ativo é formado in situ, pronto para a sua liberação
(Figura 19.1). Assim, não existe a necessidade de vias biossintéticas
especializadas ou de mecanismos de captação ou captura, que são
importantes na síntese e na liberação da maioria dos mediadores não
peptídicos (p. ex., 5-hidroxitriptamina [5-HT]; ver Capítulo 16).
Figura 19.1 Mecanismos celulares de síntese e liberação de peptídios. As proteínas sintetizadas pelos ribossomos são passadas pela membrana do retículo endoplasmático rugoso, de onde são levadas em vesículas de transporte para o aparelho de Golgi. Neste elas são selecionadas e acondicionadas em vesículas secretórias. O processamento (clivagem, glicosilação, amidação, sulfatação etc.) ocorre dentro das vesículas de transporte e das vesículas secretórias, e os produtos são liberados da célula por exocitose. A secreção constitutiva (p. ex., proteínas plasmáticas e fatores da coagulação pelos hepatócitos) ocorre continuamente, com pouco material sendo armazenado em vesículas secretórias. A secreção regulada (p. ex., de neuropeptídios ou citocinas) ocorre em resposta ao aumento do nível intracelular de Ca 2+ ou a outros sinais intracelulares, e o material é caracteristicamente armazenado em quantidades significativas nas vesículas secretórias aguardando a liberação.