Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 219 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Biossíntese e regulação dos peptídios

(peptidomiméticos). Apesar de tudo, nos últimos anos, o uso de métodos de

triagem aleatória levou (para desgosto dos racionalistas) à descoberta de

muitos antagonistas – mas poucos agonistas – não peptídicos para

receptores peptídicos.

 

TIPOS DE MEDIADORES PROTEICOS E PEPTÍDICOS

Os mediadores proteicos e peptídicos, que são secretados pelas células e

atuam em receptores localizados na superfície das mesmas, ou de outras

células, podem ser amplamente divididos em quatro grupos:

 

• Neurotransmissores (p. ex., peptídios opioides endógenos, ver Capítulo

43) e mediadores neuroendócrinos (p. ex., vasopressina, somatostatina,

hormônios de liberação hipotalâmica, hormônio adrenocorticotrófico

[ACTH], hormônio luteinizante [LH], hormônio foliculoestimulante

[FSH] e hormônio estimulante da tireoide [TSH], ver Capítulos 34 a

36), não discutidos mais neste capítulo

• Hormônios de fontes não neurais: compreendem peptídios derivados do

plasma, notavelmente angiotensina (ver Capítulo 23) e bradicinina, bem

como outros hormônios como insulina (ver Capítulo 32), endotelina

(ver Capítulo 23), peptídio natriurético atrial (ver Capítulo 22) e leptina

(ver Capítulo 33)

• Fatores de crescimento: produzidos por muitas células e tecidos

distintos que controlam o crescimento e a diferenciação celular

(especialmente, em adultos, no sistema hematopoético; ver Capítulo 26)

• Mediadores do sistema imunológico (citocinas, ver adiante).

 

BIOSSÍNTESE E REGULAÇÃO DOS PEPTÍDIOS

A estrutura peptídica está, é claro, diretamente codificada no genoma, o que

não ocorre, por exemplo, com a estrutura da acetilcolina, de modo que a

produção intracelular é uma questão de síntese proteica convencional. A

síntese de peptídios inicia-se com a produção de uma proteína precursora na

qual a sequência peptídica final desejada está inserida. Enzimas

proteolíticas específicas extraem o peptídio ativo maduro de dentro dessa

sequência peptídica, um processo mais de escultura do que de síntese. A

proteína precursora é acondicionada dentro de vesículas no momento da

síntese e o peptídio ativo é formado in situ, pronto para a sua liberação

(Figura 19.1). Assim, não existe a necessidade de vias biossintéticas

especializadas ou de mecanismos de captação ou captura, que são

importantes na síntese e na liberação da maioria dos mediadores não

peptídicos (p. ex., 5-hidroxitriptamina [5-HT]; ver Capítulo 16).

Figura 19.1 Mecanismos celulares de síntese e liberação de peptídios. As proteínas sintetizadas pelos ribossomos são passadas pela membrana do retículo endoplasmático rugoso, de onde são levadas em vesículas de transporte para o aparelho de Golgi. Neste elas são selecionadas e acondicionadas em vesículas secretórias. O processamento (clivagem, glicosilação, amidação, sulfatação etc.) ocorre dentro das vesículas de transporte e das vesículas secretórias, e os produtos são liberados da célula por exocitose. A secreção constitutiva (p. ex., proteínas plasmáticas e fatores da coagulação pelos hepatócitos) ocorre continuamente, com pouco material sendo armazenado em vesículas secretórias. A secreção regulada (p. ex., de neuropeptídios ou citocinas) ocorre em resposta ao aumento do nível intracelular de Ca 2+ ou a outros sinais intracelulares, e o material é caracteristicamente armazenado em quantidades significativas nas vesículas secretórias aguardando a liberação.