Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 88 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Resposta imune adaptativa

A resposta adaptativa fornece a base celular para a “memória imunológica”.

Proporciona uma defesa mais poderosa do que a conferida pela resposta

inata, além de ser altamente específica para o patógeno invasor. Neste

capítulo, é feito um esboço simplificado com ênfase nos aspectos relevantes

para compreender a ação dos fármacos; para uma abordagem mais

detalhada, consulte os livros listados na seção Referências e Leitura

Complementar, no final deste capítulo.

As principais células são os linfócitos,6 os quais são células de sobrevida

prolongada que derivam de células precursoras localizadas na medula

óssea. Após serem liberados no sangue, os linfócitos amadurecem e passam

a residir nos tecidos linfoides, como os linfonodos e o baço. Nesses locais,

estão preparados para detectar, interceptar e identificar proteínas estranhas

que lhes são apresentadas pelas células apresentadoras de antígenos (APC;

do inglês, antigen presenting cells), como macrófagos ou células

dendríticas. Os três grupos principais de linfócitos são:

• Células B, cuja maturação ocorre na medula óssea. São responsáveis

pela produção de anticorpos (a resposta imune humoral)

• Células T, cuja maturação ocorre no timo. São importantes na fase de

indução da resposta imune e nas reações imunológicas mediadas por

células

• Células NK, que, na verdade, fazem parte do sistema inato. São ativadas

por interferonas e liberam grânulos citotóxicos que destroem as células-

alvo identificadas como “estranhas” ou anormais.

 

▼ A Figura 7.3 mostra como essas células surgem. As APC ingerem e

processam os antígenos (A–D) e apresentam fragmentos às células T

CD4 naive em conjunto com as moléculas MHC classe II, ou às células

T CD8 naive em conjunto com as moléculas MHC classe I, ativando-as.

As células T CD4+ ativadas sintetizam e expressam receptores de IL-2 e

liberam essa citosina, que estimula as células por ação autócrina,

originando a geração e produção de células T-helper zero (Th0). As

citocinas autócrinas (p. ex., IL-4) causam diferenciação de algumas

células Th0 para originar células Th2, que são responsáveis pelo

desenvolvimento de respostas imunes mediadas por anticorpos. Essas

células Th2 (e por vezes Th1) cooperam e ativam células B para

proliferar e, por fim, dar origem a células B de memória (MB) e células

plasmáticas (P), que segregam anticorpos. As células T que auxiliam as

células B dessa maneira são referidas como células T FH (auxiliares

foliculares). A estimulação adicional por citocinas autócrinas (p. ex., IL-

2,6) causa proliferação de células Th0 para originar células Th1, Th17

ou iTreg. As células Th1 e Th17 secretam citocinas que ativam os

macrófagos (responsáveis por algumas reações imunes mediadas por

células). As iTreg (Treg indutíveis derivadas de precursores Th0) e a

nTreg (células Treg de ocorrência natural maturadas no timo)

restringem e inibem o desenvolvimento da resposta imune, prevenindo,

assim, a autoimunidade e a ativação imunológica excessiva. As células

T CD8+ ativadas (E) também sintetizam e expressam receptores de IL-2

e liberam IL-2, que estimulam as células por ação autócrina a proliferar

e dar origem a células T citotóxicas (TC). Estas podem matar células

infectadas por vírus. A IL-2 segregada por células CD4+ também

desempenha um papel na estimulação das células CD8+ para proliferar.

Observe que a “fase efetora” descrita anteriormente se refere à ação

“protetora” da resposta imune. Quando a resposta é inadequadamente

implantada – como nas condições inflamatórias crônicas, como artrite

reumatoide – o componente Th1/Th17 da resposta imune é dominante e