Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 291 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Estatinas | Inibidores da HMG-CoA redutase

• Inibidores PCSK9

• Fibratos

• Inibidores da absorção de colesterol

• Ácido nicotínico e seus derivados.

 

ESTATINAS | INIBIDORES DA HMG-COA REDUTASE

A etapa enzimática limitante na síntese do colesterol é a HMG-CoA

redutase, que catalisa a conversão de HMG-CoA a ácido mevalônico (ver

Figura 24.1). Sinvastatina, lovastatina e pravastatina são inibidores

competitivos, específicos e reversíveis da HMG-CoA redutase, com valores

de Ki de aproximadamente 1 nmol/ ℓ . Atorvastatina e rosuvastatina são inibidores de ação prolongada. A diminuição da síntese hepática de

colesterol suprarregula (upregulates) a síntese do receptor de LDL,

aumentando a remoção de LDL do plasma para os hepatócitos. O principal

efeito bioquímico das estatinas, portanto, é reduzir o LDL plasmático.

Também há certa redução dos triglicerídios plasmáticos e aumento do HDL.

Vários grandes ensaios aleatórios (randomizados) controlados com placebo

sobre os efeitos dos inibidores da HMG-CoA redutase sobre morbidade e

mortalidade têm sido positivos.

▼ O Scandinavian Simvastatin Survival Study (4S) recrutou pacientes

com cardiopatia isquêmica e colesterol plasmático entre 5,5 e 8,0 mmol/

ℓ ; a sinvastatina reduziu o LDL sérico em 35% e as mortes em 30%

(Figura 24.2). Houve redução da morte por doença coronária de 42%.

Outros grandes ensaios confirmaram a redução da mortalidade não só

de pacientes com cardiopatia isquêmica estabelecida, mas também em

pessoas aparentemente sadias com alto risco de coronariopatia, com

uma ampla variação de valores plasmáticos de colesterol e outros

fatores de risco e tratadas com diferentes estatinas. A redução intensiva

de LDL com atorvastatina em dose de 80 mg teve um efeito maior sobre

a taxa de eventos que uma dose de 10 mg, mas com maior incidência de

atividade anormalmente elevada das transaminases plasmáticas

(evidência de dano hepático). Nos ensaios de prevenção secundária com

estatinas, a taxa de eventos cardiovasculares relacionou-se de maneira

aproximadamente linear com o LDL plasmático obtido em uma faixa de

concentrações de aproximadamente 1,8 a 4,9 mmol/ ℓ , e a taxa de

eventos fica na mesma proporção em pacientes tratados com placebo e

com estatinas, sugerindo que o LDL plasmático seja um marcador

substituto válido para o risco cardiovascular neste contexto.

 

■ Outras ações das estatinas

Produtos da via do mevalonato reagem com a proteína (“lipidação”, que é a

adição de grupos hidrofóbicos como prenil ou farnesil a uma proteína).

Algumas importantes enzimas ligadas à membrana (p. ex., NO sintase

endotelial; ver Capítulo 21) são modificadas dessa maneira. Os ácidos

graxos servem como âncoras, fixando a enzima em organelas como as

cavéolas e o aparelho de Golgi. Consequentemente, há interesse nos efeitos

das estatinas não relacionados ou indiretamente relacionados com seu efeito

sobre o LDL plasmático (algumas vezes denominados efeitos

pleiotrópicos). Algumas dessas ações são indesejáveis (p. ex., a HMG-CoA

redutase orienta as células germinativas primordiais em migração, estando

contraindicado o uso de estatinas durante a gravidez), mas algumas

oferecem promessa terapêutica. Tais ações potencialmente benéficas

incluem:

Figura 24.2 Sobrevida em pacientes com coronariopatia e colesterol sérico de 5,5 a

 

8,0 mmol/ ℓ tratados com placebo ou com sinvastatina. O risco relativo de morte no grupo da sinvastatina foi de 0,70 (0,58 a 0,85 com 95% de intervalo de confiança). (Com base no estudo 4S, 1994. Lancet 344, 1383–1389.)

 

• Melhora da função endotelial

• Redução da inflamação vascular

• Redução da agregação plaquetária

• Aumento da neovascularização em tecido isquêmico

• Aumento de células progenitoras endoteliais circulantes

• Estabilização da placa aterosclerótica

• Efeitos antitrombóticos

• Aumento da fibrinólise.

 

Não se sabe em que grau tais efeitos contribuem para as ações

antiateromatosas das estatinas.

■ Farmacocinética

As estatinas de ação curta são administradas por via oral, à noite, para

reduzir o pico matinal de síntese de colesterol. São bem absorvidas e

extraídas pelo fígado, seu local de ação, e sofrem extenso metabolismo pré-

sistêmico por meio das vias citocromo P450 e glicuronidação. A

sinvastatina é um profármaco inativo de lactona; é metabolizada no fígado

dando origem à sua forma ativa, o ácido graxo beta-hidroxilado

correspondente.

 

■ Efeitos adversos

As estatinas são bem toleradas; dentre os efeitos indesejáveis leves citam-se

dor muscular (mialgia), desconforto gastrintestinal, elevação das

concentrações plasmáticas de enzimas hepáticas, insônia e rash cutâneo.

Efeitos adversos mais sérios são raros, mas incluem dano do músculo

estriado (miosite que, quando é grave, é descrita como rabdomiólise) e

angioedema. A miosite é um efeito das estatinas como classe, e também

ocorre com outros redutores de lipídios (especialmente os fibratos) e está

relacionada com a dose.4 É mais comum nos pacientes com baixa massa

corporal magra ou hipotireoidismo não controlado.