Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 511 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Doença de Alzheimer

Acidente vascular encefálico

 

• Associado à trombose ou à hemorragia (menos comumente) intracerebral, resultando em

morte rápida dos neurônios por necrose no centro da lesão, seguida de degeneração mais

gradual (horas) das células na penumbra, por causa da excitotoxicidade e da in amação

• A recuperação funcional espontânea ocorre em grau altamente variável

• Embora muitos tipos de fármacos que interferem na excitotoxicidade sejam capazes de

reduzir o tamanho do infarto nos animais experimentais, nenhum destes foi

comprovadamente e caz nos seres humanos

• O ativador do plasminogênio tecidual recombinante (alteplase), que dissolve os coágulos

sanguíneos, é bené co se administrado em até 4,5 horas; antes da sua administração,

deve ser excluída a hipótese de AVE hemorrágico por meio de imagiologia.

 

DOENÇA DE ALZHEIMER

A perda da capacidade cognitiva com a idade é considerada um processo

normal, cuja velocidade e extensão são muito variáveis. A DA foi

originalmente definida como demência pré-senil; atualmente, no entanto,

parece que a mesma patologia está subjacente à demência

independentemente da idade do início do quadro. A DA refere-se à

demência de início gradual na idade adulta, que pode acompanhar lesão

cerebral anterior, mas frequentemente não tem nenhuma causa antecedente

conhecida. Sua prevalência aumenta abruptamente com a idade, desde cerca

de 2% naqueles com idade de 65 a 69 anos a 20% em pessoas com 85 a 89

anos de idade. Os sintomas comuns de DA são dificuldade em recordar

nomes e eventos recentes, perda de funções executivas, apatia e depressão.

A demência relacionada com a idade foi originalmente considerada como

resultando de um estado de perda de neurônios que acontece de forma natural ao longo da vida, possivelmente acelerada por uma falta de

fornecimento sanguíneo associado à aterosclerose. No entanto, os estudos

nos últimos anos têm revelado mecanismos genéticos e moleculares

específicos subjacentes à DA (Frigero e De Strooper, 2016). Tais avanços

deram a esperança de tratamentos mais efetivos, mas o sucesso tem se

mostrado ilusório, em parte porque muitos fatores, mais do que uma causa

única, contribuem para a doença e porque os sintomas da doença só se

tornam óbvios depois de a patologia subjacente ter progredido.

 

Figura 41.3 Patogênese da doença de Alzheimer. A. Estrutura do precursor da proteína amiloide (PPA), mostrando a origem do PPA secretado (sPPA) e a proteína amiloide Aβ. As regiões envolvidas nas mutações amiloidogênicas descobertas em alguns casos de doença de Alzheimer familiar são mostradas flanqueando a sequência Aβ. A clivagem do PPA envolve três proteases: as secretases α, β e γ . A α-secretase produz PPA solúvel, enquanto as β e γ-secretases geram a proteína amiloide Aβ. A γ-secretase pode cortar em diferentes pontos, gerando peptídios Aβ de extensões variadas, incluindo Aβ40 e Aβ42, tendo a última uma alta tendência para se agregar como placas amiloides. B. Processamento do PPA. A principal via “fisiológica” origina o sPPA, que exerce várias funções tróficas. A clivagem do PPA em diferentes locais origina a Aβ, sendo a forma predominante a Aβ40, que é fracamente amiloidogênica. As mutações no PPA ou nas pré-senilinas aumentam a proporção de PPA, que é degradado por intermédio da via amiloidogênica, assim como a proporção convertida para a forma Aβ42, mais fortemente amiloidogênica. A agregação da Aβ é prejudicada por mutações no gene apoE4. A hiperfosforilação da Tau resulta na dissociação desta dos microtúbulos para formar filamentos helicalmente pareados, os quais aumentam a toxicidade Aβ.