Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 704 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Infestações helmínticas

grande importância na prática terapêutica.

 

INFESTAÇÕES HELMÍNTICAS

Os helmintos compreendem dois grupos principais: os nematelmintos

(nematoides, vermes redondos) e os platelmintos (vermes achatados ou

planos). O último grupo está subdividido em trematódeos (fascíolas) e

cestoides (tênias). Quase 350 espécies de helmintos foram encontradas nos

seres humanos, e a maioria coloniza o trato gastrintestinal (GI). O alcance

mundial e a incidência da helmintíase foram revistos por Lustigman et al.

(2012).

Os helmintos têm ciclo de vida complexo, frequentemente envolvendo

várias espécies de hospedeiro. A infecção por helmintos pode ocorrer de

muitas maneiras, sendo a falta de higiene o fator contribuinte principal. Os

seres humanos são, em geral, os hospedeiros primários (ou definitivos) para

as infestações helmínticas, no sentido de que abrigam a forma reprodutiva

sexualmente madura. A ingestão direta é comum: ovos ou larvas nas fezes

de humanos infectados entram no solo e, subsequentemente, são ingeridos e

infectam o hospedeiro secundário (intermediário). Em alguns casos, os

ovos ou as larvas podem persistir no hospedeiro humano, tornando-se

encistados, recobertos com tecido granuloso, dando origem à cisticercose.

A larva encistada pode alojar-se nos músculos e nas vísceras ou, mais

seriamente, nos olhos ou no cérebro.

Aproximadamente 20 espécies de helmintos são consideradas

clinicamente significativas, e estas estão em duas categorias principais:

aquelas em que o verme vive no canal alimentar do hospedeiro e aquelas

em que o verme vive em outros tecidos do corpo do hospedeiro.

Os exemplos principais de vermes intestinais são:

• Tênias: Taenia saginata, Taenia solium, Hymenolepis nana e

Diphyllobothrium latum. Cerca de 85 milhões de pessoas na Ásia, na

África e em partes da América abrigam um ou outro desses tipos de

tênias. É provável que apenas os dois primeiros sejam vistos no Reino

Unido. Os hospedeiros intermediários usuais das tênias mais comuns (T.

saginata e T. solium) são o gado e os porcos. Os seres humanos

contaminam-se ao comer carne crua ou pouco cozida contendo a larva,

que se encontrava encistada no tecido muscular dos animais. A H. nana

pode existir tanto no estágio adulto (verme intestinal) quanto no estágio

larval no mesmo hospedeiro, que pode ser humano ou roedor, embora

alguns insetos (moscas, besouros) também possam servir como

hospedeiros intermediários. A infecção é, em geral, assintomática. O D.

latum contém dois hospedeiros intermediários sequenciais: um

crustáceo de água doce e um peixe de água doce. Os seres humanos

infectam-se ao comer o peixe cru, ou não completamente cozido,

contendo a larva

• Nematelmintos intestinais: Ascaris lumbricoides (nematelminto

comum), Enterobius vermicularis (nematoide filiforme, chamado de

oxiúro nos EUA), Trichuris trichiura (verme-chicote é o nome popular),

Strongyloides stercoralis (nematoide filiforme nos EUA), Necator

americanus e Ancylostoma duodenale (ancilóstomos). Mais uma vez, a

carne malcozida ou a comida contaminada são as causas mais

importantes das infecções por nematelmintos, nematoides filiformes e

vermes-chicotes, enquanto o ancilóstomo é geralmente adquirido

quando a larva penetra através da pele. A perda sanguínea intestinal é a

causa comum de anemia em regiões nas quais são endêmicos.

 

Os principais exemplos de vermes que vivem em outro lugar dos tecidos do

hospedeiro são:

• Fascíolas: Schistosoma haematobium, Schistosoma mansoni e

Schistosoma japonicum. Estes causam a esquistossomíase (bilharziose).

Os vermes adultos de ambos os sexos vivem e procriam nas veias ou

nas vênulas da bexiga ou da parede intestinal. A fêmea põe ovos que

passam para a bexiga ou para o intestino, desencadeando, então,

inflamação nesses órgãos. Isso resulta em hematúria no primeiro caso e,

ocasionalmente, em perda de sangue nas fezes, no último. Os ovos

desenvolvem-se na água depois de eliminados do corpo e, assim,

penetram no hospedeiro secundário – nesse caso, uma espécie particular

de caramujo. Depois de um período de desenvolvimento nesse

hospedeiro, emergem as cercárias de nado livre. Estas são capazes de

infectar humanos por meio da penetração pela pele. Cerca de 200

milhões de pessoas foram infectadas com esquistossomos dessa maneira

• Nematelmintos dos tecidos: Trichinella spiralis, Dracunculus

medinensis (filária) e as filárias, que incluem Wuchereria bancrofti, Loa

loa, Onchocerca volvulus e Brugia malayi. As filárias adultas vivem nos

linfáticos, tecidos conjuntivos ou mesentério do hospedeiro e produzem

embriões vivos ou microfilárias, que abrem caminho para a corrente

sanguínea e podem ser ingeridas por mosquitos ou outros insetos que

picam para se alimentar. Após um período de desenvolvimento dentro

desse anfitrião secundário, a larva passa pelo aparelho bucal do inseto,

infectando, assim, a próxima vítima. A maioria das filarioses é causada

por Wuchereria ou Brugia, que causam a obstrução dos vasos linfáticos,

produzindo a elefantíase – pernas desmesuradamente edemaciadas.

Outras doenças relacionadas são oncocercíase ou oncocercose (em que

a presença das microfilárias nos olhos provoca a “cegueira do rio” –

causa primária, que pode ser prevenida, de cegueira na África e na

América Latina) e loíase (em que as microfilárias causam inflamação na