Rang e Dale: Farmacologia
Infestações helmínticas
grande importância na prática terapêutica.
INFESTAÇÕES HELMÍNTICAS
Os helmintos compreendem dois grupos principais: os nematelmintos
(nematoides, vermes redondos) e os platelmintos (vermes achatados ou
planos). O último grupo está subdividido em trematódeos (fascíolas) e
cestoides (tênias). Quase 350 espécies de helmintos foram encontradas nos
seres humanos, e a maioria coloniza o trato gastrintestinal (GI). O alcance
mundial e a incidência da helmintíase foram revistos por Lustigman et al.
(2012).
Os helmintos têm ciclo de vida complexo, frequentemente envolvendo
várias espécies de hospedeiro. A infecção por helmintos pode ocorrer de
muitas maneiras, sendo a falta de higiene o fator contribuinte principal. Os
seres humanos são, em geral, os hospedeiros primários (ou definitivos) para
as infestações helmínticas, no sentido de que abrigam a forma reprodutiva
sexualmente madura. A ingestão direta é comum: ovos ou larvas nas fezes
de humanos infectados entram no solo e, subsequentemente, são ingeridos e
infectam o hospedeiro secundário (intermediário). Em alguns casos, os
ovos ou as larvas podem persistir no hospedeiro humano, tornando-se
encistados, recobertos com tecido granuloso, dando origem à cisticercose.
A larva encistada pode alojar-se nos músculos e nas vísceras ou, mais
seriamente, nos olhos ou no cérebro.
Aproximadamente 20 espécies de helmintos são consideradas
clinicamente significativas, e estas estão em duas categorias principais:
aquelas em que o verme vive no canal alimentar do hospedeiro e aquelas
em que o verme vive em outros tecidos do corpo do hospedeiro.
Os exemplos principais de vermes intestinais são:
• Tênias: Taenia saginata, Taenia solium, Hymenolepis nana e
Diphyllobothrium latum. Cerca de 85 milhões de pessoas na Ásia, na
África e em partes da América abrigam um ou outro desses tipos de
tênias. É provável que apenas os dois primeiros sejam vistos no Reino
Unido. Os hospedeiros intermediários usuais das tênias mais comuns (T.
saginata e T. solium) são o gado e os porcos. Os seres humanos
contaminam-se ao comer carne crua ou pouco cozida contendo a larva,
que se encontrava encistada no tecido muscular dos animais. A H. nana
pode existir tanto no estágio adulto (verme intestinal) quanto no estágio
larval no mesmo hospedeiro, que pode ser humano ou roedor, embora
alguns insetos (moscas, besouros) também possam servir como
hospedeiros intermediários. A infecção é, em geral, assintomática. O D.
latum contém dois hospedeiros intermediários sequenciais: um
crustáceo de água doce e um peixe de água doce. Os seres humanos
infectam-se ao comer o peixe cru, ou não completamente cozido,
contendo a larva
• Nematelmintos intestinais: Ascaris lumbricoides (nematelminto
comum), Enterobius vermicularis (nematoide filiforme, chamado de
oxiúro nos EUA), Trichuris trichiura (verme-chicote é o nome popular),
Strongyloides stercoralis (nematoide filiforme nos EUA), Necator
americanus e Ancylostoma duodenale (ancilóstomos). Mais uma vez, a
carne malcozida ou a comida contaminada são as causas mais
importantes das infecções por nematelmintos, nematoides filiformes e
vermes-chicotes, enquanto o ancilóstomo é geralmente adquirido
quando a larva penetra através da pele. A perda sanguínea intestinal é a
causa comum de anemia em regiões nas quais são endêmicos.
Os principais exemplos de vermes que vivem em outro lugar dos tecidos do
hospedeiro são:
• Fascíolas: Schistosoma haematobium, Schistosoma mansoni e
Schistosoma japonicum. Estes causam a esquistossomíase (bilharziose).
Os vermes adultos de ambos os sexos vivem e procriam nas veias ou
nas vênulas da bexiga ou da parede intestinal. A fêmea põe ovos que
passam para a bexiga ou para o intestino, desencadeando, então,
inflamação nesses órgãos. Isso resulta em hematúria no primeiro caso e,
ocasionalmente, em perda de sangue nas fezes, no último. Os ovos
desenvolvem-se na água depois de eliminados do corpo e, assim,
penetram no hospedeiro secundário – nesse caso, uma espécie particular
de caramujo. Depois de um período de desenvolvimento nesse
hospedeiro, emergem as cercárias de nado livre. Estas são capazes de
infectar humanos por meio da penetração pela pele. Cerca de 200
milhões de pessoas foram infectadas com esquistossomos dessa maneira
• Nematelmintos dos tecidos: Trichinella spiralis, Dracunculus
medinensis (filária) e as filárias, que incluem Wuchereria bancrofti, Loa
loa, Onchocerca volvulus e Brugia malayi. As filárias adultas vivem nos
linfáticos, tecidos conjuntivos ou mesentério do hospedeiro e produzem
embriões vivos ou microfilárias, que abrem caminho para a corrente
sanguínea e podem ser ingeridas por mosquitos ou outros insetos que
picam para se alimentar. Após um período de desenvolvimento dentro
desse anfitrião secundário, a larva passa pelo aparelho bucal do inseto,
infectando, assim, a próxima vítima. A maioria das filarioses é causada
por Wuchereria ou Brugia, que causam a obstrução dos vasos linfáticos,
produzindo a elefantíase – pernas desmesuradamente edemaciadas.
Outras doenças relacionadas são oncocercíase ou oncocercose (em que
a presença das microfilárias nos olhos provoca a “cegueira do rio” –
causa primária, que pode ser prevenida, de cegueira na África e na
América Latina) e loíase (em que as microfilárias causam inflamação na