Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 571 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fenitoína

clinicamente importantes. A oxcarbazepina é um profármaco metabolizado até um composto que se assemelha muito à carbamazepina, com ações

semelhantes, porém menor tendência para induzir enzimas que metabolizam fármacos. Outro fármaco relacionado estruturalmente, a eslicarbazepina, pode

apresentar menos efeitos sobre a metabolização de enzimas.

 

FENITOÍNA

A fenitoína é o membro mais importante do grupo de compostos da hidantoína e é estruturalmente relacionada com os barbitúricos. É altamente eficaz em

reduzir a intensidade e a duração de convulsões induzidas eletricamente em camundongos, embora seja ineficaz em convulsões induzidas por PTZ. Devido

aos seus muitos efeitos acessórios e a um comportamento farmacocinético imprevisível, o uso da fenitoína está diminuindo. O fármaco é eficaz em várias

formas de crises parciais e generalizadas, embora não em crises de ausência, que podem até piorar.

 

■ Aspectos farmacocinéticos

A fenitoína tem certas peculiaridades farmacocinéticas que precisam ser

levadas em consideração quando usada clinicamente. É bem absorvida por via oral, e cerca de 80 a 90% do conteúdo plasmático é ligado à albumina. Outros

fármacos, tais como os salicilatos, a fenilbutazona e o valproato, inibem sua

ligação competitivamente (ver Capítulo 58). Isso eleva a concentração de fenitoína livre, mas também aumenta a depuração hepática de fenitoína,

podendo potencializar ou reduzir o efeito da fenitoína de modo imprevisível. A fenitoína é metabolizada pelo sistema de oxidases de função mista hepática e

eliminada principalmente como glicuronídio. Causa indução enzimática e, desse modo, aumenta a taxa de metabolismo de outros fármacos (p. ex., anticoagulantes orais). O metabolismo da própria fenitoína pode ser aumentado ou competitivamente inibido por vários outros fármacos que compartilham as mesmas enzimas hepáticas. O fenobarbital produz ambos os efeitos, e como a

inibição competitiva é imediata, enquanto a indução leva tempo, ele inicialmente aumenta e depois reduz a atividade farmacológica da fenitoína. O

etanol tem efeito duplo semelhante.

O metabolismo da fenitoína mostra a característica de saturação (ver

Capítulo 11), o que significa que, acima da faixa de concentração plasmática terapêutica, a taxa de inativação não aumenta em proporção com a

concentração plasmática. As consequências disso são as seguintes:

• A meia-vida plasmática (aproximadamente 20 horas) passa a ser maior à

medida que aumenta a dose

• A concentração plasmática média do estado de equilíbrio, obtida quando

um paciente recebe dose diária constante, varia sem proporção com a dose.

A Figura 46.4 mostra que, em um paciente, o aumento da dose em 50% fez

com que a concentração plasmática do estado de equilíbrio aumentasse

mais de 4 vezes.

A faixa de concentração plasmática acima da qual a fenitoína é eficaz sem causar efeitos adversos excessivos é bem estreita (aproximadamente 40 a 100

mol/l). A relação muito íngreme entre a dose e a concentração plasmática e os muitos fatores interatuantes significam que há considerável variação individual

na concentração plasmática obtida com determinada dose. O monitoramento regular da concentração plasmática tem ajudado consideravelmente a obter o

efeito terapêutico ótimo. A tendência, no passado, era acrescentar mais fármacos em casos nos quais um fármaco único falhasse em oferecer o controle adequado. Agora, reconhece-se que grande parte da imprevisibilidade

pode ser atribuída à variabilidade farmacocinética, e o monitoramento regular da concentração plasmática tem reduzido o uso de polifarmácia.

■ Efeitos adversos

Os efeitos adversos da fenitoína começam a aparecer com concentrações

plasmáticas que excedam 100 mol/l e podem ser graves acima de cerca de 150 mol/l. Os efeitos adversos mais leves incluem vertigem, ataxia, cefaleia e

nistagmo, mas não sedação. Em concentrações plasmáticas mais elevadas, ocorre confusão acentuada com deterioração intelectual; o aumento paradoxal

da frequência das crises é uma armadilha em particular para o profissional que prescreva de maneira incauta. Esses efeitos ocorrem agudamente e são rapidamente reversíveis. É frequente a ocorrência gradual de hiperplasia das

gengivas, assim como hirsutismo e feições mais grosseiras, que provavelmente resultam do aumento da secreção de andrógenos. Anemia megaloblástica,

associada à alteração do metabolismo do folato, ocorre algumas vezes e pode

ser corrigida administrando-se ácido fólico (ver Capítulo 26). Reações de

hipersensibilidade, principalmente erupções (rashes), são bem comuns. A fenitoína também tem sido implicada como causa de aumento da incidência de

malformações fetais em crianças que nasceram de mães epilépticas, particularmente a ocorrência de fenda palatina, associada à formação de metabólito epóxido. Ocorrem reações idiossincráticas intensas, incluindo

hepatite, reações cutâneas e alterações linfocitárias neoplásicas, em pequena proporção de pacientes.