Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 86 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

7 Mecanismos Celulares | Defesa do Hospedeiro

CONSIDERAÇÕES GERAIS

 

Todas as pessoas já passaram por um episódio inflamatório em algum

momento da vida, motivo pelo qual estão familiarizadas com os sintomas

característicos de rubor, intumescimento, calor, dor e perda da função no

local da lesão, por vezes acompanhada de febre e mal-estar. Os mediadores

inflamatórios são considerados à parte, nos Capítulos 18 e 19; aqui nos

centramo nos componentes celulares envolvidos na resposta de defesa do

hospedeiro, explicando a estrutura básica desse crucial e sofisticado

mecanismo. A compreensão dessas respostas celulares e de suas funções

fornece a base essencial que permite o entendimento das ações dos

fármacos anti-inflamatórios e imunossupressores – uma das principais

classes de agentes terapêuticos com múltiplas aplicacões clínicas (ver

Capítulo 27).

 

INTRODUÇÃO

Todas as criaturas vivas vêm à luz em um mundo que impõe desafios

constantes a seu bem-estar e sobrevivência. A evolução nos tem provido de

sistemas homeostáticos para a manutenção de um ambiente interno estável

diante das variações das temperaturas externas e das flutuações de

suprimento de alimento e água. Do mesmo modo, a evolução fornece

mecanismos para combater a ameaça sempre presente da infecção, bem

como promover a cicatrização e a restauração da função normal no caso de

eventos lesivos. Nos mamíferos, essa função é auxiliada pelos sistemas

imunes inato e adquirido (ou adaptativo). Esses sistemas trabalham em

conjunto com uma variedade de mediadores e mecanismos que, quando

implantados coletivamente, dão origem ao que chamamos de resposta

inflamatória. Em geral, essa resposta atua no sentido de nos proteger,

embora ocasionalmente apresente falhas, levando a um espectro de doenças

autoimunes e inflamatórias que requerem terapia medicamentosa para

restaurar a ordem.

Por conseguinte, as principais funções dessa resposta inflamatória do

hospedeiro são defesa e reparação – em outras palavras, nada menos que a

biossegurança e a sobrevivência do organismo em andamento. A

imunodeficiência decorrente, por exemplo, de causas genéticas (p. ex.,

deficiência de adesão de leucócitos), infecção por organismos como HIV,

exposição excessiva a radiação ou fármacos imunossupressores é, em geral,

uma condição com risco à vida.

Assim como os sistemas de segurança aeroportuária no mundo material,

o corpo tem os equivalentes celulares e moleculares de guardas,

verificações de identidade, sistemas de alarme e uma rede de comunicação

com a qual convocar o back-up quando necessário. Também tem acesso a

um banco de dados surpreendente que armazena detalhes moleculares

precisos de intrusos ilegais anteriores e os impede de retornar. Essa resposta do hospedeiro tem dois componentes principais, que trabalham lado a lado.

Estas são:

 

• Resposta inata, “não adaptativa”. Esta desenvolveu-se cedo na evolução

e está presente em praticamente todos os organismos. De fato, algumas

das principais famílias de genes de mamíferos e outros componentes

foram primeiramente identificadas em plantas e insetos. Essa é a

primeira linha de defesa

• Resposta imune adaptativa. Trata-se de uma resposta que apareceu bem

mais tarde em termos evolucionários, sendo encontrada apenas nos

vertebrados. Fornece a base física para nossa “memória” imunológica e

constitui a segunda, e extremamente eficaz, linha de defesa.

 

Resposta in amatória

 

• A resposta in amatória ocorre nos tecidos após lesão ou exposição a um patógeno ou

outra substância nociva

• Em geral, contém dois componentes: uma resposta inata não adaptativa e uma resposta

imunológica adaptativa (adquirida ou especí ca)

• Tais reações são geralmente protetoras, embora passem a ser deletérias quando se

desenrolam de maneira inadequada

• O resultado normal da resposta é a cura, com ou sem formação de cicatriz. De modo

alternativo, mediante a persistência da causa subjacente, o resultado é uma in amação

crônica

• Um número signi cativo de doenças que requerem tratamento farmacológico envolve

in amação. Para entender a ação e o uso dos fármacos anti-in amatórios e

imunossupressores, é necessário compreender a reação in amatória.