Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 284 de 751

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Hipertensão pulmonar

assim como outros vasodilatadores (p. ex., PGI2, peptídio relacionado ao gene da calcitonina [CGRP]), que podem ter efeitos surpreendentemente

prolongados, superando a sua presença na circulação, mas os quais são

difíceis de administrar.

 

HIPERTENSÃO PULMONAR

Após o nascimento, a resistência vascular pulmonar se torna muito mais

baixa do que a resistência vascular sistêmica, e a pressão sistólica na artéria

pulmonar em adultos normais é de aproximadamente 20 mmHg.13

A pressão na artéria pulmonar é muito menos fácil de medir do que a

pressão sistêmica, em geral exigindo cateterização cardíaca; desse modo,

normalmente apenas quadros graves de hipertensão pulmonar sintomática

tendem a ser diagnosticados. A hipertensão pulmonar geralmente causa

certa regurgitação de sangue do ventrículo direito para o átrio direito. Essa

regurgitação da tricúspide pode ser usada para a estimativa indireta da

pressão da artéria pulmonar por ultrassonografia. A hipertensão pulmonar

raramente pode ser idiopática (i. e., de causa desconhecida, uma forma

grave e progressiva), porém é mais regularmente associada a alguma outra

doença. Pode ser resultado de um aumento do débito cardíaco (como

ocorre, p. ex., em pacientes com cirrose hepática – em cuja condição a

vasodilatação pode acompanhar exposição subclínica intermitente a

endotoxinas bacterianas – ou em pacientes com conexões congênitas entre

as circulações sistêmica e pulmonar). A vasoconstrição e/ou o estreitamento

estrutural das artérias de resistência pulmonares aumentam a pressão na

artéria pulmonar, mesmo que o débito cardíaco seja normal. Em algumas

situações, há aumento tanto do débito cardíaco como da resistência vascular

pulmonar.

Na etiologia da hipertensão pulmonar está implicada uma disfunção

endotelial (ver pp. 291-295 e também Capítulos 24 e 25). Fármacos (p. ex.,

anorexígenos incluindo a dexfenfluramina, agora retirados do mercado) e

toxinas (p. ex., monocrotalina) podem causar hipertensão pulmonar. Uma

causa principal adicional ou um fator agravante é a oclusão das artérias

pulmonares com, por exemplo, êmbolos pulmonares recorrentes (ver

Capítulo 25); nesta eventualidade, a anticoagulação (ver Capítulo 25)

compõe parte importante do tratamento. Em pacientes com anemia

falciforme (ver Capítulo 26), os agregados de hemácias deformadas podem

ocluir artérias pulmonares pequenas.

O aumento da resistência vascular pulmonar pode, alternativamente,

decorrer de vasoconstrição e/ou de alterações estruturais nas paredes das

artérias de resistência pulmonares. Muitas das doenças (p. ex., esclerose

sistêmica) associadas ao fenômeno de Raynaud mencionado no tópico

anterior também se associam com hipertensão pulmonar. A vasoconstrição

pode preceder a proliferação celular e a hipertrofia medial que causa o

espessamento das paredes na vasculatura pulmonar. Os antagonistas de

cálcio (p. ex., nifedipino) são usados, mas com benefício limitado. Os

vasodilatadores com ação antiproliferativa (p. ex., epoprostenol, Figura

23.12), fármacos que potencializam o NO, como o riociguate, um ativador

alostérico da guanilato ciclase solúvel (ver Capítulo 21) aprovado para esta

indicação na Europa e nos EUA, ou antagonistas da endotelina – por

exemplo, bosentana e ambrisentana – são considerados para produzir

maior benefício.

Os boxes clínicos adiante mostram fármacos usados no tratamento de

casos de hipertensão pulmonar e os distúrbios clínicos nos quais a

medicação vasoativa é relevante.

Figura 23.12 Sobrevida na hipertensão pulmonar primária. Sobrevida em 178 pacientes tratados com epoprostenol intravenoso em comparação com um grupo-controle histórico de 135 pacientes ajustado quanto à gravidade da doença. (Adaptada de Sitbon, O. et al., 2002 Prog. Cardiovasc. Dis. 45, 115.)

Usos clínicos dos fármacos na hipertensão arterial pulmonar

 

Empregam-se fármacos com as indicações próprias para o tratamento das causas subjacentes.

Além deles, considerar os seguintes:

• Anticoagulantes orais (ver Capítulo 25)

• Diuréticos (ver Capítulo 30)

• Oxigênio

• Digoxina (ver Capítulo 22)

• Bloqueadores dos canais de cálcio

• Antagonistas de receptores de endotelina (p. ex., bosentana, ambrisentana,

sitaxentana) VO, para estágios menos graves de doença

• Análogos de prostanoides (iloprosta, treprostinila, beraprosta), subcutâneos ou

inalados, são usados em estágios mais graves da doença

Epoprostenol (ver Capítulo 18) é administrado por infusão intravenosa a longo prazo, e

•

melhora a sobrevida (ver Figura 23.12)

• Em UTI, administra-se NO por inalação, por exemplo, em crises hipertensivas pulmonares

de recém-nascidos

• Inibidor da fosfodiesterase V: sildena la e tadala la VO são autorizados para

hipertensão arterial pulmonar (HAP)

• Riociguate (ativador da guanilato ciclase).

Usos clínicos nos dístúrbios para os quais os fármacos vasoativos são

 

importantes

 

Hipertensão sistêmica:

– Secundária à doença subjacente (p. ex., renal ou endócrina)

– Hipertensão “essencial” primária, um fator de risco importante para doença

ateromatosa (ver Capítulo 24). O tratamento reduz o risco elevado de AVE ou de IAM;

as principais classes de fármacos são (a) IECA ou antagonistas dos receptores AT1; (b) antagonistas β-adrenérgicos; (c) antagonistas do cálcio; e (d) diuréticos

• Insu ciência cardíaca. Várias doenças (mais comumente, cardiopatia isquêmica)

comprometem a capacidade do coração de oferecer um débito adequado às necessidades

metabólicas. O edema pode ser melhorado com diuréticos. A expectativa de vida ca

reduzida, mas pode ser melhorada pelo tratamento de pacientes hemodinamicamente

estáveis com:

– IECA e/ou antagonistas dos receptores AT1

– β-bloqueadores (p. ex., carvedilol, bisoprolol)

– Antagonistas da aldosterona (p. ex., espironolactona)

• Choque. Várias doenças (p. ex., infecções bacterianas de controle difícil, ver Capítulo 52;

reações ana láticas, ver Capítulo 28) causam vasodilatação imprópria, hipotensão e

redução da perfusão tecidual com elevação das concentrações circulantes de ácido láctico.

Usam-se vasopressores (p. ex., epinefrina)

• Doença vascular periférica. Placas ateromatosas nas artérias dos membros inferiores

costumam associar-se a ateromas em outros territórios vasculares. As estatinas (ver

Capítulo 23) e os antiplaquetários (ver Capítulo 24) são importantes

• Doença de Raynaud. A inadequada vasoconstrição em pequenas artérias nas mãos causa

palidez dos dedos, seguida por cianose e dor. Usa-se nifedipino ou outros

vasodilatadores

• Hipertensão pulmonar, que pode ser:

– Idiopática (distúrbio raro): epoprostenol, iloprosta, bosentana e sildena la são

bené cos em pacientes selecionados

– Associada à doença pulmonar hipóxica.

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

Endotélio vascular (ver Capítulo 21 para leitura complementar sobre óxido nítrico) Prostaciclina

Bunting, S., Gryglewski, R., Moncada, S., Vane, J.R., 1976. Arterial walls generate from

prostaglandin endoperoxides a substance (prostaglandin X) which relaxes strips of mesenteric

and celiac arteries and inhibits platelet aggregation. Prostaglandins 12, 897–913. (Clássico)

Murata, T., Ushikubi, F., Matsuoka, T., et al., 1997. Altered pain perception and inflammatory

response in mice lacking prostacyclin receptor. Nature 388, 678–682. (Camundongos com

deficiência de receptores de prostanoides I são viáveis, normotensos e se reproduzem; contudo,

sua suscetibilidade à trombose está aumentada (…), os resultados confirmam que a prostaciclina

é um agente endógeno antitrombótico)

Fator hiperpolarizante derivado do endotélio

Ellinsworth, D.C., Sandow, S.L., Shukla, N., et al., 2016. Endothelium-derived hyperpolarization and

coronary vasodilation: diverse and integrated roles of epoxyeicosatrienoic acids, hydrogen

peroxide, and gap junctions. Micorocirculation 23, 15–32. (Revisa os mecanismos pelos quais

EET e H O regulam o tônus vascular e analisa a hipótese de que a sinalização do microdomínio 2 2

mioendotelial facilita a atividade do EDH no coração humano)

Endotelina

Hickey, K.A., Rubanyi, G., Paul, R.J., Highsmith, R.F., 1985. Characterization of a coronary

vasoconstrictor produced by cultured endothelial cells. Am. J. Physiol. 248 (Pt 1), C550–C556.

(Descoberta-chave)

Yanagisawa, M., Kurihara, H., Kimura, S., et al., 1988. A novel potent vasoconstrictor peptide

produced by vascular endothelial cells. Nature 332, 411–415. (Trabalho de fôlego)

Davenport, A.P., Hyndman, K.A., Dhaun, N., et al., 2016. Endothelin. Pharmacol. Rev. 68, 357–418.

(Excelente revisão)

Sistema renina-angiotensina Lang, C.C., Struthers, A.D., 2013. Targeting the renin-angiotensin-aldosterone system in heart

failure. Nat. Rev. Cardiol. 10, 125–134.

ONTARGET Investigators, 2008. Telmisartan, ramipril or both in patients at high risk for vascular

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Patel, V.B., Zhong, J.C., Grant, M.B., et al., 2016. Role of the ACE2/angiotensin 1-7 axis of the

renin-angiotensin system in heart failure. Circ. Res. 118, 1313–1326. (Revisão da associação

ECA2/Ang 1-7 no eixo renina-angiotensina e o seu potencial terapêutico para insuficiência

cardíaca)

Investigação da circulação

Pfeffer, M.A., McMurray, J.J.V., Velasquez, E.J., et al., 2003. The Valsartan in Acute Myocardial

Infarction Trial I. Valsartan, captopril or both in myocardial infarction complicated by heart

failure, left ventricular dysfunction, or both. N. Engl. J. Med. 349, 1839–1906.

Fármacos vasodilatadores (ver Capítulo 22 para leitura complementar sobre os antagonistas do cálcio)

Chan, C.K.S., Burke, S.L., Zhu, H., et al., 2005. Imidazoline receptors associated with noradrenergic

terminals in the rostral ventrolateral medulla mediate the hypotensive responses of moxonidine

but not clonidine. Neuroscience 132, 991–1007. (As ações hipotensoras e bradicárdicas da

moxonidina, mas não da clonidina, são mediadas pelos receptores da imidazolina e dependem de

vias noradrenérgicas do SNC; a inervação noradrenérgica pode estar associada à proteína

receptora da imidazolina)

Hipertensão

Meneton, P., Jeunemaitre, X., de Wardener, H.E., MacGregor, G.A., 2005. Links between dietary salt

intake, renal salt handling, blood pressure, and cardiovascular diseases. Physiol. Rev. 85, 679–

715. (“Os mecanismos pelos quais o sal dietético aumenta a pressão arterial não são totalmente

compreendidos, mas parecem estar relacionados com a incapacidade dos rins de excretar

grandes quantidades de sal. Do ponto de vista evolucionário, a espécie humana está adaptada

para ingerir e excretar < 1 g de sal por dia, pelo menos 10 vezes menos que os valores médios

atualmente observados em países industrializados e urbanos.”)

Insuficiência cardíaca

Cole, R.T., Gupta, D., Butler, J., 2014. Current perspectives in hydralazine and nitrate therapies in

heart failure. Heart Fail Clin 10, 565–575. (Subutilizado)

Jhund, P.S., McMurray, J.J.V., 2016. The neprilysin pathway in heart failure: a review and guide on

the use of sacubitril/valsartan. Heart 102, 1342–1347. (Revisa os antecedentes da inibição da

neprilisina na insuficiência cardíaca, os resultados do ensaio PARADIGM-HF e descreve o uso

de sacubitril/valsartana na prática clínica)

O’Connor, C.M., Starling, R.C., Hernandez, A.F., et al., 2011. Effect of nesiritide in patients with

acute decompensated heart failure. N. Engl. J. Med. 365, 32–43. (Ver também Topol, E.T., 2011.

The lost decade of nesiritide. N. Engl. J. Med. 365, 81-82)

Task Force for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure of the European Society

of Cardiology (ESC), 2016. 2016 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and

chronic heart failure. Eur. Heart J. 37 (2016), 2129–2200.

Taylor, A.L., Ziesche, S., Yancy, C., et al., 2004. Combination of isosorbide dinitrate and hydralazine

in blacks with heart failure. N. Engl. J. Med. 351, 2049–2057. (A adição de uma dose fixa de

dinitrato de isossorbida mais hidralazina ao tratamento tradicional da insuficiência cardíaca,

incluindo bloqueadores neuro-hormonais, aumentou a sobrevida de pacientes negros com

insuficiência cardíaca avançada)

Choque

Holmes, C.L., Russell, J.A., 2004. Vasopressin. Semin. Respir. Crit. Care Med. 25, 705–711. (“Existe

uma deficiência de vasopressina em alguns estados de choque, e a substituição dos níveis

fisiológicos da vasopressina pode restaurar o tônus vascular. A vasopressina está emergindo

como uma terapia racional para o choque vasodilatador”. Revisa a fundamentação, a evidência

e a incerteza do uso de vasopressina no choque)

Khanna, A., English, S.W., Wang, X.S., et al., for the ATHOS3 investigators, 2017. Angiotensin II

for the treatment of vasodilatory shock. N. Engl. J. Med. 377, 419–430. (“A angiotensina II

aumentou efetivamente a pressão arterial em pacientes com choque vasodilatador que não

responderam a altas doses de vasopressores convencionais”)

Landry, D.W., Oliver, J.A., 2001. Mechanisms of disease: the pathogenesis of vasodilatory shock. N.

Engl. J. Med. 345, 588–595. (Revisa os mecanismos que promovem a vasodilatação inapropriada

no choque, que incluem a ativação de canais de potássio sensíveis ao ATP, o aumento da síntese

de NO e a depleção de ADH)

Hipertensão arterial pulmonar

Higenbottam, T., Laude, L., Emery, C., Essener, M., 2004. Pulmonary hypertension as a result of

drug therapy. Clin. Chest Med. 25, 123–131. (Revisa a hipertensão arterial pulmonar induzida

por fármacos anorexígenos e enfoca os seus mecanismos)

Humbert, M., Ghofrani, H.A., 2016. The molecular targets of approved treatments for pulmonary

arterial hypertension. Thorax 71, 73–83. (Esta revisão descreve como as quatro classes de

medicamentos atualmente aprovadas – prostanoides, antagonistas dos receptores da endotelina,

inibidores da fosfodiesterase tipo 5 e o ativador solúvel da guanilato ciclase, riociguate – têm

como alvo a complexa biopatologia da HAP)

Mann, D.L., Zipes, D.P., Libby, P., Bonow, R.O. (Eds.), 2015. Braunwald’s Heart Disease, tenth ed.

Elsevier, Philadelphia. Ch. 74, Pulmonary hypertension.

Taichman, D.B., Ornelas, J., Chung, L., et al., 2014. Pharmacologic therapy for pulmonary arterial

hypertension in adults: CHEST guideline and expert panel report. Chest 146, 449–475. (Fornece

aconselhamento sobre a terapia medicamentosa para pacientes adultos com HAP com base nas

evidências disponíveis)

____________

1 William Harvey (médico do rei Charles I) inferiu a circulação do sangue

com base em experimentos quantitativos de grande elegância, muito tempo

antes que a invenção do microscópio possibilitasse a confirmação visual

dos minúsculos vasos que ele predissera. Esse triunfo intelectual não fez

bem algum à sua posição como médico, e Aubrey observou que “sua

clientela caiu muito, e era tido pelo povo como uma pessoa ‘de miolo

mole’”. Plus ça change (…)

2 Esta ação amortecedora é chamada efeito windkessel. O mesmo princípio

foi usado para manter um fluxo constante, e não intermitente, nas bombas

usadas antigamente em incêndios.

3 Pense nas ondas durante o seu banho enquanto se senta: na banheira, um

impulso baixa o nível da água, mas a maior parte volta como reflexo da

borda inferior sob as torneiras e interfere nas ondas da frente.

4 Subsequentemente, um peptídio com 11 resíduos (urotensina) foi isolado

do cérebro de peixes e mostrou-se 50 a 100 vezes mais potente como

vasoconstritor do que a endotelina em alguns vasos sanguíneos. Esse

mediador e seu receptor são expressos nos tecidos humanos, porém sua

função no homem, se é que existe alguma, continua um mistério.

5 Aproximadamente a de um campo de futebol.

6 Esses efeitos são iniciados pelo receptor AT acoplado à proteína G

1

atuando pelas mesmas vias intracelulares de fosforilação de tirosina usadas

pelas citocinas, por exemplo, a via Jak/Stat (ver Capítulo 3).

7 Doença autoimune que afeta um ou mais tecidos, incluindo articulações,

rins, cérebro, plaquetas sanguíneas, pele e membranas pleurais (ver

Capítulos 27 e 58). Os autoanticorpos são dirigidos contra antígenos que

são intracelulares em células saudáveis, mas que se agrupam em bolhas na superfície de células apoptóticas. No LES, os resíduos apoptóticos podem

apresentar esses múltiplos antígenos às células do sistema imune; a

hidralazina é um dos vários fármacos que podem mimetizar o LES, mas o

mecanismo não é completamente compreendido.

8 O primeiro composto do grupo foi um nonapeptídio derivado do veneno

da Bothrops jacaraca – uma serpente sul-americana. Originalmente, foi

caracterizado como um peptídio potencializador da bradicinina (a ECA

inativa a bradicinina, ver Capítulo 19).

9 Trata-se de um grave estreitamento da artéria renal, causado, por exemplo,

por um ateroma (ver Capítulo 24).

10 Tumores secretores de catecolaminas do tecido cromafim, geralmente a

medula da suprarrenal (ver Capítulo 13).

11 Costuma-se recomendar repouso no leito, porém tal manobra redunda em

descondicionamento físico. Está demonstrado que a prática de exercícios

regulares é benéfica para os pacientes que conseguem tolerá-los.

12 A seleção natural provavelmente privilegiou os mecanismos que

beneficiariam caçadores jovens com risco de hemorragia; as pessoas de

meia-idade ou idosas com alto risco de insuficiência cardíaca já passaram

da plenitude reprodutora.

13 A resistência vascular pulmonar durante a vida fetal é alta; por ocasião do

nascimento, uma eventual falha de adaptação apropriada associa-se com

prematuridade, falta de surfactante pulmonar e hipoxemia. A hipertensão

pulmonar resultante é tratada por intensivistas pediátricos com medidas que

incluem reposição de surfactante e suporte ventilatório, algumas vezes

incluindo NO inalatório – ver Capítulo 21.

Capítulo 23

 

23.1 TEMA

O endotélio vascular atua como barreira entre o plasma e o líquido extracelular

e, além disso, é responsável pela liberação de vários peptídios vasoativos, que

regulam a função vascular e o tônus.

Qual das seguintes a rmativas sobre mediadores endoteliais é correta?

A. A prostaciclina que atua sobre os receptores de tromboxano causa vasodilatação e inibe a

agregação plaquetária

 

B. A prostaglandina H2 (PGH2) é um vasodilatador direto, que inibe a liberação de

norepinefrina das terminações nervosas simpáticas

C. O óxido nítrico (NO) atua por meio do cAMP, causando relaxamento do músculo liso

vascular

 

D. A endotelina é um potente vasodilatador

E. Os fatores de hiperpolarização derivados do endotélio (EDHF) medeiam o relaxamento por

meio da ativação dos canais de K dependentes de cálcio

 

Resposta A A prostaciclina que atua sobre os receptores de prostaciclina IP provoca

vasodilatação e inibe a agregação plaquetária.

Alternativa B incorreta: A PGH 2 atua por meio dos receptores de tromboxano (TP)

para mediar a vasoconstrição. Em contrapartida, a prostaglandina E2 é um vasodilatador direto, que inibe a liberação de norepinefrina das terminações nervosas simpáticas.

Alternativa C incorreta: O NO atua por meio do cGMP, causando relaxamento do

músculo liso vascular.

Alternativa D incorreta: A endotelina é um potente vasoconstritor.

Alternativa E incorreta: Os EDHF medeiam o relaxamento por meio da ativação dos

canais de K+ dependentes de cálcio.

Os EDHF causam hiperpolarização pela ativação dos canais de K+ 2+ dependentes de Ca

nas células endoteliais.

 

Concluir questão

 

23.2 TEMA

O sistema renina-angiotensina desempenha importante papel regulador no

controle da excreção de Na+, do volume de líquidos e do tônus vascular.

Qual das seguintes a rmativas sobre o sistema renina-angiotensina é

incorreta?

 

A. O peptídio natriurético atrial (ANP) diminui a liberação de renina

B. A enzima conversora de angiotensina (ECA) é uma enzima endotelial, ligada à membrana,

envolvida na conversão do angiotensinogênio em angiotensina I

 

C. A PGI2 pode mediar a vasoconstrição pela estimulação da liberação de renina

D. A secreção de aldosterona é mediada pela angiotensina III

E. A liberação aumentada de norepinefrina é mediada pela ligação da angiotensina II a

receptores de angiotensina1 (AT1)

Resposta A O ANP atua ao inibir a liberação de renina, promovendo, assim, a excreção

de Na+.

Alternativa B incorreta: A ECA é uma enzima endotelial ligada à membrana,

envolvida na conversão do angiotensinogênio em angiotensina I.

A ECA medeia a conversão do precursor inativo angiotensina I no peptídio ativo, a

angiotensina II.

Alternativa C incorreta: Embora a PGI2 possa exercer um efeito direto sobre o relaxamento do músculo liso vascular, essa ação é mantida em equilíbrio pela sua

capacidade de aumentar a secreção de renina.

Alternativa D incorreta: A angiotensina III estimula a secreção de aldosterona pelo

córtex da suprarrenal.

Alternativa E incorreta: A ativação da angiotensina II intensi ca a atividade

simpática ao aumentar a liberação de norepinefrina das terminações nervosas.

 

Concluir questão

 

23.3 TEMA

Os fármacos vasodilatadores desempenham importante papel no tratamento

dos distúrbios cardíacos e da hipertensão.

Qual das seguintes a rmativas sobre o mecanismo de ação dos fármacos

vasodilatadores é incorreta?

A. O nifedipino é um antagonista dos canais de cálcio do tipo L, que atua preferencialmente

no relaxamento do músculo liso vascular

 

B. O nicorandil ativa os canais de KATP hiperpolarizantes e contribui para a atividade doadora

de NO

C. O captopril inibe a liberação de renina, causando redução da vasoconstrição mediada por

angiotensina em pacientes hipertensos

 

D. A valsartana é um antagonista do receptor AT1

E. A hidralazina bloqueia a ação da liberação de cálcio mediada por IP 3 do retículo

sarcoplasmático

 

Resposta A O nifedipino provoca vasodilatação arterial, bloqueando os canais de cálcio

do tipo L no músculo liso vascular.

Alternativa B incorreta: O nicorandil relaxa o músculo liso ao abrir os canais de KATP, porém apresenta atividade secundária como doador de NO.

Alternativa C incorreta: O captopril inibe a liberação de renina, causando redução da

vasoconstrição mediada por angiotensina em pacientes hipertensos.

O captopril é um inibidor da enzima conversora de angiotensina e, portanto, bloqueia a

geração e os efeitos “a jusante” da angiotensina II.

Alternativa D incorreta: A valsartana é um bloqueador do receptor de angiotensina,

que é utilizada no tratamento da hipertensão e da insu ciência cardíaca.

Alternativa E incorreta: A hidralazina atua sobre as artérias e as arteríolas, reduzindo

a vasoconstrição por meio de sua ação sobre a liberação de cálcio do retículo

sarcoplasmático.

 

Concluir questão

 

23.4 TEMA

A insu ciência cardíaca é uma síndrome clínica caracterizada por sintomas de

falta de ar, fadiga e edema, e deve-se a um débito cardíaco que é inadequado

para suprir as necessidades metabólicas do organismo.

Qual dos seguintes agentes não deve ser administrado a um paciente com

insu ciência cardíaca?

 

A. Trastuzumabe

 

B. Furosemida

 

C. Metoprolol

 

D. Ramipril

 

E. Espironolactona

 

Resposta A Trastuzumabe.

Em virtude da presença de receptores HER2 no tecido cardíaco, a administração de

trastuzumabe a pacientes com doença cardíaca está contraindicada devido à

cardiotoxicidade.

Alternativa B incorreta: A furosemida é um diurético de alça, que aumenta a

natriurese e a excreção de água, particularmente em pacientes com edema pulmonar.

Alternativa C incorreta: O metoprolol é um antagonista dos receptores β, que é útil

em baixas doses para inibir a liberação contraproducente de renina. Esse fármaco

também reduz a carga de trabalho cardíaco.

Alternativa D incorreta: O ramipril é um inibidor da enzima conversora de

angiotensina e, portanto, reduz a angiotensina II de rebote e a hipertensão associada.

Alternativa E incorreta: A espironolactona é um antagonista do receptor de

aldosterona, que diminui a reabsorção nos túbulos distais.

Concluir questão

 

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