Rang e Dale: Farmacologia
Hipertensão pulmonar
assim como outros vasodilatadores (p. ex., PGI2, peptídio relacionado ao gene da calcitonina [CGRP]), que podem ter efeitos surpreendentemente
prolongados, superando a sua presença na circulação, mas os quais são
difíceis de administrar.
HIPERTENSÃO PULMONAR
Após o nascimento, a resistência vascular pulmonar se torna muito mais
baixa do que a resistência vascular sistêmica, e a pressão sistólica na artéria
pulmonar em adultos normais é de aproximadamente 20 mmHg.13
A pressão na artéria pulmonar é muito menos fácil de medir do que a
pressão sistêmica, em geral exigindo cateterização cardíaca; desse modo,
normalmente apenas quadros graves de hipertensão pulmonar sintomática
tendem a ser diagnosticados. A hipertensão pulmonar geralmente causa
certa regurgitação de sangue do ventrículo direito para o átrio direito. Essa
regurgitação da tricúspide pode ser usada para a estimativa indireta da
pressão da artéria pulmonar por ultrassonografia. A hipertensão pulmonar
raramente pode ser idiopática (i. e., de causa desconhecida, uma forma
grave e progressiva), porém é mais regularmente associada a alguma outra
doença. Pode ser resultado de um aumento do débito cardíaco (como
ocorre, p. ex., em pacientes com cirrose hepática – em cuja condição a
vasodilatação pode acompanhar exposição subclínica intermitente a
endotoxinas bacterianas – ou em pacientes com conexões congênitas entre
as circulações sistêmica e pulmonar). A vasoconstrição e/ou o estreitamento
estrutural das artérias de resistência pulmonares aumentam a pressão na
artéria pulmonar, mesmo que o débito cardíaco seja normal. Em algumas
situações, há aumento tanto do débito cardíaco como da resistência vascular
pulmonar.
Na etiologia da hipertensão pulmonar está implicada uma disfunção
endotelial (ver pp. 291-295 e também Capítulos 24 e 25). Fármacos (p. ex.,
anorexígenos incluindo a dexfenfluramina, agora retirados do mercado) e
toxinas (p. ex., monocrotalina) podem causar hipertensão pulmonar. Uma
causa principal adicional ou um fator agravante é a oclusão das artérias
pulmonares com, por exemplo, êmbolos pulmonares recorrentes (ver
Capítulo 25); nesta eventualidade, a anticoagulação (ver Capítulo 25)
compõe parte importante do tratamento. Em pacientes com anemia
falciforme (ver Capítulo 26), os agregados de hemácias deformadas podem
ocluir artérias pulmonares pequenas.
O aumento da resistência vascular pulmonar pode, alternativamente,
decorrer de vasoconstrição e/ou de alterações estruturais nas paredes das
artérias de resistência pulmonares. Muitas das doenças (p. ex., esclerose
sistêmica) associadas ao fenômeno de Raynaud mencionado no tópico
anterior também se associam com hipertensão pulmonar. A vasoconstrição
pode preceder a proliferação celular e a hipertrofia medial que causa o
espessamento das paredes na vasculatura pulmonar. Os antagonistas de
cálcio (p. ex., nifedipino) são usados, mas com benefício limitado. Os
vasodilatadores com ação antiproliferativa (p. ex., epoprostenol, Figura
23.12), fármacos que potencializam o NO, como o riociguate, um ativador
alostérico da guanilato ciclase solúvel (ver Capítulo 21) aprovado para esta
indicação na Europa e nos EUA, ou antagonistas da endotelina – por
exemplo, bosentana e ambrisentana – são considerados para produzir
maior benefício.
Os boxes clínicos adiante mostram fármacos usados no tratamento de
casos de hipertensão pulmonar e os distúrbios clínicos nos quais a
medicação vasoativa é relevante.
Figura 23.12 Sobrevida na hipertensão pulmonar primária. Sobrevida em 178 pacientes tratados com epoprostenol intravenoso em comparação com um grupo-controle histórico de 135 pacientes ajustado quanto à gravidade da doença. (Adaptada de Sitbon, O. et al., 2002 Prog. Cardiovasc. Dis. 45, 115.)
Usos clínicos dos fármacos na hipertensão arterial pulmonar
Empregam-se fármacos com as indicações próprias para o tratamento das causas subjacentes.
Além deles, considerar os seguintes:
• Anticoagulantes orais (ver Capítulo 25)
• Diuréticos (ver Capítulo 30)
• Oxigênio
• Digoxina (ver Capítulo 22)
• Bloqueadores dos canais de cálcio
• Antagonistas de receptores de endotelina (p. ex., bosentana, ambrisentana,
sitaxentana) VO, para estágios menos graves de doença
• Análogos de prostanoides (iloprosta, treprostinila, beraprosta), subcutâneos ou
inalados, são usados em estágios mais graves da doença
Epoprostenol (ver Capítulo 18) é administrado por infusão intravenosa a longo prazo, e
•
melhora a sobrevida (ver Figura 23.12)
• Em UTI, administra-se NO por inalação, por exemplo, em crises hipertensivas pulmonares
de recém-nascidos
• Inibidor da fosfodiesterase V: sildena la e tadala la VO são autorizados para
hipertensão arterial pulmonar (HAP)
• Riociguate (ativador da guanilato ciclase).
Usos clínicos nos dístúrbios para os quais os fármacos vasoativos são
importantes
Hipertensão sistêmica:
– Secundária à doença subjacente (p. ex., renal ou endócrina)
– Hipertensão “essencial” primária, um fator de risco importante para doença
ateromatosa (ver Capítulo 24). O tratamento reduz o risco elevado de AVE ou de IAM;
as principais classes de fármacos são (a) IECA ou antagonistas dos receptores AT1; (b) antagonistas β-adrenérgicos; (c) antagonistas do cálcio; e (d) diuréticos
• Insu ciência cardíaca. Várias doenças (mais comumente, cardiopatia isquêmica)
comprometem a capacidade do coração de oferecer um débito adequado às necessidades
metabólicas. O edema pode ser melhorado com diuréticos. A expectativa de vida ca
reduzida, mas pode ser melhorada pelo tratamento de pacientes hemodinamicamente
estáveis com:
– IECA e/ou antagonistas dos receptores AT1
– β-bloqueadores (p. ex., carvedilol, bisoprolol)
– Antagonistas da aldosterona (p. ex., espironolactona)
• Choque. Várias doenças (p. ex., infecções bacterianas de controle difícil, ver Capítulo 52;
reações ana láticas, ver Capítulo 28) causam vasodilatação imprópria, hipotensão e
redução da perfusão tecidual com elevação das concentrações circulantes de ácido láctico.
Usam-se vasopressores (p. ex., epinefrina)
• Doença vascular periférica. Placas ateromatosas nas artérias dos membros inferiores
costumam associar-se a ateromas em outros territórios vasculares. As estatinas (ver
Capítulo 23) e os antiplaquetários (ver Capítulo 24) são importantes
• Doença de Raynaud. A inadequada vasoconstrição em pequenas artérias nas mãos causa
palidez dos dedos, seguida por cianose e dor. Usa-se nifedipino ou outros
vasodilatadores
• Hipertensão pulmonar, que pode ser:
– Idiopática (distúrbio raro): epoprostenol, iloprosta, bosentana e sildena la são
bené cos em pacientes selecionados
– Associada à doença pulmonar hipóxica.
REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR
Endotélio vascular (ver Capítulo 21 para leitura complementar sobre óxido nítrico) Prostaciclina
Bunting, S., Gryglewski, R., Moncada, S., Vane, J.R., 1976. Arterial walls generate from
prostaglandin endoperoxides a substance (prostaglandin X) which relaxes strips of mesenteric
and celiac arteries and inhibits platelet aggregation. Prostaglandins 12, 897–913. (Clássico)
Murata, T., Ushikubi, F., Matsuoka, T., et al., 1997. Altered pain perception and inflammatory
response in mice lacking prostacyclin receptor. Nature 388, 678–682. (Camundongos com
deficiência de receptores de prostanoides I são viáveis, normotensos e se reproduzem; contudo,
sua suscetibilidade à trombose está aumentada (…), os resultados confirmam que a prostaciclina
é um agente endógeno antitrombótico)
Fator hiperpolarizante derivado do endotélio
Ellinsworth, D.C., Sandow, S.L., Shukla, N., et al., 2016. Endothelium-derived hyperpolarization and
coronary vasodilation: diverse and integrated roles of epoxyeicosatrienoic acids, hydrogen
peroxide, and gap junctions. Micorocirculation 23, 15–32. (Revisa os mecanismos pelos quais
EET e H O regulam o tônus vascular e analisa a hipótese de que a sinalização do microdomínio 2 2
mioendotelial facilita a atividade do EDH no coração humano)
Endotelina
Hickey, K.A., Rubanyi, G., Paul, R.J., Highsmith, R.F., 1985. Characterization of a coronary
vasoconstrictor produced by cultured endothelial cells. Am. J. Physiol. 248 (Pt 1), C550–C556.
(Descoberta-chave)
Yanagisawa, M., Kurihara, H., Kimura, S., et al., 1988. A novel potent vasoconstrictor peptide
produced by vascular endothelial cells. Nature 332, 411–415. (Trabalho de fôlego)
Davenport, A.P., Hyndman, K.A., Dhaun, N., et al., 2016. Endothelin. Pharmacol. Rev. 68, 357–418.
(Excelente revisão)
Sistema renina-angiotensina Lang, C.C., Struthers, A.D., 2013. Targeting the renin-angiotensin-aldosterone system in heart
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renin-angiotensin system in heart failure. Circ. Res. 118, 1313–1326. (Revisão da associação
ECA2/Ang 1-7 no eixo renina-angiotensina e o seu potencial terapêutico para insuficiência
cardíaca)
Investigação da circulação
Pfeffer, M.A., McMurray, J.J.V., Velasquez, E.J., et al., 2003. The Valsartan in Acute Myocardial
Infarction Trial I. Valsartan, captopril or both in myocardial infarction complicated by heart
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Fármacos vasodilatadores (ver Capítulo 22 para leitura complementar sobre os antagonistas do cálcio)
Chan, C.K.S., Burke, S.L., Zhu, H., et al., 2005. Imidazoline receptors associated with noradrenergic
terminals in the rostral ventrolateral medulla mediate the hypotensive responses of moxonidine
but not clonidine. Neuroscience 132, 991–1007. (As ações hipotensoras e bradicárdicas da
moxonidina, mas não da clonidina, são mediadas pelos receptores da imidazolina e dependem de
vias noradrenérgicas do SNC; a inervação noradrenérgica pode estar associada à proteína
receptora da imidazolina)
Hipertensão
Meneton, P., Jeunemaitre, X., de Wardener, H.E., MacGregor, G.A., 2005. Links between dietary salt
intake, renal salt handling, blood pressure, and cardiovascular diseases. Physiol. Rev. 85, 679–
715. (“Os mecanismos pelos quais o sal dietético aumenta a pressão arterial não são totalmente
compreendidos, mas parecem estar relacionados com a incapacidade dos rins de excretar
grandes quantidades de sal. Do ponto de vista evolucionário, a espécie humana está adaptada
para ingerir e excretar < 1 g de sal por dia, pelo menos 10 vezes menos que os valores médios
atualmente observados em países industrializados e urbanos.”)
Insuficiência cardíaca
Cole, R.T., Gupta, D., Butler, J., 2014. Current perspectives in hydralazine and nitrate therapies in
heart failure. Heart Fail Clin 10, 565–575. (Subutilizado)
Jhund, P.S., McMurray, J.J.V., 2016. The neprilysin pathway in heart failure: a review and guide on
the use of sacubitril/valsartan. Heart 102, 1342–1347. (Revisa os antecedentes da inibição da
neprilisina na insuficiência cardíaca, os resultados do ensaio PARADIGM-HF e descreve o uso
de sacubitril/valsartana na prática clínica)
O’Connor, C.M., Starling, R.C., Hernandez, A.F., et al., 2011. Effect of nesiritide in patients with
acute decompensated heart failure. N. Engl. J. Med. 365, 32–43. (Ver também Topol, E.T., 2011.
The lost decade of nesiritide. N. Engl. J. Med. 365, 81-82)
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of Cardiology (ESC), 2016. 2016 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and
chronic heart failure. Eur. Heart J. 37 (2016), 2129–2200.
Taylor, A.L., Ziesche, S., Yancy, C., et al., 2004. Combination of isosorbide dinitrate and hydralazine
in blacks with heart failure. N. Engl. J. Med. 351, 2049–2057. (A adição de uma dose fixa de
dinitrato de isossorbida mais hidralazina ao tratamento tradicional da insuficiência cardíaca,
incluindo bloqueadores neuro-hormonais, aumentou a sobrevida de pacientes negros com
insuficiência cardíaca avançada)
Choque
Holmes, C.L., Russell, J.A., 2004. Vasopressin. Semin. Respir. Crit. Care Med. 25, 705–711. (“Existe
uma deficiência de vasopressina em alguns estados de choque, e a substituição dos níveis
fisiológicos da vasopressina pode restaurar o tônus vascular. A vasopressina está emergindo
como uma terapia racional para o choque vasodilatador”. Revisa a fundamentação, a evidência
e a incerteza do uso de vasopressina no choque)
Khanna, A., English, S.W., Wang, X.S., et al., for the ATHOS3 investigators, 2017. Angiotensin II
for the treatment of vasodilatory shock. N. Engl. J. Med. 377, 419–430. (“A angiotensina II
aumentou efetivamente a pressão arterial em pacientes com choque vasodilatador que não
responderam a altas doses de vasopressores convencionais”)
Landry, D.W., Oliver, J.A., 2001. Mechanisms of disease: the pathogenesis of vasodilatory shock. N.
Engl. J. Med. 345, 588–595. (Revisa os mecanismos que promovem a vasodilatação inapropriada
no choque, que incluem a ativação de canais de potássio sensíveis ao ATP, o aumento da síntese
de NO e a depleção de ADH)
Hipertensão arterial pulmonar
Higenbottam, T., Laude, L., Emery, C., Essener, M., 2004. Pulmonary hypertension as a result of
drug therapy. Clin. Chest Med. 25, 123–131. (Revisa a hipertensão arterial pulmonar induzida
por fármacos anorexígenos e enfoca os seus mecanismos)
Humbert, M., Ghofrani, H.A., 2016. The molecular targets of approved treatments for pulmonary
arterial hypertension. Thorax 71, 73–83. (Esta revisão descreve como as quatro classes de
medicamentos atualmente aprovadas – prostanoides, antagonistas dos receptores da endotelina,
inibidores da fosfodiesterase tipo 5 e o ativador solúvel da guanilato ciclase, riociguate – têm
como alvo a complexa biopatologia da HAP)
Mann, D.L., Zipes, D.P., Libby, P., Bonow, R.O. (Eds.), 2015. Braunwald’s Heart Disease, tenth ed.
Elsevier, Philadelphia. Ch. 74, Pulmonary hypertension.
Taichman, D.B., Ornelas, J., Chung, L., et al., 2014. Pharmacologic therapy for pulmonary arterial
hypertension in adults: CHEST guideline and expert panel report. Chest 146, 449–475. (Fornece
aconselhamento sobre a terapia medicamentosa para pacientes adultos com HAP com base nas
evidências disponíveis)
____________
1 William Harvey (médico do rei Charles I) inferiu a circulação do sangue
com base em experimentos quantitativos de grande elegância, muito tempo
antes que a invenção do microscópio possibilitasse a confirmação visual
dos minúsculos vasos que ele predissera. Esse triunfo intelectual não fez
bem algum à sua posição como médico, e Aubrey observou que “sua
clientela caiu muito, e era tido pelo povo como uma pessoa ‘de miolo
mole’”. Plus ça change (…)
2 Esta ação amortecedora é chamada efeito windkessel. O mesmo princípio
foi usado para manter um fluxo constante, e não intermitente, nas bombas
usadas antigamente em incêndios.
3 Pense nas ondas durante o seu banho enquanto se senta: na banheira, um
impulso baixa o nível da água, mas a maior parte volta como reflexo da
borda inferior sob as torneiras e interfere nas ondas da frente.
4 Subsequentemente, um peptídio com 11 resíduos (urotensina) foi isolado
do cérebro de peixes e mostrou-se 50 a 100 vezes mais potente como
vasoconstritor do que a endotelina em alguns vasos sanguíneos. Esse
mediador e seu receptor são expressos nos tecidos humanos, porém sua
função no homem, se é que existe alguma, continua um mistério.
5 Aproximadamente a de um campo de futebol.
6 Esses efeitos são iniciados pelo receptor AT acoplado à proteína G
1
atuando pelas mesmas vias intracelulares de fosforilação de tirosina usadas
pelas citocinas, por exemplo, a via Jak/Stat (ver Capítulo 3).
7 Doença autoimune que afeta um ou mais tecidos, incluindo articulações,
rins, cérebro, plaquetas sanguíneas, pele e membranas pleurais (ver
Capítulos 27 e 58). Os autoanticorpos são dirigidos contra antígenos que
são intracelulares em células saudáveis, mas que se agrupam em bolhas na superfície de células apoptóticas. No LES, os resíduos apoptóticos podem
apresentar esses múltiplos antígenos às células do sistema imune; a
hidralazina é um dos vários fármacos que podem mimetizar o LES, mas o
mecanismo não é completamente compreendido.
8 O primeiro composto do grupo foi um nonapeptídio derivado do veneno
da Bothrops jacaraca – uma serpente sul-americana. Originalmente, foi
caracterizado como um peptídio potencializador da bradicinina (a ECA
inativa a bradicinina, ver Capítulo 19).
9 Trata-se de um grave estreitamento da artéria renal, causado, por exemplo,
por um ateroma (ver Capítulo 24).
10 Tumores secretores de catecolaminas do tecido cromafim, geralmente a
medula da suprarrenal (ver Capítulo 13).
11 Costuma-se recomendar repouso no leito, porém tal manobra redunda em
descondicionamento físico. Está demonstrado que a prática de exercícios
regulares é benéfica para os pacientes que conseguem tolerá-los.
12 A seleção natural provavelmente privilegiou os mecanismos que
beneficiariam caçadores jovens com risco de hemorragia; as pessoas de
meia-idade ou idosas com alto risco de insuficiência cardíaca já passaram
da plenitude reprodutora.
13 A resistência vascular pulmonar durante a vida fetal é alta; por ocasião do
nascimento, uma eventual falha de adaptação apropriada associa-se com
prematuridade, falta de surfactante pulmonar e hipoxemia. A hipertensão
pulmonar resultante é tratada por intensivistas pediátricos com medidas que
incluem reposição de surfactante e suporte ventilatório, algumas vezes
incluindo NO inalatório – ver Capítulo 21.
Capítulo 23
23.1 TEMA
O endotélio vascular atua como barreira entre o plasma e o líquido extracelular
e, além disso, é responsável pela liberação de vários peptídios vasoativos, que
regulam a função vascular e o tônus.
Qual das seguintes a rmativas sobre mediadores endoteliais é correta?
A. A prostaciclina que atua sobre os receptores de tromboxano causa vasodilatação e inibe a
agregação plaquetária
B. A prostaglandina H2 (PGH2) é um vasodilatador direto, que inibe a liberação de
norepinefrina das terminações nervosas simpáticas
C. O óxido nítrico (NO) atua por meio do cAMP, causando relaxamento do músculo liso
vascular
D. A endotelina é um potente vasodilatador
E. Os fatores de hiperpolarização derivados do endotélio (EDHF) medeiam o relaxamento por
meio da ativação dos canais de K dependentes de cálcio
Resposta A A prostaciclina que atua sobre os receptores de prostaciclina IP provoca
vasodilatação e inibe a agregação plaquetária.
Alternativa B incorreta: A PGH 2 atua por meio dos receptores de tromboxano (TP)
para mediar a vasoconstrição. Em contrapartida, a prostaglandina E2 é um vasodilatador direto, que inibe a liberação de norepinefrina das terminações nervosas simpáticas.
Alternativa C incorreta: O NO atua por meio do cGMP, causando relaxamento do
músculo liso vascular.
Alternativa D incorreta: A endotelina é um potente vasoconstritor.
Alternativa E incorreta: Os EDHF medeiam o relaxamento por meio da ativação dos
canais de K+ dependentes de cálcio.
Os EDHF causam hiperpolarização pela ativação dos canais de K+ 2+ dependentes de Ca
nas células endoteliais.
Concluir questão
23.2 TEMA
O sistema renina-angiotensina desempenha importante papel regulador no
controle da excreção de Na+, do volume de líquidos e do tônus vascular.
Qual das seguintes a rmativas sobre o sistema renina-angiotensina é
incorreta?
A. O peptídio natriurético atrial (ANP) diminui a liberação de renina
B. A enzima conversora de angiotensina (ECA) é uma enzima endotelial, ligada à membrana,
envolvida na conversão do angiotensinogênio em angiotensina I
C. A PGI2 pode mediar a vasoconstrição pela estimulação da liberação de renina
D. A secreção de aldosterona é mediada pela angiotensina III
E. A liberação aumentada de norepinefrina é mediada pela ligação da angiotensina II a
receptores de angiotensina1 (AT1)
Resposta A O ANP atua ao inibir a liberação de renina, promovendo, assim, a excreção
de Na+.
Alternativa B incorreta: A ECA é uma enzima endotelial ligada à membrana,
envolvida na conversão do angiotensinogênio em angiotensina I.
A ECA medeia a conversão do precursor inativo angiotensina I no peptídio ativo, a
angiotensina II.
Alternativa C incorreta: Embora a PGI2 possa exercer um efeito direto sobre o relaxamento do músculo liso vascular, essa ação é mantida em equilíbrio pela sua
capacidade de aumentar a secreção de renina.
Alternativa D incorreta: A angiotensina III estimula a secreção de aldosterona pelo
córtex da suprarrenal.
Alternativa E incorreta: A ativação da angiotensina II intensi ca a atividade
simpática ao aumentar a liberação de norepinefrina das terminações nervosas.
Concluir questão
23.3 TEMA
Os fármacos vasodilatadores desempenham importante papel no tratamento
dos distúrbios cardíacos e da hipertensão.
Qual das seguintes a rmativas sobre o mecanismo de ação dos fármacos
vasodilatadores é incorreta?
A. O nifedipino é um antagonista dos canais de cálcio do tipo L, que atua preferencialmente
no relaxamento do músculo liso vascular
B. O nicorandil ativa os canais de KATP hiperpolarizantes e contribui para a atividade doadora
de NO
C. O captopril inibe a liberação de renina, causando redução da vasoconstrição mediada por
angiotensina em pacientes hipertensos
D. A valsartana é um antagonista do receptor AT1
E. A hidralazina bloqueia a ação da liberação de cálcio mediada por IP 3 do retículo
sarcoplasmático
Resposta A O nifedipino provoca vasodilatação arterial, bloqueando os canais de cálcio
do tipo L no músculo liso vascular.
Alternativa B incorreta: O nicorandil relaxa o músculo liso ao abrir os canais de KATP, porém apresenta atividade secundária como doador de NO.
Alternativa C incorreta: O captopril inibe a liberação de renina, causando redução da
vasoconstrição mediada por angiotensina em pacientes hipertensos.
O captopril é um inibidor da enzima conversora de angiotensina e, portanto, bloqueia a
geração e os efeitos “a jusante” da angiotensina II.
Alternativa D incorreta: A valsartana é um bloqueador do receptor de angiotensina,
que é utilizada no tratamento da hipertensão e da insu ciência cardíaca.
Alternativa E incorreta: A hidralazina atua sobre as artérias e as arteríolas, reduzindo
a vasoconstrição por meio de sua ação sobre a liberação de cálcio do retículo
sarcoplasmático.
Concluir questão
23.4 TEMA
A insu ciência cardíaca é uma síndrome clínica caracterizada por sintomas de
falta de ar, fadiga e edema, e deve-se a um débito cardíaco que é inadequado
para suprir as necessidades metabólicas do organismo.
Qual dos seguintes agentes não deve ser administrado a um paciente com
insu ciência cardíaca?
A. Trastuzumabe
B. Furosemida
C. Metoprolol
D. Ramipril
E. Espironolactona
Resposta A Trastuzumabe.
Em virtude da presença de receptores HER2 no tecido cardíaco, a administração de
trastuzumabe a pacientes com doença cardíaca está contraindicada devido à
cardiotoxicidade.
Alternativa B incorreta: A furosemida é um diurético de alça, que aumenta a
natriurese e a excreção de água, particularmente em pacientes com edema pulmonar.
Alternativa C incorreta: O metoprolol é um antagonista dos receptores β, que é útil
em baixas doses para inibir a liberação contraproducente de renina. Esse fármaco
também reduz a carga de trabalho cardíaco.
Alternativa D incorreta: O ramipril é um inibidor da enzima conversora de
angiotensina e, portanto, reduz a angiotensina II de rebote e a hipertensão associada.
Alternativa E incorreta: A espironolactona é um antagonista do receptor de
aldosterona, que diminui a reabsorção nos túbulos distais.
Concluir questão
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