Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 675 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Progressão da infecção

fábricas de vírions, o HIV virtualmente desfigura essa parte da resposta

imunológica. A Figura 53.3 mostra um vírion HIV infectando uma

célula T CD4+. Essas células ativadas e infectadas no tecido linfoide

formam a principal fonte de produção de HIV nos indivíduos infectados

pelo HIV; os macrófagos infectados são outra fonte.

No que se refere ao CCR5, a evidência obtida em indivíduos expostos

que, de alguma forma, não se infectam indica que essa proteína de

superfície desempenha papel crucial na patogênese do HIV. Os

compostos que inibem a entrada de HIV nas células pelo bloqueio do

CCR5 já estão disponíveis.

Quando a vigilância imunológica entra em colapso, surgem outras cepas

de HIV, por intermédio de eventos mutacionais espontâneos, que

reconhecem outras moléculas de superfície da célula do hospedeiro.

Uma glicoproteína de superfície, a gp120, no envelope de HIV

reconhece e se liga à CD4 e também ao correceptor de quimiocina da

célula T CXCR4. Outra glicoproteína viral, a gp41, causa, então, a

fusão do envelope viral com a membrana plasmática da célula (ver

Figura 53.3).

 

PROGRESSÃO DA INFECÇÃO

Uma vez dentro da célula, o RNA do HIV dirige a síntese de DNA (o pró-

vírus), que é integrado ao DNA do hospedeiro, submetido a transcrição e

começa a gerar novos vírions. Esse processo, que demora menos de 48

horas, pode levar à liberação de uma desconcertante quantidade de 1010

novas partículas virais por dia (ver Figura 53.3). O HIV intracelular pode

permanecer silencioso (latente) por longo período.

A replicação viral é altamente propensa a erros. Muitas mutações

ocorrem diariamente em cada local do genoma do HIV, assim o HIV logo escapa do reconhecimento pelos linfócitos citotóxicos originais. Embora

outros linfócitos citotóxicos surjam e reconheçam a(s) proteína(s) viral(ais)

alterada(s), as mutações adicionais finalmente permitem o escape da

vigilância dessas células também. Sugere-se que sequências após

sequências de linfócitos citotóxicos atuem contra os novos mutantes à

medida que vão surgindo, esgotando, gradualmente, o repertório de células

T, já seriamente comprometido pela perda das células T CD4+ helper, até

que finalmente a resposta imune vacile ou falhe por completo.

Há considerável variabilidade na progressão da doença, mas a evolução

clínica usual da infecção pelo HIV não tratada é mostrada na Figura 53.4. A

doença aguda inicial semelhante à gripe está associada ao aumento

progressivo do número de partículas virais no sangue, com sua

disseminação generalizada através dos tecidos e com a semeadura no tecido

linfoide pelas partículas do vírion. Dentro de poucas semanas, a viremia é

reduzida pela ação dos linfócitos citotóxicos, como explicado

anteriormente.

A doença inicial aguda é seguida de um período livre de sintomas,

durante o qual há redução na viremia acompanhada de replicação viral

silenciosa nos linfonodos, associada à alteração na arquitetura do linfonodo

e à perda de linfócitos CD4+ e de células dendríticas. A latência clínica

(com uma duração média de 10 anos) termina quando a resposta

imunológica finalmente falha, e os sinais e os sintomas da AIDS aparecem

– infecções oportunistas (p. ex., pneumonia ou tuberculose por

Pneumocystis), doença neurológica (p. ex., confusão, paralisia, demência),

depressão da medula óssea e neoplasias como o linfoma e o sarcoma de

Kaposi.2 As infecções gastrintestinais (GI) crônicas contribuem para a perda

acentuada de peso. Lesões cardiovasculares e renais também podem

ocorrer. Em um paciente não tratado, a morte em geral ocorre em 2 anos. O advento dos regimes farmacológicos eficazes melhorou grandemente o