Rang e Dale: Farmacologia
Alguns AINE e coxibes importantes
resolvido para a satisfação de todos, prosseguindo um debate aceso (e,
por vezes, muito aquecido).
■ Outros efeitos adversos
Aproximadamente 5% dos pacientes expostos a AINE apresentam asma
sensível ao ácido acetilsalicílico. Não se conhece o mecanismo exato, mas a
inibição de COX está relacionada (ver Capítulo 29), e infecções virais
preexistentes podem predispor a isso. O ácido acetilsalicílico é o pior
agressor, mas há reação cruzada com os outros membros da classe, a não ser
no caso dos inibidores seletivos de COX-2 (ver Capítulo 29). Outros efeitos
adversos muito menos comuns dos AINE incluem efeitos no SNC,
distúrbios na medula óssea e alterações hepáticas, sendo estas últimas mais
prováveis se já houver comprometimento renal.5 A superdosagem de
paracetamol causa insuficiência hepática. Todos os AINE (exceto os
inibidores da COX-2, incluindo paracetamol em doses terapêuticas)
impedem a agregação plaquetária em certa medida, podendo, portanto,
prolongar o sangramento. Mais uma vez o ácido acetilsalicílico é o
principal problema.
ALGUNS AINE E COXIBES IMPORTANTES
A Tabela 27.1 apresenta uma lista dos AINE de uso comum. O emprego
clínico dos AINE está resumido no boxe clínico. Agora veremos alguns dos
fármacos mais significantes de maneira mais detalhada.
Ácido acetilsalicílico
O ácido acetilsalicílico foi um dos primeiros fármacos sintetizados e ainda é
um dos mais consumidos em todo o mundo.6 Trata-se também de um
componente comum em muitas preparações de venda livre (embora cada vez menos). O fármaco em si é relativamente insolúvel, mas os seus sais de
sódio e cálcio dissolvem-se de forma rápida em soluções aquosas.
O ácido acetilsalicílico, inicialmente considerado um “burro de carga”
anti-inflamatório, é pouco utilizado atualmente com esse propósito, tendo
sido suplantado por outros AINE mais bem tolerados. Atualmente, além do
seu uso disseminado como um medicamento de venda livre, seu uso clínico
é sobretudo como um fármaco cardiovascular, dada sua capacidade de
causar prolongada supressão da COX-1 plaquetária e, portanto, reduzir sua
agregação (ver Capítulo 25).
Efeitos adversos gerais dos inibidores das ciclo-oxigenases (COX)
Os efeitos adversos – muitos dos quais derivam da inibição da isoforma constitutiva, “de
manutenção” da COX-1 – são comuns, particularmente em idosos, e incluem os seguintes:
• Dispepsia, náuseas, vômitos e outros efeitos GI. Usuários crônicos podem sofrer lesões
gástricas e intestinais, com risco de hemorragia, ulceração e perfuração, que levam à
morte. A causa é a supressão de prostaglandinas gastroprotetoras na mucosa gástrica
• Efeitos cardiovasculares adversos. Podem ocorrer com muitos AINE e coxibes, assim como
estar relacionados com a inibição da COX-2 no rim ou em outro lugar, levando à
hipertensão
• Reações cutâneas. Mecanismo desconhecido
• Insu ciência renal reversível. Observada principalmente em indivíduos com
comprometimento da função renal por inibição da vasodilatação compensatória mediada
pela prostaglandina I 2/E2
• Broncospasmo. Observado em asmáticos “sensíveis ao ácido acetilsalicílico”. Não ocorre
com os coxibes
• “Nefropatia associada a analgésicos”. Pode ocorrer após uso contínuo de doses altas de
AINE por longo tempo e costuma ser irreversível.
• Distúrbios hepáticos, depressão da medula óssea. Relativamente incomuns.
Usos clínicos dos anti-in amatórios não esteroides (AINE)
Os AINE são amplamente utilizados, porém causam graves efeitos adversos importantes (em
especial GI, renais, pulmonares e vasculares relacionados com suas principais ações
farmacológicas, assim como efeitos idiossincráticos). De especial risco são os pacientes idosos e
aqueles com distúrbios preexistentes. Os principais usos são:
• Antitrombótico: por exemplo, ácido acetilsalicílico (ver Capítulo 25) para pacientes com
alto risco de trombose arterial (p. ex., após IAM). Outros AINE, que causam inibição menos
profunda da síntese de tromboxano plaquetário do que o ácido acetilsalicílico,
aumentam o risco de trombose e, se possível, devem ser evitados em indivíduos de alto
risco
• Analgesia (p. ex., cefaleia, dismenorreia, lombalgia, metástases ósseas, dor pós-
operatória):
– Uso a curto prazo: ácido acetilsalicílico, paracetamol ou ibuprofeno
– Dor crônica: fármacos mais potentes e com duração de ação mais prolongada (p. ex.,
naproxeno, piroxicam), geralmente combinados com um opioide de baixa
potência (p. ex., codeína, ver Capítulo 43)
– Para reduzir a necessidade de narcoanalgésicos (o AINE cetorolaco é por vezes
administrado no pós-operatório para este m)
• Anti-in amatório: por exemplo, ibuprofeno, naproxeno para alívio sintomático na
artrite reumatoide, gota e distúrbios de partes moles
• Antipirético: paracetamol.
▼ Enquanto a inibição da função plaquetária é uma característica da
maioria dos AINE, o efeito do ácido acetilsalicílico é mais duradouro.
Isso ocorre porque o ácido acetilsalicílico acetila de forma irreversível
as enzimas COX, e enquanto essas proteínas podem ser substituídas em
quase todas as células, as plaquetas, como não têm núcleo (e logo, sem
a maquinaria celular para fazer novas proteínas), não são capazes de
fazê-lo, permanecendo inativadas pelo seu tempo de vida (cerca de 10
dias). À medida que uma fração de plaquetas é substituída dia a dia na
medula óssea, sua inibição gradualmente diminui. Todavia, é necessária
apenas uma pequena dose diária de ácido acetilsalicílico (p. ex., 75
mg/dia) para suprimir a função plaquetária para níveis benéficos em
paciente com risco de IAM e outros problemas cardiovasculares (ver
Capítulo 25). A visão de que até mesmo os pacientes sem risco se
beneficiariam com a utilização profilática do fármaco (prevenção
primária) foi desafiada por uma metanálise (Baigent et al., 2009),
sugerindo que o risco de sangramento GI na população geral supera a
ação protetora. Em casos em que existe uma história prévia de episódios
cardiovasculares, o uso de ácido acetilsalicílico profilático (prevenção
secundária) parece indiscutível.
O uso de ácido acetilsalicílico também foi avaliado para outras
indicações, sendo:
• Câncer – especialmente câncer do cólon e retal: o ácido acetilsalicílico (e alguns inibidores da
COX-2) pode reduzir a incidência de vários tipos de câncer, embora seja necessário sempre alertar sobre o risco GI (Patrignani e Patrono, 2016)
• Doença de Alzheimer (ver Capítulo 41): evidência epidemiológica sugere que doses de ácido
acetilsalicílico, cuidadosamente selecionadas, podem ser benéficas, pelo menos em alguns grupos (Chang et al., 2016), embora outros estudos tenham sido menos encorajadores (Waldstein et al., 2010)
• Diarreia induzida por radiação.
■ Aspectos farmacocinéticos
Como ácido fraco, o ácido acetilsalicílico não está dissociado (i. e., não
ionizado) no ambiente ácido do estômago, facilitando, assim, sua passagem pela mucosa. Contudo, a maior parte da absorção ocorre no íleo, em razão
da extensa área de superfície das microvilosidades.
▼ O ácido acetilsalicílico é rapidamente hidrolisado (em 30 min) por
esterases no plasma e nos tecidos, em particular no fígado, produzindo
salicilato. Este composto tem ações anti-inflamatórias próprias (na
verdade, foi o anti-inflamatório original do qual o ácido acetilsalicílico
foi derivado); o mecanismo não está elucidado de forma clara, porém
pode depender da inibição do sistema NFooooooooooooB (ver Capítulo
3) e, apenas secundariamente, da inibição da COX. O salicilato VO já
não é usado para tratamento da inflamação, embora seja componente de
algumas preparações tópicas. Cerca de 25% do salicilato é oxidado;
uma parte é conjugada originando glicuronídio ou sulfato antes da
eliminação, e cerca de 25% são eliminados inalterados, sendo que a
urina alcalina acelera a eliminação (ver Capítulo 9).
A meia-vida plasmática do ácido acetilsalicílico dependerá da dose, mas a
duração de ação não está diretamente relacionada à meia-vida plasmática,
em razão da natureza irreversível da reação de acetilação pela qual o
fármaco inibe a atividade da COX.
■ Efeitos adversos
Os salicilatos (p. ex., ácido acetilsalicílico, diflunisal e sulfassalazina)
podem produzir efeitos tóxicos locais e sistêmicos. Além dos efeitos
indesejáveis gerais dos AINE já descritos, há efeitos indesejáveis
específicos que ocorrem com o ácido acetilsalicílico e outros salicilatos. A
síndrome de Reye, um distúrbio raro em crianças que se caracteriza por
encefalopatia hepática após uma doença viral aguda, tem taxa de
mortalidade de 20 a 40%. A incidência da síndrome de Reye caiu de forma
dramática com a retirada do ácido acetilsalicílico para uso pediátrico. O salicilismo, que ocorre com a superdosagem de qualquer salicilato, é
caracterizado por tinido (zumbido estridente nos ouvidos), vertigem,
diminuição da audição e, algumas vezes, náuseas e vômitos.
Ácido acetilsalicílico
Ácido acetilsalicílico é o mais antigo AINE. Atua inativando irreversivelmente a COX-1 e a
COX-2.
• Além de suas ações anti-in amatórias, o ácido acetilsalicílico inibe fortemente a
agregação plaquetária, e seu principal uso clínico situa-se, atualmente, na terapia de
doença cardiovascular
• É administrado por via oral e absorvido rapidamente; 75% são metabolizados no fígado
• Com baixas doses, a eliminação de seu metabólito salicilato segue cinética de primeira
ordem (meia-vida de 4 h); com altas doses, a cinética é de saturação (meia-vida de mais
de 15 h).
Efeitos adversos:
• Com doses terapêuticas: sintomas GI, frequentemente, incluem algum sangramento
gástrico (geralmente discreto e assintomático)
• Com grandes doses: tonturas, surdez e tinido (“salicilismo”); pode ocorrer alcalose
respiratória compensada
• Com doses tóxicas (p. ex., por autointoxicação): pode ocorrer acidose respiratória não
compensada com acidose metabólica, particularmente em crianças
• O ácido acetilsalicílico está vinculado a uma encefalite pós-viral rara, porém grave
(síndrome de Reye) em crianças e não é utilizado para ns pediátricos
• Se administrado concomitantemente com varfarina, pode causar aumento
potencialmente perigoso do risco de hemorragia.
▼ A intoxicação aguda por salicilatos (uma emergência médica que
pode ocorrer principalmente com crianças e em tentativas de suicídio)
causa grandes distúrbios dos equilíbrios acidobásico e eletrolítico. Os
salicilatos desacoplam a fosforilação oxidativa (sobretudo na
musculatura esquelética), levando a hipertermia, aumento do consumo
de oxigênio e, logo, aumento da produção de dióxido de carbono. Tal
fato estimula a respiração, que também aumenta por uma ação direta
dos fármacos no centro respiratório. A hiperventilação resultante causa
alcalose respiratória, que é normalmente compensada por mecanismos
renais envolvendo aumento da eliminação de bicarbonato. Doses
maiores, de fato, causam depressão do centro respiratório, sendo
exalada menor quantidade de CO 2 e, portanto, aumentando o CO2 no
sangue. Como isso acontece sobre uma redução do bicarbonato
plasmático, ocorrerá acidose respiratória não compensada. O quadro
pode ser complicado por uma acidose metabólica, que resulta do
acúmulo de metabólitos dos ácidos pirúvico, láctico e acetoacético
(consequência indireta da fosforilação oxidativa desacoplada). Também
é provável que ocorra hiperpirexia provocada pelo aumento da taxa
metabólica, e a desidratação pode ocorrer após vômitos repetidos. No
SNC, a estimulação inicial com excitação é seguida, eventualmente, por
coma e depressão respiratória. Também pode ocorrer hemorragia,
sobretudo em decorrência de depressão da agregação plaquetária.
■ Interações medicamentosas
O ácido acetilsalicílico pode causar um aumento potencialmente perigoso
do efeito da varfarina, em parte devido ao deslocamento desta última dos
pontos de ligação das proteínas plasmáticas (ver Capítulo 11), aumentando
a sua concentração efetiva, e, em parte, porque seu efeito sobre plaquetas
interfere na homeostase (ver Capítulo 25). O ácido acetilsalicílico também
antagoniza o efeito de alguns agentes anti-hipertensivos e uricosúricos,
como a probenecida e a sulfimpirazona. Como o ácido acetilsalicílico em
baixas doses pode, por si só, reduzir a eliminação de uratos (ver Capítulo
30), ele não deve ser usado na gota.
Paracetamol
O paracetamol (denominado acetaminophen nos EUA) é um dos
analgésico-antipiréticos não narcóticos mais comumente usados e faz parte
de muitas preparações patenteadas de venda livre. Sob certo ponto de vista,
o fármaco constitui uma anomalia: enquanto é um excelente analgésico (ver
Capítulo 43) e antipirético, sua ação anti-inflamatória é leve e parece estar
restrita a alguns casos especiais (p. ex., a inflamação após extração dentária;
ver Skjelbred et al., 1984). Também está substancialmente livre dos efeitos
gástricos e plaquetários colaterais dos outros AINE. Por estes motivos, o
paracetamol por vezes nem é classificado como um AINE.
▼ As atividades antipiréticas e analgésicas podem ser atribuídas à
inibição da síntese de prostaglandinas no SNC. Demonstrou-se que o
paracetamol inibe a biossíntese de prostaglandinas em alguns ambientes
experimentais (p. ex., no SNC durante a febre), mas não em outros (ver
também Capítulo 43). Várias soluções para esse quebra-cabeça foram
sugeridas, incluindo a possibilidade de existir uma isoforma COX mais
sensível ao paracetamol no SNC. Uma explicação alternativa é que este
atua como agente redutor, inibindo as enzimas COX. A inibição seria
mais eficaz no meio oxidante particular do SNC (Ouellet e Percival,
2001).
■ Aspectos farmacocinéticos O paracetamol é bem absorvido quando administrado por via oral, sendo
alcançadas as concentrações plasmáticas máximas em 30 a 60 min. A meia-
vida plasmática das doses terapêuticas é de 2 a 4 h, mas com doses tóxicas
pode estender-se de 4 a 8 h. O paracetamol é inativado no fígado, sendo
conjugado originando glicuronídio ou sulfato.
■ Efeitos adversos
Com doses terapêuticas, os efeitos colaterais são poucos e incomuns,
embora algumas vezes ocorram reações alérgicas na pele. É possível que a
ingestão regular de grandes doses por um longo período possa causar lesão
renal. No entanto, doses tóxicas (10 a 15 g) causam hepatotoxicidade
potencialmente fatal, e nefrotoxicidade. Isso ocorre quando as reações
normais de conjugação ficam saturadas e o fármaco é metabolizado por
oxidases de função mista. O metabólito tóxico resultante, N-acetil-p-
benzoquinona imina (NABQI), normalmente é inativado por conjugação
com glutationa, mas quando está depletado, o intermediário tóxico se
acumula no fígado e nos túbulos renais, causando necrose. O consumo
crônico de álcool, mas não agudo, pode exacerbar a toxicidade do
paracetamol ao induzir as enzimas hepáticas microssomais que produzem o
metabólito tóxico, mas a situação é complexa (Prescott, 2000).
▼ Os sintomas iniciais de intoxicação aguda pelo paracetamol são
náuseas e vômitos, sendo a hepatotoxicidade uma manifestação tardia
que ocorre 24 a 48 h mais tarde. Outros detalhes dos efeitos tóxicos são
fornecidos no Capítulo 58. Se o paciente for avaliado suficientemente
próximo do momento da ingestão, a lesão hepática poderá ser prevenida
por administração de agentes que aumentem a formação de glutationa
no fígado (acetilcisteína IV ou metionina VO). Decorridas mais de 12
h da ingestão de uma alta dose, os antídotos que, por si mesmos, podem
causar efeitos adversos (náuseas, reações alérgicas) têm menos
probabilidade de ser úteis. Lamentavelmente, a ingestão de grandes
quantidades de paracetamol é um método comum de suicídio.
Coxibes
Vários coxibes foram retirados do mercado após alegações de toxicidade
cardiovascular e outras, mas três medicamentos estão atualmente
disponíveis no Reino Unido para uso clínico e outros podem estar
disponíveis em outros locais. Os coxibes são geralmente sugeridos a
pacientes para os quais o tratamento com AINE convencionais traria uma
grande probabilidade de efeitos GI adversos graves. No entanto, estes
podem ainda ocorrer com coxibes, talvez porque a COX-2 esteja implicada
na cura de úlceras preexistentes, de modo que a sua inibição pode retardar a
recuperação de lesões mais antigas. Nesse caso, o risco cardiovascular deve
ser avaliado antes de iniciar tratamento de longa duração, bem como no
caso de tratamento com todos os AINE.
Paracetamol
Paracetamol é um fármaco de uso comum que está amplamente disponível sem prescrição
médica. Tem potente ação analgésica e antipirética, mas efeitos anti-in amatórios muito mais
discretos do que outros AINE. A sua ação inibidora da COX parece estar restrita à enzima do SNC.
• É administrado por via oral e metabolizado no fígado (meia-vida de 2 a 4 h)
• Doses tóxicas causam náuseas e vômitos e, decorridas 24 a 48 h, ocorre lesão hepática
potencialmente fatal por saturação das enzimas normais de conjugação, fazendo com que
o fármaco seja convertido por oxidases de função mista em N-acetil-p-benzoquinona
imina. Caso não seja inativado por conjugação com glutationa, este composto reage com
proteínas celulares, causando dano tecidual
• Caso sejam administrados precocemente, fármacos que aumentam a glutationa
(acetilcisteína intravenosa ou metionina oral) podem impedir a lesão hepática.
■ Celecoxibe e etoricoxibe
O celecoxibe e o etoricoxibe são usados para alívio sintomático no
tratamento de osteoartrite e artrite reumatoide e algumas outras condições.
▼ Ambos são administrados por via oral e têm perfis farmacocinéticos
semelhantes, sendo bem absorvidos com concentrações plasmáticas
máximas obtidas em 1 a 3 h. São extensamente (mais de 99%)
metabolizados no fígado, e a ligação a proteínas plasmáticas é alta (mais
de 90%). Os efeitos adversos comuns podem incluir cefaleia, tontura,
rashes cutâneos e edema periférico causado por retenção hídrica. Em
virtude do papel potencial da COX-2 no fechamento de úlceras,
pacientes com doença preexistente devem evitar os fármacos.
■ Parecoxibe O parecoxibe é um profármaco do valdecoxibe. Este último foi retirado do
mercado, mas o parecoxibe foi liberado para o uso no tratamento a curto
prazo de dor pós-operatória. É empregado por via parenteral, intravenosa ou
intramuscular e é rapidamente quase todo convertido (> 95%) em
valdecoxibe ativo por hidrólise enzimática no fígado.
▼ Os níveis sanguíneos máximos são atingidos em aproximadamente 30
a 60 min, dependendo da via de administração. A ligação a proteínas
plasmáticas é alta. O metabólito ativo, o valdecoxibe, é convertido no
fígado em vários metabólitos inativos e tem meia-vida no plasma de
cerca de 8 h. Reações cutâneas têm sido relatadas, algumas das quais
graves, com o valdecoxibe, e os pacientes devem ser monitorados com
cuidado. O fármaco também deve ser usado com cautela em pacientes
com comprometimento da função renal, tendo sido relatada
insuficiência renal ligada a este fármaco. Também pode ocorrer anemia
pós-operatória.
Figura 27.3 Diagrama esquemático das células e mediadores envolvidos na
patogênese da lesão articular reumatoide, indicando os locais de ação dos fármacos antirreumáticos. ARMD, antirreumático modificador da doença. Para detalhes sobre
agentes antirreceptores de TNF, IL-1 e IL-2, ver Capítulo 7 e Tabela 27.3.