Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 100 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Modelos animais genéticos e transgênicos

fatores a montante (causais), e não para as manifestações a jusante

(sintomáticas) da doença, embora essas últimas sejam a base da maioria

dos modelos fisiológicos simples adotados até o presente. O modelo de

dor inflamatória anteriormente mencionado não é válido para o caso de

artrite reumatoide, que é uma doença autoimune

• Depender da resposta ao tratamento como um teste de validade

apresenta o risco de perdermos fármacos que atuam por intermédio de

mecanismos novos, pois o modelo é selecionado com base em sua

capacidade de resposta aos fármacos conhecidos. No caso de

esquizofrenia (ver Capítulo 47), por exemplo, está claro que os

antagonistas da dopamina se revelam eficazes, e muitos dos modelos

usados são projetados para refletir a ação da dopamina no cérebro, em

vez de outros potenciais mecanismos que precisam ser identificados

para que a descoberta de fármacos evolua e se estudem novos alvos.

 

MODELOS ANIMAIS GENÉTICOS E TRANSGÊNICOS

Atualmente, as manipulações genéticas são usadas com crescente

frequência como complemento dos enfoques fisiológicos e farmacológicos

convencionais em modelos de doença.

Modelos animais

 

• Modelos animais de doenças são importantes para a descoberta de novos agentes

terapêuticos. Em geral, esses modelos reproduzem, com imperfeições, apenas

determinados aspectos de doenças humanas. Modelos de doenças psiquiátricas são

particularmente problemáticos

• Animais transgênicos (em geral, camundongos) são produzidos por indução de mutações

nas células germinativas, que permitem que novos genes sejam introduzidos (knock-ins)

ou que os genes existentes sejam inativados (knockouts) ou mutados nos animais de uma

colônia de criação

• Animais transgênicos são amplamente utilizados no desenvolvimento de modelos de

doenças, a m de se testarem os fármacos. Atualmente, muitos desses modelos estão

disponíveis

• A mutação induzida opera durante o desenvolvimento e por todo o tempo da vida do

animal, podendo mostrar-se letal. Técnicas de mutagênese condicional permitem que o

gene anormal seja “ligado” ou “desligado” em determinada época.

 

Por meio de criação seletiva, é possível obter linhagens puras de

animais com características muito semelhantes a determinadas doenças

humanas. Os modelos genéticos desse tipo incluem ratos espontaneamente

hipertensos, camundongos geneticamente obesos, cães e camundongos com

tendência à epilepsia, ratos com secreção deficiente de vasopressina e

muitos outros exemplos. Na maioria dos casos, os genes responsáveis não

foram identificados.

 

▼ O camundongo obeso, que surgiu de uma mutação espontânea em

uma instalação de criação de camundongos, é um dos modelos mais

amplamente utilizados para o estudo da obesidade e do diabetes do tipo

2 (ver Capítulo 32). O fenótipo resulta da inativação do gene da leptina,

e mostra boa validação inicial (bom consumo de alimentos, obesidade

bruta, regulação da glicose sanguínea prejudicada, complicações

vasculares – semelhantes às características da obesidade em humanos) e

boa validação preditiva (respondendo à intervenção farmacológica de

maneira semelhante à que ocorre nos humanos), porém apresenta

deficiência quanto à validação construtiva, uma vez que a maioria dos

humanos obesos não é deficiente em leptina.

 

A manipulação genética da linhagem germinativa para gerar animais

transgênicos (Rudolph e Moehler, 1999; Offermanns e Hein, 2004) tem

importância como forma de gerar modelos animais que repliquem as

doenças humanas e que, segundo se espera, se mostrem mais eficazes na

prevenção dos efeitos terapêuticos de fármacos em seres humanos. Essa

tecnologia versátil, relatada inicialmente em 1980, pode ser usada de

diversas maneiras, como, por exemplo:

 

• Desativar genes individuais ou induzir mutações para formas

patológicas

• Introduzir novos genes (p. ex., humanos)

• Aumentar a expressão de genes por inserção de cópias adicionais

• Permitir que a expressão genética possa ser controlada pelo

pesquisador.5

 

Atualmente, a maior parte da tecnologia transgênica é utilizada em

camundongos, porém com muito mais dificuldade em outros mamíferos. É

crescente o uso de outros vertebrados (p. ex., zebrafish) e invertebrados

(Drosophila, Caenorhabditis elegans) com o propósito de screening

farmacológico.