Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 490 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

5-Hidroxitriptamina

Dopamina no sistema nervoso central

 

• A dopamina é um neurotransmissor, bem como um precursor da norepinefrina. Ela é

degradada de modo similar à norepinefrina, originando, principalmente, o ácido di-

hidroxifenilacetico e o ácido homovanílico, que são eliminados na urina

• Há quatro principais vias dopaminérgicas:

– Via nigroestriada, importante no controle motor

– Vias mesolímbicas, projetando-se de um grupo de células no mesencéfalo para

partes do sistema límbico, especialmente o nucleus accumbens, envolvidas na

emoção e no sistema de recompensa induzida pelos fármacos

– Via mesocortical, sai do mesencéfalo para o córtex, envolvida na emoção

– Neurônios tubero-hipo sarios que se projetam do hipotálamo para a hipó se, cuja

secreção regulam

• Há cinco subtipos de receptores de dopamina.

Os receptores D1 e D5 estão ligados ao estímulo da adenilato ciclase. Os receptores D2, D3

e D4 estão ligados à ativação dos canais de K+ e à inibição dos canais de Ca2+ e também

à inibição da adenilato ciclase

• Os receptores da D2 podem estar implicados nos sintomas positivos; e os receptores D1,

nos sintomas negativos na esquizofrenia

• A doença de Parkinson está associada à de ciência dos neurônios dopaminérgicos

nigroestriados

• A liberação de hormônios pela adeno-hipo se é regulada pela dopamina, especialmente a

liberação de prolactina (inibida) e a liberação do hormônio do crescimento (estimulada)

• A dopamina age na zona de gatilho quimiorreceptora, causando náuseas e vômitos.

 

5-HIDROXITRIPTAMINA

A ocorrência e a função da 5-HT (serotonina) na periferia são descritas no

Capítulo 16. O interesse na 5-HT como possível transmissor no SNC data

de 1953, quando Gaddum descobriu que a dietilamida do ácido lisérgico

(LSD; do inglês, lysergic acid diethylamide), um poderoso alucinógeno (ver

Capítulo 49), agia como antagonista da 5-HT nos tecidos periféricos, e

sugeriu que seus efeitos centrais poderiam também estar relacionados com

essa ação. A presença de 5-HT no encéfalo foi demonstrada alguns anos

mais tarde. Ainda que a 5-HT no encéfalo responda por apenas 1% do

conteúdo corporal total, a 5-HT é importante transmissor no SNC (Iversen

et al., 2009; Muller e Jacobs, 2009). A 5-HT está envolvida em diferentes

processos fisiológicos, incluindo sono, apetite, termorregulação e percepção

da dor, assim como em alterações como cefaleia, depressão, mania,

ansiedade, transtornos obsessivos compulsivos, esquizofrenia, autismo e

uso abusivo de fármacos.

Em sua formação, armazenamento e liberação, a 5-HT assemelha-se à

norepinefrina. Seu precursor é o triptofano, um aminoácido derivado da

proteína dietética, cujo conteúdo plasmático varia consideravelmente, de

acordo com a ingestão de alimento e do momento do dia. A 5-HT não

atravessa a barreira hematencefálica e é sintetizada no SNC. O triptofano é

ativamente captado pelos neurônios, convertido a 5-hidroxitriptofano pela

enzima triptofano hidroxilase (ver Figura 16.1) e, em seguida,

descarboxilado por uma descarboxilase inespecífica dos aminoácidos a 5-

HT. O triptofano hidroxilase pode ser seletiva e irreversivelmente inibida

pela p-clorofenilalanina (PCPA). Acredita-se que a disponibilidade do

triptofano e a atividade da triptofano hidroxilase sejam os principais fatores

na regulação da síntese de 5-HT. A descarboxilase é muito semelhante, se

não idêntica, à dopa descarboxilase e não tem função na regulação da

síntese de 5-HT. Em seguida à liberação, a 5-HT é, na maior parte, recuperada pela captação neuronal, por meio de um transportador específico