Rang e Dale: Farmacologia
Reações imunológicas aos fármacos
considerado particularmente prejudicial (taxa de anomalias congênitas de
cerca de 10% em comparação com 2 a 3% na população geral), e está
contraindicado em mulheres em idade fértil.
■ Varfarina
A administração de varfarina (ver Capítulo 25) no primeiro trimestre está
associada à hipoplasia nasal e a várias anomalias do sistema nervoso
central, afetando cerca de 25% dos bebês expostos. No último trimestre,
não deve ser usada em virtude do risco de hemorragia intracraniana no bebê
durante o parto.
Teratogênese e lesão fetal induzidas por fármacos
• Teratogênese signi ca a produção de malformações estruturais grosseiras do feto (p. ex., a
ausência dos membros após a talidomida). Lesões menos abrangentes podem ser
produzidas por muitos fármacos (ver Tabela 58.2). Menos de 1% dos defeitos fetais
congênitos é atribuído aos fármacos administrados à mãe
• Malformações grosseiras são produzidas somente quando os teratógenos agem durante a
organogênese. Isso ocorre durante os primeiros 3 meses de gravidez, mas após a formação
do blastocisto. A lesão fetal induzida por fármacos é rara durante a formação do
blastocisto (exceção: síndrome alcoólica fetal) e após os primeiros 3 meses (exceção:
inibidores da enzima conversora da angiotensina [ECA] e sartanas)
• Os mecanismos de ação de teratógenos não são claramente compreendidos, embora a
lesão ao DNA seja um fator relevante.
REAÇÕES IMUNOLÓGICAS AOS FÁRMACOS
Os agentes biológicos (ver Capítulo 5) podem provocar uma resposta
imunológica; anticorpos anti-insulina são comuns em pacientes diabéticos,
embora raramente provoquem problemas (ver Capítulo 32), mas anticorpos
antieritropoetina e antitrombopoetina podem ter consequências graves nos
pacientes tratados com esses agentes (ver Capítulo 26). Atualmente, a
dosagem de anticorpos do tipo antifármaco é considerada prática comum no
desenvolvimento de produtos biológicos. Diferenças aparentemente triviais
no processo de produção (p. ex., entre diferentes lotes, ou quando novos
produtores fazem cópias de produtos biológicos, após a perda da proteção
da patente – os denominados produtos biossimilares) podem resultar em
alterações marcadas na imunogenicidade.
Reações alérgicas de vários tipos constituem uma forma comum de
reações adversas aos fármacos. Fármacos com baixo peso molecular não
são, por si sós, imunogênicos. No entanto, um fármaco, ou seu metabólito,
pode atuar como hapteno ao interagir com proteínas, formando conjugados
imunogênicos estáveis (ver Capítulo 7). A base imunológica de algumas
reações alérgicas a fármacos tem sido bem trabalhada, mas, muitas vezes, é
inferida pelas características clínicas da reação, faltando a evidência direta
do mecanismo imunológico. A existência de uma reação alérgica é sugerida
pelo atraso no seu início ou ocorrência apenas após exposição repetida ao
fármaco. As reações alérgicas, em geral, não estão relacionadas com a ação
principal do fármaco, ocorrendo conforme as síndromes associadas aos
tipos I, II, III e IV da classificação de Gell e Coombs (ver adiante e
Capítulo 7)
A incidência geral de reações alérgicas aos fármacos é relatada de forma
variada, na faixa de 2 a 25%. A maioria delas consiste em pequenas
erupções cutâneas. Reações graves (p. ex., anafilaxia, hemólise e depressão
da medula óssea) são raras. As penicilinas – causa mais comum de anafilaxia induzida por fármacos – produzem essa resposta em cerca de 1