Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 498 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Purinas

A importância dos neurônios colinérgicos nas doenças

neurodegenerativas, tais como a demência e a doença de Parkinson, é

discutida no Capítulo 41. O papel dos nAChR na adição da nicotina é

descrito no Capítulo 49, e o seu papel na modulação da transmissão da dor

no SNC é descrito no Capítulo 43.

 

PURINAS

Tanto a adenosina quanto o ATP agem como transmissores e/ou

moduladores no SNC (para revisão, ver Fredholm et al., 2005; Khakh e

North, 2012), como o são na periferia (ver Capítulo 17). O mapeamento das

vias é difícil, porque os neurônios purinérgicos não são identificados

histoquimicamente com facilidade. É provável que a adenosina e o ATP

atuem como neuromoduladores.

A adenosina é produzida intracelularmente a partir do ATP. Ela não é

colocada em vesículas, e sim liberada principalmente por transporte

mediado por carregador. Como a concentração intracelular de ATP (vários

mmol/ ℓ ) excede, em muito, a da adenosina, a conversão de pequena

proporção do ATP resulta em grande aumento na adenosina. O ATP é posto

em vesículas e liberado por exocitose, como um transmissor convencional,

mas também pode extravasar das células em grandes quantidades em

condições de lesão tecidual. Em concentrações elevadas, o ATP pode agir

como uma excitotoxina (como o glutamato, ver Capítulo 41) e causar lesão

neuronal adicional, mas ele também é rapidamente convertido em

adenosina, que exerce efeito protetor. Essas características especiais do

metabolismo da purina sugerem que a adenosina serve, principalmente,

como mecanismo de segurança, protegendo os neurônios de lesão quando

sua viabilidade estiver ameaçada, por exemplo, por isquemia ou por

atividade convulsiva. Foi sugerido que a insuficiência de adenosina pode fundamentar uma série de distúrbios do SNC, tais como algumas epilepsias,

bem como as doenças de Alzheimer e de Parkinson (Boison e Aronica,

2015).

 

Acetilcolina no sistema nervoso central

 

• A síntese, o armazenamento e a liberação da ACh no SNC são, essencialmente, os mesmos

da periferia (ver Capítulo 14)

• A ACh está amplamente distribuída no SNC, e as vias importantes são:

– Núcleos prosencefálicos basais (magnocelulares), que enviam uma projeção difusa

para a maioria das estruturas do prosencéfalo, incluindo o córtex

– Projeção septo-hipocampal

– Interneurônios curtos no estriado e no nucleus accumbens

• Certas doenças neurodegenerativas, especialmente a demência e a doença de Parkinson

(ver Capítulo 41), estão associadas a anomalias nas vias colinérgicas

• Tanto os receptores nicotínicos quanto os muscarínicos da ACh (predominantemente M ) 1

ocorrem no SNC. Os primeiros medeiam os efeitos centrais da nicotina. Os receptores

nicotínicos estão localizados, principalmente, pré-sinapticamente; há poucos exemplos de

transmissão mediada pelos receptores nicotínicos pós-sinápticos

• Os receptores muscarínicos parecem mediar os principais efeitos comportamentais

associados à ACh, especi camente sobre o alerta e o aprendizado e sobre a memória a

curto prazo

• Os antagonistas muscarínicos (p. ex., hioscina) causam amnésia.

 

A adenosina produz seus efeitos por intermédio de receptores acoplados

à proteína G (ver Capítulo 17). Há quatro tipos de receptores de adenosina –

A 1, A2A, A2B e A3 – distribuídos pelo SNC. O efeito geral da adenosina, ou dos vários agonistas do receptor da adenosina, é inibidor, levando a estados