Rang e Dale: Farmacologia
Purinas
A importância dos neurônios colinérgicos nas doenças
neurodegenerativas, tais como a demência e a doença de Parkinson, é
discutida no Capítulo 41. O papel dos nAChR na adição da nicotina é
descrito no Capítulo 49, e o seu papel na modulação da transmissão da dor
no SNC é descrito no Capítulo 43.
PURINAS
Tanto a adenosina quanto o ATP agem como transmissores e/ou
moduladores no SNC (para revisão, ver Fredholm et al., 2005; Khakh e
North, 2012), como o são na periferia (ver Capítulo 17). O mapeamento das
vias é difícil, porque os neurônios purinérgicos não são identificados
histoquimicamente com facilidade. É provável que a adenosina e o ATP
atuem como neuromoduladores.
A adenosina é produzida intracelularmente a partir do ATP. Ela não é
colocada em vesículas, e sim liberada principalmente por transporte
mediado por carregador. Como a concentração intracelular de ATP (vários
mmol/ ℓ ) excede, em muito, a da adenosina, a conversão de pequena
proporção do ATP resulta em grande aumento na adenosina. O ATP é posto
em vesículas e liberado por exocitose, como um transmissor convencional,
mas também pode extravasar das células em grandes quantidades em
condições de lesão tecidual. Em concentrações elevadas, o ATP pode agir
como uma excitotoxina (como o glutamato, ver Capítulo 41) e causar lesão
neuronal adicional, mas ele também é rapidamente convertido em
adenosina, que exerce efeito protetor. Essas características especiais do
metabolismo da purina sugerem que a adenosina serve, principalmente,
como mecanismo de segurança, protegendo os neurônios de lesão quando
sua viabilidade estiver ameaçada, por exemplo, por isquemia ou por
atividade convulsiva. Foi sugerido que a insuficiência de adenosina pode fundamentar uma série de distúrbios do SNC, tais como algumas epilepsias,
bem como as doenças de Alzheimer e de Parkinson (Boison e Aronica,
2015).
Acetilcolina no sistema nervoso central
• A síntese, o armazenamento e a liberação da ACh no SNC são, essencialmente, os mesmos
da periferia (ver Capítulo 14)
• A ACh está amplamente distribuída no SNC, e as vias importantes são:
– Núcleos prosencefálicos basais (magnocelulares), que enviam uma projeção difusa
para a maioria das estruturas do prosencéfalo, incluindo o córtex
– Projeção septo-hipocampal
– Interneurônios curtos no estriado e no nucleus accumbens
• Certas doenças neurodegenerativas, especialmente a demência e a doença de Parkinson
(ver Capítulo 41), estão associadas a anomalias nas vias colinérgicas
• Tanto os receptores nicotínicos quanto os muscarínicos da ACh (predominantemente M ) 1
ocorrem no SNC. Os primeiros medeiam os efeitos centrais da nicotina. Os receptores
nicotínicos estão localizados, principalmente, pré-sinapticamente; há poucos exemplos de
transmissão mediada pelos receptores nicotínicos pós-sinápticos
• Os receptores muscarínicos parecem mediar os principais efeitos comportamentais
associados à ACh, especi camente sobre o alerta e o aprendizado e sobre a memória a
curto prazo
• Os antagonistas muscarínicos (p. ex., hioscina) causam amnésia.
A adenosina produz seus efeitos por intermédio de receptores acoplados
à proteína G (ver Capítulo 17). Há quatro tipos de receptores de adenosina –
A 1, A2A, A2B e A3 – distribuídos pelo SNC. O efeito geral da adenosina, ou dos vários agonistas do receptor da adenosina, é inibidor, levando a estados