Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 263 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Controle autônomo do coração

As divisões simpática e parassimpática do sistema nervoso (ver Capítulos

13 a 15) exercem, independentemente, um efeito tônico sobre o coração em

repouso e influenciam cada um dos aspectos da função cardíaca discutidos

anteriormente, ou seja, a frequência e o ritmo, a contração, o metabolismo e

o fluxo sanguíneo do miocárdio.

 

SISTEMA SIMPÁTICO

Os principais efeitos de atividade simpática sobre o coração são:

 

• Aumento da força de contração (efeito inotrópico positivo; Figura 22.6)

• Aumento da frequência cardíaca (efeito cronotrópico positivo; Figura

22.7)

• Aumento do automatismo (i. e., tendência para gerar batimentos

ectópicos)

• Repolarização e restauração da função após despolarização cardíaca

generalizada

• Redução da eficiência cardíaca (i. e., o consumo de oxigênio aumenta

mais que o trabalho cardíaco)

• Hipertrofia cardíaca (que parece ser mediada diretamente pela

estimulação dos receptores adrenérgicos α e β do miocárdio, e não por

alterações hemodinâmicas).

Figura 22.6 O transiente de cálcio em músculo cardíaco de rã. Um grupo de células recebeu injeção de um indicador fosforescente de Ca2+, a equorina, que permite que a [Ca 2+] seja monitorada opticamente. A isoprenalina causa grande aumento na tensão e da

i

[Ca 2+] transitória causada por um estímulo elétrico ( ). (De Allen, D.G., Blinks, J.R., 1978.

i

Nature 273, 509.)

Fluxo coronariano, isquemia e infarto agudo do miocárdio

 

• Em relação ao consumo de oxigênio, o coração tem irrigação menor do que a maioria dos

órgãos

• O uxo coronariano é controlado principalmente por:

– Fatores físicos, incluindo a pressão transmural durante a sístole

– Metabólitos vasodilatadores

• A inervação autônoma é de importância menor

• A isquemia coronariana geralmente decorre de aterosclerose e causa angina. Isquemia

súbita geralmente é causada por trombose e pode resultar em IAM (morte de uma região

do miocárdio)

• O espasmo coronariano pode causar angina (angina variante)

• 2+ A isquemia causa sobrecarga celular de Ca e pode ser responsável por:

– Morte celular

– Arritmias.

 

▼ Esses efeitos resultam principalmente da ativação dos receptores β1-

adrenérgicos. Os efeitos β1 das catecolaminas sobre o coração, embora

complexos, provavelmente ocorrem todos por intermédio da ativação da

adenilato ciclase, resultando no aumento do cAMP intracelular (ver

Capítulo 3). O cAMP ativa a proteinoquinase A, que fosforila pontos

nas subunidades α1 dos canais de cálcio. Isso aumenta a probabilidade

de que os canais se abram, elevando a corrente de entrada de Ca2+ e,

assim, a força de contração cardíaca (ver Figura 22.6). A ativação dos

receptores β1-adrenérgicos também aumenta a sensibilidade do

maquinário contrátil ao Ca2+, possivelmente pela fosforilação da

troponina C; além disso, facilita a captura de Ca2+ pelo retículo

sarcoplasmático, desse modo aumentando a quantidade de Ca2+

disponível para liberação pelo potencial de ação. A resultante da ação

das catecolaminas é elevar e tornar mais inclinada a curva de função

ventricular (ver Figura 22.4). O aumento da frequência cardíaca resulta

do aumento da inclinação do potencial do marca-passo (ver Figuras 22.1

e 22.7A). O aumento da entrada de Ca2+ também eleva o automatismo

em virtude do efeito da [Ca2+]i sobre a corrente de entrada transitória, o

que pode resultar em uma salva de potenciais de ação após um único

estímulo (ver Figura 22.2).

A ativação dos receptores β1-adrenérgicos repolariza o miocárdio

lesionado ou hipóxico por estímulo da bomba de Na+/K+. Isso pode

restaurar a função se tiver ocorrido assistolia após IAM, e a epinefrina

é um dos fármacos mais importantes usados durante a parada cardíaca.

A redução da eficiência cardíaca pelas catecolaminas é importante

porque significa que as necessidades de oxigênio do miocárdio

aumentam. Isto limita o uso de agonistas β, como a epinefrina e a

dobutamina para choque circulatório (ver Capítulo 23). O IAM ativa a

divisão simpática do sistema nervoso (Figura 22.8), provocando o efeito

indesejável de aumentar as necessidades de oxigênio do miocárdio

comprometido.