Rang e Dale: Farmacologia
Receptores da acetilcolina
pressão, resultante da secreção de epinefrina.
A classificação farmacológica de Dale apresenta uma correspondência
estreita com as principais funções fisiológicas da ACh no organismo. As
ações muscarínicas correspondem àquelas da ACh liberada nas terminações
nervosas pós-ganglionares parassimpáticas, com duas exceções
importantes:
1. A ACh provoca vasodilatação generalizada, embora a maioria dos vasos
sanguíneos não tenha inervação parassimpática. Este é um efeito
indireto: a ACh (assim como muitos outros mediadores) age sobre as
células endoteliais dos vasos, promovendo a liberação de óxido nítrico
(ver Capítulo 21), que relaxa o músculo liso. A função fisiológica desse
fenômeno não é clara, uma vez que a ACh geralmente não está presente
no sangue circulante.
2. A ACh provoca secreção das glândulas sudoríparas, que são inervadas
por fibras colinérgicas do sistema nervoso simpático (ver Tabela 13.1).
As ações nicotínicas correspondem às ações da ACh sobre os gânglios
autônomos dos sistemas simpático e parassimpático, sobre a placa terminal
do músculo voluntário e sobre as células secretoras da medula da
suprarrenal.
RECEPTORES DA ACETILCOLINA
Embora o próprio Dale tenha rejeitado o conceito de receptores como
sofisma em vez de ciência, sua classificação funcional forneceu a base para
a distinção dos receptores muscarínicos e nicotínicos, as duas principais
classes de receptores ACh (ver Capítulo 3 e Southan et al., 2016). Vários
fármacos importantes têm como alvo esses receptores e, apesar da sua longa e ilustre história, os recentes avanços continuam a abrir novas